
Fonte: Magia Rubro Negra
Almir é um jogador de 33 anos. Depois de não ter dado certo no Botafogo, clube que o revelou, virou um peregrino do futebol. Dizem que foi razoavelmente bem na Coreia, vai saber, mal se sabe o que acontece aqui ao lado na Colômbia, que dirá na Coreia. Da parte que se pode conhecer, dá para descobrir que os últimos anos de Almir tinham certa regularidade. Ele fazia um estadual meia-boca no Bangu e dali descolava uma contratação para continuar em atividade no segundo semestre.
E essa, invariavelmente, fracassava.
Almir foi reserva no Figueirense. Almir foi reserva no América-RN. Aliás, no time potiguar, Almir foi dispensado antes do fim da temporada, por insuficiência técnica. Quando o ano recomeçava, lá estava Almir de novo no alvi-rubro da Zona Oeste, o Bangu que é o simbolo da falência do Campeonato Carioca, porque incapaz de retornar a Série A regional, se valeu do fato do seu torcedor mais ilustre ocupar a presidência da FERJ para patrocinar o inchaço do campeonato. No Bangu cambalacheiro do Rubinho, Almir tem vaga cativa e de vez em quando até mete uns golzinhos em defesas mais desatentas, entendedores entenderão.
O Flamengo, perdoem-me a lembrança, foi malíssimo nesse Carioca, tão desprezado, tão malquisto, mas que de resto deveria servir ao menos para dar alguma consistência à guisa de pré-temporada. A coisa até que fluiu com Barras Mansas, mas no frigir dos ovos, só nos restou mesmo uma vitória sobre um Fluminense fragilizado pela expulsão precoce de seu melhor jogador e sobre o Vasco debaixo de um aguaceiro.
Tivéssemos tido o necessário juízo, ali mesmo, depois da eliminação dolorosa para um time que não nos vencia há anos, teríamos, todos, colocado a boca no trombone e exigido mais dignidade para o Brasileiro, afinal havia tempo para se preparar, para se reforçar e, sobretudo, para fazer diferente. Mas, como um mantra, porque temos Jonas, Cirino, Bressan e Pará, encasquetamos que esse Flamengo era muito melhor do que aquele Flamengo que ano passado terminou em 10, mas que também poderia ter terminado bem mais atrás, pois aquele Flamengo, agora nos esquecemos todos, lutou ferozmente contra um rebaixamento que em algum momento parecia até inexorável. Portanto, aquele Flamengo que nos entregava pouco e precisava melhorar muito, não podia servir de base ou referência para muita coisa.
Mas não fizemos nada disso, ficamos inertes e silentes, o Flamengo foi para um resort em SP, nós ficamos só rindo do fato do maldito Carioca estar sendo tão comemorado por um time que a gente se diverte com a desgraça de ter sido rebaixado no ano em que nós mesmos só escapamos porque salvou-nos a trapalhada da pobre Portuguesa.
E enquanto o Flamengo ia para o spa, a gente nem se dava conta de que esse time talvez não bastasse para nos por a salvo das humilhações rotineiras das duas últimas temporadas. Esse nosso silêncio cúmplice, de que tudo pode quando feito por gente que age de boa-fé e tem vontade de acertar, foi a brecha para que ele, Almir, fosse a única e miserável novidade que tínhamos para o campeonato brasileiro, já que a outra, o lateral colombiano, se apresentara com pubalgia e voara de Milão direto para o nosso Departamento Médico.
Almir não é uma contratação qualquer. Em tempos idos, um jogador com o seu histórico de fracassos e já veterano, só entraria na Gávea pagando ingresso para assistir a um treino, porque dirigentes e treinadores temeriam a reação da torcida à despautério desse quilate. Mas nesse Flamengo de hoje, anestesiado, anódino, passivo e tolerante, onde ter sido dispensado do Asa de Arapiraca (porque há o Thallyson, não nos esqueçamos) ou do América-RN não significa nada, Almir não apenas pode entrar como pode, acredite, virar titular.
Sim, naquela posição icônica e mítica, que já foi de Zizinho, que já foi de Dida, que já foi de Petkovic e, nem preciso lembrar, já foi de Deus também por longos e maravilhosos anos, Almir mal chegou e já foi logo escalado ali, de titular, como se isso não fosse um deboche com a alma rubro-negra. Pior, mal se ouviram vozes dispostas a criticar tamanha desfaçatez – as poucas que se dispuseram foram logo abafadas por essa ruidosa militância fanática, que tudo aceita de bom grado.
