
República Paz & Amor – Se há um deus que regula o futebol, esse deus é sobretudo irônico e farsante. Sempre questionei Carlos Drummond de Andrade por isso. Mas, me rendi depois daquela defesa do Paulo Victor. O poeta falava de Garrincha. Tinha autoridade para tal. Disputar uma partida contra o Nova Iguaçu e sua mediocridade explícita na tabela e nos seus respectivos resultados no campeonato e não conseguir fazer um único gol, um mísero gol, um gol inocente, um gol maroto, um gol moleque, só pode ser ironia e farsa desse deus que controla os resultados, manipula os horários, manda na tabela, dita as regras do jogo, amordaça e mete bola no travessão. E não estou falando do “Dr. Rubens”, esse deus ao contrário. Me digam se não é farsa e ironia num dos últimos lances da partida, Cirino (ele cansa a minha beleza, a interior, claro, quando não faz aquilo que foi contratado para fazer) recebe na área, dá aquele migué na zaga e ENFIM chuta para o gol! O goleiro defende e Alecsandro (tenho paciência de Jó com ele, e não me perguntem o porquê. Talvez o futebol explique, como ele “bem” declarou no final do jogo) chuta no travessão, e aí vem Eduardo. Era só mais uma Silva. Que a estrela não brilha.
Já declarei aqui a força que o pessimismo de Schopenhauer tem em mim quando penso em futebol (pós 7 x 1 a coisa piorou), mas tudo isso é fora do estádio. Quando entro no Maracanã, quando a bola começa a rolar mesmo que na TV, quando visto o manto sagrado, minha alma encantada pelo Flamengo se renova e…vamos pra cima deles! Vamos com o espírito desse futebol abstrato que estamos jogando, capaz de dar um passeio no moribundo tricolor e dias depois aquela “sofrência”. Na semana de uma das maiores conquistas na política do Clube, clamo por um estatuto que contemple também punição para montagens de times que empatem com o Nova Iguaçu, ou que entrem no campeonato para se manter na “zona da confusão” (toc toc toc). No texto passado fui acalentada com palavras de que Dias Melhores Virão (já estou ensaiando o Armeration). Meu relógio biológico rubro-negro, que ainda é muito fértil, conta os dias para o Brasileirão. E só o café me salva. A arte também. Estudando sobre um dos meus artistas preferidos, vejo o quanto Kandisnky era rubro-negro, com licença poética e artística. O russo acreditava na “arte pela arte”, ou seja, que ela não tinha nenhum outro propósito a não ser nutrir a alma. O Flamengo também. Ele me mata, me maltrata, me arrebata. Alimento da alma. Eu só queria que o time jogasse de forma melódica e sinfônica, como a arte do mestre da pintura abstrata. Mais um café, mais amor, por favor.
A arte pela arte, certo? Então vamos lá: Paulo Victor, Wallace, Samir, Pará e Armero; Márcio Araújo e Canteros; Arthur Maia, Everton, Paulinho e Cirino. Três volantes não, coração. E aí, vamos trabalhando com o elenco abstrato e seja o que o deus irônico e farsante do futebol quiser. Um time de formas orgânicas e cores rubro-negras vibrantes na semi-final. Vascaínos, Tremei-vos.
Pra vocês, Paz, Amor e Futebol Arte.
Vivi Mariano
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