Especial Fla-Flu: Momentos especiais

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Fonte: Goal

Com 103 anos de história, o clássico carioca coleciona fatos marcantes e bizarros, como um telegrama anônimo, um urubu em campo e até bola isolada. Confira!

Com mais de 100 anos de história, o clássico mais charmoso do Brasil propicia momentos marcantes e inesquecíveis aos seus torcedores.

Quem não se divertiu com a invasão do urubu no gramado do Maracanã em 1983? Ou o histórico gol de barriga de Renato Gaúcho? E quem não se emocionou com Zico indo às lágrimas após marcar três gols na goleada por 4 a 1, em 1986?

Dando continuidade a série especial sobre Fla-Flu, a Goal Brasil recorda os momentos marcantes e que embalaram mais de 37 milhões de torcedores espalhados pelo país.

CONFIRA O CAPÍTULO 1: Os clássicos fora do Maracanã

A INVASÃO DE CAMPO E A BOLA SUMIDA

Em outubro de 1916, Fluminense e Flamengo se enfrentavam. Os rubro-negros venciam, por 2 a 1, quando tiveram um pênalti marcado pelo árbitro R. Davies. Era chance aumentar o placar, mas Rienner desperdiçou a oportunidade.

Porém, logo depois, o árbitro marcou novamente o pênalti. Foi a vez de Marcos Carneiro de Mendonça, o primeiro goleiro da Seleção Brasileiro e um dos primeiros ídolos do Tricolor, roubar a cena. Sidney bateu a primeira vez, e o arqueiro defendeu. O árbitro mandou voltar e novamente ele fez a defesa. Só que a situação da partida ficou complicada quando R. Davies alegou invasão de campo e apitou um novo pênalti. A torcida do Fluminense não aceitou o fato e adentrou ao campo.

A situação não pôde ser contornada, e um novo jogo teve que ser marcado. Melhor para o Flu. Na nova partida, em dezembro, em General Severiano, o time das Laranjeiras venceu por 3 a 1. Mas o fato curioso é que, nesta partida, em uma disputa, a bola foi parar em cima da arquibancada.

Sem outra bola, foram necessários 20 minutos para recuperá-la e o jogo ser reiniciado. Esse foi o jogo que entrou para o livro de estatísticas. Mas a história já está no folclore do Fla-Flu.

O “FALSO” TELEGRAMA

Preguinho foi uma verdadeira lenda nas Laranjeiras. Atleta de diversos esportes do Fluminense, ele se destacou com mais de 300 medalhas conquistadas, mas ficou famoso pela sua contribuição ao futebol. João Coelho Neto, seu verdadeiro nome, entrou para o livro dos recordes como o autor do primeiro gol brasileiro em Copas do Mundo, contra a Iugoslávia, em 1930.

No Flu, Preguinho se tornou o protagonistas de uma das grandes histórias do Fla-Flu. Como conta Antônio Carlos Napoleão, no livro Fluminense Football Club: história, conquistas e glórias no futebol , em 1928, às vésperas do clássico, o atacante recebeu um telegrama, que acreditava-se ser do goleiro Amado, do adversário. Nele, dizia que Preguinho não conseguiria marcar nenhuma vez na partida.

Preguinho aceitou o desafio e respondeu no jornal “Rio Esportivo” a provocação, dizendo que faria, no mínimo, dois gols. E foi o que aconteceu. Com poucos minutos de partida, ele aproveitou um erro de Amado e abriu o placar. Com apenas 11 minutos, o jogador tricolor marcou um golaço de calcanhar. A aposta estava ganha, e o Flu ainda venceria por 4 a 1 a partida.

Só que, depois do jogo, Preguinho descobriu que o telegrama, na verdade, não havia sido enviado pelo goleiro rubro-negro. Melhor para o Fluminense.

O MAIOR PÚBLICO DA HISTÓRIA

A decisão do Carioca de 1963 entrou para a história como o maior público em jogo entre clubes de todos os tempos, com 177.656 pagantes e 196.603 presentes no Maracanã.

Em número de presentes, só a Seleção Brasileira supera este total: em 1950, na final da Copa do Mundo contra o Uruguai, quando foi registrado um público de 199.854, e em 1954, contra o Paraguai, com 195.513 torcedores presentes.

O Flamengo precisava apenas de um apenas para levantar a taça, e encerrar o jejum de sete anos sem conquistar o Carioca.

