
Fonte: Goal
Para o adolescente que gosta de futebol, é mais fácil e prazeroso ver times europeus – e os clubes daqui parecem não ligar.
Como pode um moleque brasileiro torcer para o Barcelona, se nunca foi ao estádio gritar pelo time ou jamais fez piadinhas com um rival na escola? Que experiência futebolística é essa que não tem inspiração nos pais ou avós, mas no videogame ou na televisão a cabo das tardes de Champions League?
A tendência parece irreversível: 54% dos torcedores no Brasil com mais de 16 anos pelo menos simpatizam com algum clube europeu, segundo uma pesquisa feita em 2013 pela Stochos Sports & Entertainment. Não por acaso seis das 10 camisas infantis mais vendidas pela Centauro em 2014 eram de times estrangeiros – a do Barcelona foi a número um.
Você pode até achar a “Geração PlayStation” meio esquisita e sair por aí proclamando seu ódio eterno ao futebol moderno. O que não dá é para julgar a paixão dos outros, principalmente sem conhecer a condição em que ela surgiu.
Meu amor ao futebol e ao Palmeiras nasceu no rádio e na TV, e não no cimento da arquibancada. Meu pai foi me levar ao estádio anos depois daquele jogo em que Evair partiu para a bola na marca da cal e acabou com o jejum de títulos, em 93. O Palestra Itália só ganhou significado na minha vida quando meu irmão menor, já nos anos 2000, passou a me acompanhar nas partidas. Então, por favor, não venha dizer que meus sentimentos e lembranças da infância não valem só porque eles não cheiram a grama.
Toda essa digressão só para eu dizer que, se eu tivesse tido mais contato pela televisão com o Roberto Baggio do que com o Edmundo, talvez eu fosse hoje um feliz torcedor da Juventus, por que não? Ok, isso soa muito estranho para mim. Fico triste de ver crianças mais ligadas a times estrangeiros do que aos brasileiros. Mas não posso deixar de tentar entender o contexto e respeitá-lo.
Assim como as redes sociais podem fragilizar as relações humanas, e o acesso ilimitado a músicas na internet tende a diminuir a importância de um grande disco na vida de alguém, o contato virtual com um time de futebol também é mais vazio – mas pode ser o suficiente para a maioria das pessoas. Tem muita gente que não entende o que é abrir um encarte de vinil e cultuar uma banda. E muitos, acredite, não gostam de estádio.
Se você nunca esteve em uma arquibancada, tanto faz torcer para um time de fora ou para um brasileiro. Do mesmo jeito que apoiar equipes do Sudeste sempre fez sentido para mais da metade da população do Nordeste, segundo pesquisa da Pluri Consultoria.
A bem da verdade, hoje é até mais fácil ver um grande time de fora todas as semanas do que um brasileiro. Se você tem TV a cabo, pode assistir a quase todos os jogos de Barcelona, Real Madrid, Manchester United e Bayern de Munique. Ao passo que, se você não é um assinante do caríssimo Pay-Per-View, fica sempre dependente da Globo, que pode passar só uma ou duas partidas do seu time por mês.
Mais difícil do que acompanhar o clube pela televisão é ir ao estádio no Brasil. Transporte ruim, ingresso caro, fila para tudo, cambista, desconforto, banheiro sujo, violência – a lista de motivos para não sair de casa é imensa.
E quando um herói da resistência consegue vencer todos esses obstáculos para levar seu filho, corre o grande risco de ele simplesmente não gostar. Para uma geração que não consegue gastar cinco minutos lendo um texto ou escutando uma música com atenção, assistir “só” ao jogo, durante 90 minutos, é muito pouco.
O descaso dos próprios times daqui em relação ao seu torcedor é mais um caroço nesse angu. Eles não estão preparados para lidar com essa nova geração de fãs – a maioria atua de forma precária na internet, pouco conversa com o adolescente e nem ao menos tem competência para vender seus direitos de forma atraente para uma franquia de videogame.
No Fifa 15, o pequeno corintiano não pode comandar Guerrero e companhia, pois o time não está lá. O Real Madrid está.
A única saída para amenizar essa tendência de relações frias com os times brasileiros seria melhorar os campeonatos daqui, trazer os ídolos de volta e fazer um espetáculo decente no campo e seja lá onde os jovens queiram curti-lo: nos celulares, tablets, videogames. A sociedade de consumo não deixa alternativa – ganha sempre o melhor produto, seja ele nacional ou estrangeiro.
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Perfeito. Nossos dirigentes são muito burros para entender isso.