Agora estamos todos enlouquecidos, querendo a cabeça do treinador, exigindo reforços milagreiros, reclamando da gestão e até com saudades de figuras nefastas. A tragédia da Ressacada foi, finalmente, o choque de realidade de que todos precisavam para verem que ou a atitude muda, ou 2015 será igual a 2014, 2013 e 2012, ou seja, uma disputa permanente na parte de baixo da tabela.
Não tenho a menor ideia do que pode dar certo, mas tenho convicção do que pode dar errado: Almir!
Ano passado, o Flamengo só decolou quando se livrou dos trastes que poluíam o elenco. Não creio que Almir seja uma influência nociva ou uma liderança perniciosa, deve ser apenas um jovem senhor esforçado, à espera do seu retorno triunfal ao Bangu. E, justiça seja feita, suas atuações nem foram tão desastrosas, houve outras ainda piores.
Mas ele é o símbolo do nosso fracasso, o símbolo de um Flamengo que mesmo tendo Conselho Gestor, VP de Futebol, Diretor Executivo de Futebol, Gerente de Futebol, Departamento de Análise de Desempenho e um Super Treinador, permite que Almir seja o reforço da nossa meia-cancha.
E símbolos importam, como importam! Mandar Almir embora, além de ser a garantia de que ele não nos assombrará com suas atuações como meia-armador, será, sobretudo, a confissão pública de que todos erraram e estão dispostos a reconhecer seus erros. A demissão de Almir é um pedido de desculpas, um auto-crítica pública. Além disso, ficará a mensagem clara de que contratações para o Flamengo, sejam elas quais forem, estarão sujeitas a um controle mínimo de qualidade.
#ForaAlmir. Que venham outras campanhas, outros pedidos, outros protestos. Todos justos e adequados, todos merecedores do meu apoio. Mas como todos hão de lembrar-se de coisas mais urgentes, mais importantes e mais decisivas, eu prefiro ser singelo. #ForaAlmir. Símbolos importam. Livremo-nos logo do símbolo maior de um Flamengo que pensa que, por estarmos contentes com o zelo com a tesouraria, viramos, todos, otários. #ForaAlmir.
Plata e companheiros teriam sido ameaçados antes de México x Equador Acabou o sonho do…
Everton Cebolinha já pode assinar pré-contrato com outro clube Nas redes sociais, cresceu a especulação…
Felipe Melo deu uma entrada criminosa em Vini Jr no Palmeiras x Flamengo de 2018…
Bruno Henrique levou cartão amarelo contra o Santos no Brasileirão de 2023 A defesa de…
Júnior Baiano quer o bi mundial do Flamengo Marcado na história do Palmeiras pelo título…
Além de três amistosos em Portugal, Flamengo enfrentará o Olimpia (PAR) O Flamengo acertou mais…
Ver comentários
Outro dia tinha um colunista chamando o Almir de "subcontratação..." Nunca me referiria assim nem ao pior jogador do mundo, até por um pouco de respeito, e nem o Almir é um jogador perebaço...
É sim, um jogador não mais que razoável em fim de carreira. Se viesse, era pra entrar nos jogos muito de vez em quando - Isso em um elenco mais diversificado, seria o segundo reserva na posição. ISSO é sim, compor elenco.
Mas como o futebol no Flamengo, e isso bem antes dessa chapa, parece que não obedece a uma certa lógica, não só tem jogado bastante como, tirando ontem, têm sido titular. Isso sim, é questionável, e muito. Ou seja, estamos cometendo o mesmíssimo erro como está sendo com o Márcio Araújo. Falavam exatamente o mesmo no ano passado. E agora ele está aí, se posicionando e errando passes como sempre...
O texto eh até bem escrito... mas peca na soberba! Amigos rubro negros, não existe mais Zico, Dida, pet e esses outros jogadores lendários... vamos parar de viver de passado... a realidade eh essa! O mengo estava quebrado, falido, na sarjeta! Não há $$$! Simples assim... temos q torcer para permanecer na primeira sem sustos... fazer uma boa figura da copa fo Brasil e projetar o próximo ano... eh triste? Sim... mas eh o que tem pra hj...
É covardia pegar um jogador pra bode expiatório. O cara nem entrou em campo ontem, e o time foi pior do que quando estava com ele. Não é assim que se faz críticas construtivas.