As cotas de TV atrapalham o Flamengo

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Fonte: Mundo Rubro Negro

Por várias momentos nos deparamos com críticas de diversos dirigentes e da mídia especializada sobre divisão de cotas, tentando associar o modelo brasileiro ao modelo espanhol.

A tabela acima nos mostra o faturamento dos 12 maiores clubes do futebol brasileiro e a fatia de cada um nesse montante, conhecido como Market Share.

Analisando a tabela acima, o direito de transmissão representou 35,9% do faturamento total desses 12 clubes. No caso específico do Flamengo, 33,2%. Isso quer dizer que, em média, os direitos de transmissão são mais importantes para o faturamento dos demais do que para o Flamengo. Em um caso extremo, os direitos de transmissão representaram 56,4% do faturamento do Vasco. Sem as cotas eles iriam faturar R$ 56,3 milhões.

Pela tabela acima, fica claro que, em um ano difícil para todo o mercado de futebol, ainda assim o Flamengo conseguiu aumentar suas receitas em R$ 74 milhões (aumento de R$ 70 milhões se tirarmos os direitos de transmissão). No somatório da variação de faturamento dos outros 11, houve uma redução de R$ 190 milhões (R$ 17 milhões em média). Se tirarmos os direitos de transmissão, uma redução de R$ 261 milhões (R$ 24 milhões em média).

Para finalizar, com a tabela acima fica claro, não só que o Flamengo lidera o ranking de faturamento sem considerarmos os direitos de transmissão, como também que a sua fatia do mercado é maior sem os direitos de transmissão, 14,6%, do que com, 14,0%. Se o Flamengo não recebesse nada de transmissão e todos os outros recebessem, ainda assim teria o 4º maior faturamento do país, atrás apenas dos 3 grandes paulistanos.

Concluindo, se tirássemos a receita de transmissão, o Flamengo seria beneficiado e não prejudicado. Ai você pergunta, “Mas ele não recebe mais do que os outros?”. Sim, mas o montante que ele recebe, além de não manter o patamar de representatividade das demais receitas comparado a outros clubes, faz com que esse patamar diminua. O Corinthians na verdade é o grande beneficiado, vendo seu Market Share subir de 9,4% para 10,4% com os direitos de transmissão.

Na verdade, o que está por trás dessa briga de direitos de transmissão (cota de TV) é uma cortina de fumaça para que não seja exposta a incompetência de alguns clubes em aumentar as outras receitas, tarefa difícil mas que o Flamengo vem fazendo, fato demonstrado pela retração do mercado em 2014, assim como não expor a total dependência que vários clubes tem das receitas da televisão.

Que o Flamengo siga fazendo seu dever de casa e dependendo cada vez menos de transmissão. E que o torcedor não caia na conversa fiada de distribuição mais justa.

Benny

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