
Fonte: O Globo
A competição recém-iniciada torna precipitado transformar o retrato do momento em um decreto de que os clubes do Rio de Janeiro estão condenados a jogar mal por todo o Campeonato Brasileiro. Mas o início não é animador. Por trás do desempenho ruim, Flamengo, Vasco e Fluminense vivem cenários distintos, razões diferentes para a crise de resultados. Juntos, protagonizam uma largada decepcionante na competição. Nas duas primeiras rodadas, os cariocas disputaram seis jogos e só venceram um. Conquistaram apenas 33% dos pontos disputados. Na era dos pontos corridos, nunca um Brasileiro que terminou em título para um representante do Rio começou com indicadores tão ruins.
O aproveitamento carioca nas duas primeiras rodadas só supera o de 2004, quando Flamengo, Vasco, Botafogo e Fluminense só ganharam 20% dos pontos. Na ocasião, os quatro grandes estavam na primeira divisão. Em 2015, o Botafogo está na Série B. Nas três conquistas do estado nos pontos corridos, a largada foi melhor. Em 2009, ano em que o Flamengo foi campeão, o início ao menos foi bem próximo do atual: 39% de aproveitamento. Em 2010, ano de título do Fluminense, o Rio ganhou 42% dos pontos nas duas rodadas iniciais. Já em 2012, ano de novo título tricolor, os cariocas ganharam 75%. Mais do que o dobro de 2015.
Embora as dificuldades tenham origem nas finanças, as conjunturas e perspectivas variam em cada clube. O Flamengo, que até dezembro de 2013 liderava o ranking nacional do endividamento, vive desde 2013 uma reestruturação e reduziu sua dívida. Agora, dirigentes celebram o fato de terem “segurado as despesas” nos primeiros meses de 2015, o que permite a chance de ir ao mercado. A possibilidade da chegada de reforços de peso é real. A frase “vem coisa boa aí” passou a ser ouvida com frequência. Seria a chance da virada. Até agora, o time ganhou só um ponto no Brasileiro.
EURICO VÊ TIME PARA GANHAR
Segundo levantamento do consultor de marketing Amir Somoggi, o Flamengo teve, em 2014, a sétima maior despesa com futebol no país. Gastou R$ 170 milhões, contra R$ 238 milhões do Corinthians, líder do ranking. Hoje, o clube paulista tem dívidas com atletas e deve perder alguns deles.
Para Rodrigo Caetano, diretor executivo do Flamengo, a avaliação sobre a arrancada carioca é prematura. Ele lembra que este Brasileiro tende a ser ainda mais equilibrado por causa do cenário de recessão no país.
— Todo mundo está cravando uma situação com duas rodadas. O futebol está parelho. Veja o número de transferências. Quem está contratando? O Palmeiras teve um capital próprio no início do ano e, agora, faz só ajustes. O movimento não é de contratações, é inverso — diz o dirigente. — O Flamengo pensa em lutar na parte de cima. Mas nunca dissemos que não precisamos melhorar.
A ida ao mercado, no Vasco, é tratada de maneira bem mais cautelosa. Após subir para a Série A sem ser convincente no ano passado, o clube refez boa parte do elenco sem grandes pirotecnias. No entanto, o discurso segue rumo inverso. O presidente Eurico Miranda reage ao ouvir falar do início difícil dos cariocas.
— A minha avaliação é a seguinte: o Vasco entra para ganhar o campeonato. O Vasco tem time para isso, está se preparando para ganhar. Se tiver que colocar mais um ou menos um jogador, vamos ver. As dificuldades são muitas, mas não podem se refletir em campo — afirmou.
Dagoberto parece pensar de forma diferente.
— A nossa realidade não é de título — disse ele, após o 0 a 0 com o Figueirense, o segundo empate sem gols do time no campeonato.
O estudo de Somoggi indica que o Vasco jogou a Série B com um custo de R$ 77,5 milhões no futebol em 2014. Foi o 12º na lista de gastos no país. Para 2015, não há promessa de ampliar investimentos. O clube reduziu seu teto salarial, o que o fez, recentemente, desistir de contratar o meia Fellype Gabriel.
No Fluminense, uma nova realidade chegou com a saída da antiga patrocinadora, responsável por contratações de impacto nos últimos anos. O clube avalia que, no último Brasileiro, em que tentou, sem sucesso, uma vaga na Libertadores, a folha salarial já era inferior à dos cinco clubes que ficaram a sua frente, mesmo com o aporte da Unimed. E que, neste ano, houve redução superior a 30%. Após ser goleado pelo Atlético-MG, o técnico Ricardo Drubscky admitiu que o Fluminense está “num nível de competição inferior” ao do rival. Na estreia, o time batera o Joinville, na única vitória carioca até aqui.
Analistas consideram difícil quantificar a redução de investimentos no clube. Afinal, o balanço indica que o futebol tricolor custou R$ 81 milhões em 2014. Oficialmente, o número faria do Fluminense a 11ª maior despesa. Mas a antiga patrocinadora pagava diretamente aos jogadores por contratos de imagem.
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Nesses anos os times paulistas, o time gaúcho Grêmio, o Mineiro Atlético-MG, e os do RJ Vasco e Fluminense estão todos endividados em crise com riscos de rebaixamento de muitos desses times nos próximos anos, ainda bem que o Flamengo tem uma ótima diretoria, comete apenas alguns erros nas contratações como do Almir em vez do artilheiro Rodrigo Pinho que joga melhor que o Alecssandro de centroavante!