
Fonte: Teoria dos Jogos
Talvez seja questão de tempo, não se sabe ao certo. Mas a sensação que fica é: enquanto não houver mudanças no modelo que distribui os recursos do televisionamento, a demagogia no futebol brasileiro não cessará.
O “bastião da moralidade” é o deputado Mendonça Filho, do DEM/PE, que apresentou emenda à Medida Provisória do Profut visando aplicar por aqui o modelo de repartição do futebol inglês: 50% da verba dividida entre todos os clubes, 25% conforme a classificação do torneio anterior e 25% proporcionais à audiência média de cada um.
Se isto acontecesse, como as coisas ficariam? A resposta vem de um elucidante trabalho de Christiano Candian, autor do blog Constelações e leitor do Blog Teoria dos Jogos. Ele preparou uma planilha que projeta diferentes cenários segundo mudam os percentuais atribuídos a cada critério.
Na hipótese da divisão à inglesa: 50% igualitária, 25% esportiva, 25% audiências:
PS: Valores em milhões de reais, com base na distribuição de recursos vigente do triênio 2013-2015 (diferente das demonstrações financeiras). O percentual de audiência foi dado como proporcional às cotas atualmente percebidas. Foram incluídos apenas os participantes da Série A em 2014 – por isso a ausência do Vasco.
A diferença entre quem ganha mais e menos (Corinthians e Criciúma) ficaria inacreditavelmente pequena: R$ 68,9 milhões a R$ 28,5 milhões. Isto significa que o Corinthians, uma das locomotivas do futebol nacional, levaria apenas 2,4 vezes mais que um clube de torcida quase municipal. Nem assim agradando aos puristas, já que na Inglaterra a diferença fica na ordem de 1,5 vez…
O mais impactante pode ser visto na coluna “Diferença”, que denota o quanto ganham ou perdem os clubes sob este novo ordenamento. Gigantes como Flamengo e Corinthians experimentariam sangria superior a R$ 40 milhões. Mas não só eles: São Paulo, Palmeiras, Santos e Botafogo teriam prejuízos de R$ 8 milhões a R$ 24 milhões. Em suma: clubes que representam metade da população nacional chafurdariam para encher os bolsos de Figueirense (R$ 18,1 milhões), Atlético-PR (R$ 16,8 milhões), Chapecoense (R$ 15,9 milhões) e – é lógico – o Sport (R$ 13,5 milhões), do estado do digníssimo parlamentar.
Mas a tabela permite simulações com base em outras divisões. Se ela fosse 50% esportiva, 25% igualitária e 25% audiências:
Neste caso, o “clube dos infelizes” teria a deficitária companhia da dupla Ba-Vi, rebaixada em 2014. O benefício viria ao campeão, com nada menos que R$ 21,3 milhões adicionais nos cofres do Cruzeiro. O Flamengo desabaria no mesmo montante da simulação anterior (R$ 47 milhões), recebendo menos que Corinthians, São Paulo e Cruzeiro. Mas a concentração aumentaria, com o líder faturando 4,2 vezes mais do que o último colocado.
Já no caso de 50% audiências, 25% esportiva e 25% igualitária:
Teríamos um cenário mais racional: os mesmos prejudicados do primeiro cenário com quedas menos acentuadas – a do Flamengo, de R$ 31,5 milhões. Por analogia, o maior beneficiado teria ganhos menos expressivos (R$ 12,1 milhões ao Atlético-PR). Nos três cenários – dado o peso dos resultados esportivos – o Corinthians seria líder, aqui angariando 4 vezes mais do que o Tigre de Santa Catarina.
E a opinião do Blog…
Já expusemos nossa opinião sobre a adoção do modelo inglês num texto denominado “Não existe “espanholização” no Brasil… no máximo uma “italianização”, quiçá “enfrancesamento”. Lá foi dito que em países cuja configuração de torcidas é bem conhecida – casos de Espanha, Itália ou do próprio Brasil – recursos são direcionados de maneira concentrada nos chamados “trens pagadores”.
Se não somos tão concentrados quanto os países citados, a configuração de torcidas no Brasil também não difere tanto. Por aqui, flamenguistas atingem cerca de 24% do universo de torcedores, ao cabo que a Juventus possui 29% e o Real Madrid, 37%. Quando Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Vasco entram em cena, passam a representar 66% da torcida e inacreditáveis 80% entre jovens.
Soa razoável este complexo de Peter Pan, refutando ditames de mercado em meio a relações puramente comerciais entre entes privados?
Não, não soa.
E o Blog Teoria dos Jogos não está sozinho em sua posição. Segundo Emerson Gonçalves, autor do blog Olhar Crônico Esportivo, haveria muitas diferenças entre Brasil e Inglaterra – explicando a pouca similaridade entre os modelos adotados aqui e lá. Ele diz:
-No Brasil a TV já nasceu privada, tendo desde o início dependido do mercado publicitário para sobreviver e crescer. Muito porque se baseou no sistema de transmissão em canal aberto, gratuito e financiado por anunciantes que pagam em troca de visibilidade. Isto não aconteceu na Inglaterra, onde a TV nasceu pública e a publicidade veio bem depois.
Por isto, Emerson diz que “quando se negociam as transmissões do futebol no Brasil, é mais do que evidente que se busca a audiência”, presumindo não haver mal e refutando a adoção de modelos moldados por diferentes realidades.
Agradecemos a Christiano Candian e Emerson Gonçalves, convidando os leitores para mais esta reflexão acerca de um tema que nunca sai de pauta.
Um grande abraço e saudações!
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dividam-se as dividas de todos entao... todos pagam a mesma coisa...
Dividam os estadios privados...
Quem
é o Filho duma Égua que gasta tempo bolando um plano ridículo desses
visando ferrar a arrecadação do meu Mengão? Sai fora olho gordo!
tanta coisa pra estes caras resolverem e querem se meter no livre comercio.
quem da mais retorno ganha mais
quem da menos retorno ganha menos
DAQUI A POUCO ALGUÉM VEM COM UMA LEI DE DIVIDIR A TORCIDA
Se quiserem mudar alguma coisa, tem q ser pela audiencia. Tv vive disso ou vcs
Acham q alguem vai pagar a globo p colocar comerciais em jogos de figueirense,
Coritiba, botafogo etc etc............
Se o Brasil copia-se tudo que tivesse lá fora não estaria fudido e muitos iriam morrer.
São vcs que fazem isso pois só se lembram do Flamengo e é essa audiência que a Globo e os patrocinadores querem.
vcs são engraçados ou babacas?
Curintia , santos e são Paulo estão devendo e muito aos seus jogadores a mídia encobre muito do que esta acontecendo , eles não tem condições de renovarem com suas estrelas se renovarem vão entrar num buraco sem volta o qual já estão na metade, nossa diretoria sabe disto já se programou reduziu gastos estabilizou salários e mantem sua austeridade financeira paga oque pode. DEPOIS OS OUTROS CLUBES NAO RECLAMEN DO ABISMO QUE EXISTIRA ENTRE FLAMENGO E OS OUTROS SO VEJO TUDO SE ENCAMINHANDO PARA A ESPANHOLIZACAO MESMO NOSSA DIRETORIA FAZ TUDO CERTINHO BASTA OLHAREM OS RESULTADOS VAMOS DOMINAR AS AMERICAS SEM NINQUEM NEM PERTO DE NOS , A TORCIDA TEM QUE ENTENDER ESTE PROJETO EM MAIS UM OU DOIS ANOS E TUDO NOSSO. PARABENS DIRETORIA .ST 413844,,,,,.......