E apesar da pressão tricolor desde o primeiro minuto, o rubro-negro soube se segurar, principalmente nos minutos finais, e conquistou o tão esperado título.

Muitos dizem que o goleiro Marcial foi o grande nome da partida. Porém, esse jogo é lembrado até hoje graças à torcida. Aos milhares que lotaram o Maracanã e fizeram o estádio tremer a cada grito e pulo dos apaixonados torcedores.

O MASCOTE AZARADO

Um urubu paralisou o Fla-Flu decisivo da fase final do Carioca de 1983. A ave, que é símbolo do clube, foi solta pela torcida rubro-negra e invadiu o gramado do Maracanã. Gandulas tentaram sem sucesso retirar o animal, mas foi o jogador tricolor Aldo quem conseguiu.

Precisando vencer o rival rubro-negro para ainda sonhar com o título, a partida seguia em um tenso 0 a 0 com a torcida flamenguista já cantando “é campeão”, quando Assis fez explodir o Maracanã. 1 a 0.

Na rodada seguinte, o Fluminense se sagraria campeão e assim, Assis entrou para a história do clube.

Hoje, se não há urubus voando sobre os gramados, eles estão presentes em bandeiras da maior torcida do Brasil.

A POLÍTICA VIROU FLA-FLU

Por incrível que pareça, a rivalidade entre Flamengo e Fluminense já chegou ao campo da política. Em 1984, o Brasil vivia o processo das Diretas Já, onde a população brigava para votar para a Presidência da República de 1985, que seria a primeira eleição depois da Ditadura Militar. Mas aonde entram os dois times nesta história?

O último presidente militar do Brasil, João Baptista Figueiredo, era um tricolor doente. Depois de sofrer um infarto, em 1983, ele recebeu a visita no ano seguinte, justamente na semana de um Fla-Flu, de uma delegação do Fluminense em Brasília. Ídolos do clube, como Branco e Washington, entregaram uma camisa a ele. De quebra, também encontraram Paulo Maluf, candidato da situação ao cargo.

A visita gerou uma reação instantânea na torcida do Flamengo, que se aproveitou do fato de Tancredo Neves ser um rubro-negro assumido. Candidato à favor da democracia e com grande apoio do povo, ele ganhou faixas no Maracanã no dia do jogo e a torcida gritou o seu nome contra Maluf.

No final desse Fla-Flu político, o Flamengo ganhou duas vezes. O jogo naquela Taça Guanabara de 1984, com gol de Adílio, e Tancredo Neves ganhou a eleição – ainda que tenha sido indireta e ele tenha morrido pouco antes de assumir o cargo.

A VINGANÇA DE ZICO

O ano era 1986. O jogo, obviamente, era Fla-Flu. Zico voltava de uma contusão terrível que havia sofrido no joelho e que o tinha deixado meses longe dos gramados.

A partida era válida pela Taça Guanabara e o ‘Galinho’ calou a boca dos tricolores. Provocado pela torcida rival, que havia conquistado os três últimos estaduais, o ídolo rubro-negro fez bonito e marcou três gols na vitória por 4 a 1 sobre o Flu.

Após o apito final, os flamenguistas cantavam: “Recordar é viver, o Zico acabou com você!”. Enquanto isso, o jogador muito emocionado, chorava sem parar. A resposta aos críticos foi dada.

O GOL DE BARRIGA

Não há como falar de Fla-Flu e não lembrar a final do Campeonato Carioca de 1995. O jogo final valia o título da competição, e a vantagem era do rubro-negro, que poderia empatar e ficar com a taça. Mas quem começou melhor foi o Fluminense. No primeiro tempo, com gols de Renato Gaúcho e Leonardo, a equipe foi para o intervalo vencendo por 2 a 0.

Mas as coisas viraram nos 45 minutos finais depois que os times voltaram do vestiário naquele dia chuvoso. O Flamengo voltou melhor e, aos 26 e 32, empatou com Romário e Fabinho. Ou seja, era o resultado que a equipe precisava para ser campeã.

Aos 42 minutos do segundo tempo, Aílton partiu pela direita, tirou o marcador e finalizou cruzado. Renato Gaúcho estava no lugar certo. Com a barriga, ele escorou para o fundo das redes. O Fluminense era o campeão carioca de 95, e Renato entrava de vez para a história do Tricolor. Mesmo, na realidade, não tendo oficialmente marcado o gol do título, já que o árbitro Léo Feldman assinalou para Aílton. Mero detalhe…

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