Muito boa análise. Não tinha visto, ainda, uma reflexão tão minuciosa sobre esse tema. Concordo que as gerações mudam conforme os meios de consumo. E a geração atual, moderna, tem hábitos de vida semelhantes em todo o mundo. Ou seja, escolhem pela qualidade e facilidade de alcance do produto, onde quer que este produto esteja. Portanto se o produto interno não é acessível (celulares, tablet, vídeo-game) e é de menor qualidade do que o externo, será o importado que será consumido. Facilidade esta, permitida pela rapidez da informação globalizada. E a modernidade, historicamente, chega primeiro na Europa. Fica difícil competir com eles, e o futebol brasileiro está sentindo isso dentro e fora do campo.
Os jogos do Brasileirão estão horríveis, tem muito volante brucutu, erros de passe, jogo parando o tempo todo, muitos erros de arbitragens, muitos jogadores ruins que só sabem reclamar da arbitragem, estádio vazio, gramado ruim, etc...
Eu só consigo assistir jogos do Flamengo porque sou louco por esse clube, mas eu não consigo assistir um Corinthians e São Paulo, Inter e Cruzeiro, a final da Libertadores não assisto as finais a muito tempo, até a final da Copa do Brasil só assisti quando o Flamengo jogou em 2013, mas na Europa assisto Valência e Sevilha por exemplo, pois a qualidade do jogo é bem alta, ou até mesmo Tottenham e Everton, mas no Brasil só consigo ver mesmo o Mengão, pois mesmo os jogos do Flamengo sendo ruins eu tenho interesse no jogo, simplesmente por ser flamenguista.
Compartilho da mesma opinião, ate jogos de equipes medias na Europa, supera os Clássicos brasileiros em qualidade, infelizmente para nós.
Culpa dos pais. Minha filha é mengo. De verdade. Da minha parte nunca assisti um jogo de time estrangeiro. Nem sei o que é isso.
A verdade é que o mundo hoje, principalmente por causa da internet, um pouco menos pela TV a cabo, está mais interligado, o que permite aos mais jovens acesso imediato à cultura de massas do exterior. Acresce que a quantidade de jogadores brasileiros, alguns com status de craque e ídolo nacional, jogando lá fora é muito grande, o que atrai os olhares. Na minha opinião essa é uma tendência irreversível. Mas em parte, é culpa dos pais torcedores.
Por que o brasil é tao burro,que nao sabem fazer um game do campeonato brasileiro, e colocar o mengao como destaque, dao preferencia pros games do exterior e vemos nossos filhos serem influenciado pelos times de fora !!!
muito boa analise.agora esses donos dos direitos do brasileiro...me chamou a atenção e realmente é verdade,se neste mometo esta passando campeonato italiano,e ingles 2 jogos de cada torneio,acho que o frances tbm está sendo transmitido pelo sportv.enquanto pra ver o br,que tem jogo as 11 da manhã vc tem que assinar aquela bosta do pfc. narrador mais frio que uma geladeira,jogo parece ser com portão fechado,pq só tem torcida atras do gol... time ruim,gramado horrivel alguns tem a tonalidade de pasto,O maracanã,um estadio novo,que não tem nem a dignidade de prezar pelo momento maor de uma partida,o gol!! todos os gols são feios com aquela trave com aquela rede medonha,ridicula,de várzea...os clubes querem ficar parados no tempo pela tradição,esse é um exemplo,pois os clubes quiseram o vel de noiva,vel esse que parece ser o dos anos 60....
enfim,ontem eu assisti,o jogo da juventus,a entrada em campo,a torcida cantando hino mosaico,estadio maravilhoso...em termos de qualidade,não tem comparação.
O torcedor movido a paixão,não esta se renovando,nosso st mostra isso de certa forma,pois o clube apela achando que a a paixão seria o suficiente para que o torcedor comprasse a ideia.Monta um bom time,construa um estadio pra ver o tamanho das adesões..é a qualidade!
O nosso futebol é tao ruim. Nivelado por baixo.EEstádios vazios. Baixo nivel tecnico. Jogadores ruins que se acham estrelas. Nossa federacao maior corrupta. Nossa torcida é baderneira e violenta. Ingressos caros. Jogos manipulados e juizes bandidos. Estamos cada dia pior. Bem vindo ao pais campeao do mundo em corrupcao e que a impresa trata com país do futebol kkkkkkkkkkkkkkk.me deem motivos pra assistir esse espetaculo do circo dos horrores.
Quem e Barcelona, Real, nao sei quem
e ....Sou Flamengo ate a eternidade ...
Coisa mais tosca é ter que assinar aquela bosta de PFC