
Fonte: ESPN
Tem sido difícil, Flamengo. Todo ano começar o Brasileiro assim? Um ponto conquistado em nove disputados, saltando imediatamente para a zona do rebaixamento, da confusão, do diabo que for. Já estamos experimentando a famigerada crise que carniceiros e vendedores de tragédia adoram. A fase tem sido tão ruim que tem atingido até jogadores que são apenas especulados no clube, vide os gols perdidos por Paolo Guerrero e Robinho na rodada.
A partida diante do Avaí não foi das melhores, e ninguém ficou muito surpreso. O Fla entrou com a proposta de quebrar mais o jogo, se preocupando primeiro em fechar a casinha e depois tentar beliscar um ponto. A estratégia deu certo até o time parar em sua ineficiência na bola parada, que gerou o primeiro gol da peleja no minuto inicial da segunda etapa. Parabéns especiais a Wallace pela graça alcançada.
Sim, o Flamengo empatou em seguida com uma bola vadia e passou a jogar um pouquinho melhor. O desempate do Avaí veio num erro clamoroso da arbitragem. Saíram umas três bolas inteiras na jogada de linha de fundo dos donos da casa, que terminou no gol de Hugo. Prejuízo imenso, erro grotesco, mas e daí?
O preocupante não é ser prejudicado pela arbitragem. É péssimo que jogos sejam definidos assim, mas, a julgar pelo nível dos juízes do nosso Brasilzão, isso vai e volta. Daqui a duas semanas o erro é a favor do Fla, e assim segue o barco (será interessante, porém, ver que medidas serão tomadas com árbitro e assistente responsáveis pela marcação).
Na verdade, o que me preocupou foi não ter vislumbrado, em momento algum, a possibilidade do Flamengo vencer o jogo. Luxemburgo tentou preencher os espaços no meio campo, tornar o time mais compacto, os jogadores correram, blá blá blá. Ainda assim, a equipe parecia tão organizada e entrosada quanto o catadão da esquina aqui de Oswaldo Cruz. Costumo pregar pela continuidade e confiança no trabalho dos treinadores, mas está difícil defender o Luxa. Um pouco de otimismo reside nas mudanças que Vanderlei trouxe para o jogo deste domingo. Quer dizer que, ao menos, ele sabe que desse jeito aí não vai dar para continuar. Parece estar tentando opções, que não testou nos quase quatro meses de jogos do Estadual.
O Flamengo está no mercado à procura de jogadores. Além dos já citados Guerrero e Robinho, atletas como Diego, Petros e Elias passeiam entre as bocas dos setoristas e dos torcedores. Só que isso deve ser algo paralelo ao time. A impressão que dá é de que o clube parou, esperando pelos salvadores que podem vir do Saldão da Fiel para resolver todos os problemas do Flamengo. Não existem muitos sinais de evolução. E a tabela, com Fluminense e Cruzeiro (completo) fora, não ajuda em nada as esperanças rubro-negras.
O Avaí foi a campo com Vagner; Nino Paraíba, Antônio Carlos, Jéci e Romário; Renan, Eduardo Neto, Pablo e Marquinhos AQUELE; Hugo e Anderson Lopes. O time alviazul se salvou do rebaixamento no Catarinense na última rodada do Quadrangular da Morte. Essa derrota não entra na conta da qualidade dos jogadores, do momento técnico do time, da falta de talento no elenco. Não há papo por reforço que esconda que, se o Flamengo não melhorar, e rápido, talvez seja hora da diretoria passar a observar os técnicos a disposição no mercado também. Não são três rodadas de resultados negativos. São cinco meses de um trabalho medíocre, escondido por inúmeras entrevistas e interesses de times grandes. Nenhum erro da arbitragem ou jogador não contratado é mais importante do que isso.
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