
Fonte: Blog do Mansur
Faz pelo menos duas décadas que falar no futebol peruano é como redigir a crônica de uma crise técnica, financeira e de segurança que assola um futebol que já encantou. E foi em meio a este cenário que um ídolo se formou. Ou mais do que isso.
— No Peru, cultivamos a cultura do fracasso. Guerrero é a imagem do êxito — diz o ex-jogador Oblitas, integrante da última grande geração peruana, no fim dos anos 70 e início dos 80, hoje dirigente da federação.
Guerrero é uma espécie de depositário solitário das esperanças e das referências positivas dos peruanos quando o tema é futebol. Uma imagem forjada por uma conjunção de fatores em que o sucesso em clubes de ponta da Europa se destaca. No entanto, ter escapado ileso da vasta lista de escândalos recentes de indisciplina de jogadores peruanos fortalece o novo atacante do Flamengo. Aos olhos da torcida local, há enorme descompromisso com a seleção. Guerrero é tido como exemplo oposto.
Uma noitada que incluiu o hoje titular Farfán no Panamá, em 2010, uma festa do zagueiro Zambrano, que se recuperava de lesão, e até a detenção de um jogador na Costa Rica foram escândalos que não incluíram Guerrero. Longe de ser um recluso, longe de ser avesso a diversões ou incursões noturnas, ganhou crédito por não protagonizar escândalos como os de colegas. Antes da Copa América, ele e Farfán estiveram até tarde na festa da mãe de Guerrero. O princípio de polêmica foi abafado.
— O Peru tem muitas etnias. Guerrero se identifica com o peruano médio emergente e triunfador — avalia Oblitas.
Garantia de audiência, Guerrero mobiliza o país quando começa a namorar uma modelo brasileira, quando se separa, quando é visto com uma namorada peruana. No Peru, qualquer notícia sobre ele vende. E bem. A transferência para o Flamengo não fugiu à regra.
— Tem mais audiência do que as novelas brasileiras — emenda Sandro Centurión, do jornal “La Noticia”, do Peru.
Tanto é verdade que se tornou o maior anunciante do Peru. Algo que faz com sabedoria para trabalhar a imagem. Enquanto é bem pago para vender de material esportivo a biscoito, passando pela campanha publicitária da estatal peruana de petróleo, Guerrero faz campanhas sociais: recentemente, gravou um comercial contra a discriminação e outro em favor da Unicef. Tornou-se próximo do povo peruano sem ter feito uma só partida como profissional por um clube do país. Tinha 18 anos quando foi para o Bayern de Munique.
É o futebol peruano que dá certo. Porque ao redor dele, o país que enfrenta o Brasil na estreia da Copa América vive o caos. Com quase 90% dos times de primeira divisão sem equipes de base, a renovação praticamente inexiste. Enfrenta a seleção de Dunga um Peru com alguns jovens, mas que convivem com uma base que está no quarto ciclo de Copa do Mundo: Guerrero, Farfán, Lobatón e dois dos três goleiros já atuavam antes do Mundial de 2006.
— As pessoas acharam que o talento iria brotar naturalmente sempre. Ninguém investiu, trabalhou para formar. Minha geração foi ficando na seleção e pagamos o preço até hoje. Só agora estão tentando transformar o torneio de reservas que existe no país num campeonato sub-20, mais adiante criar um sub-18, sub-17 — avalia Oblitas.
A crise técnica se espelha em resultados. A última Copa do Mundo foi em 1982. Nas últimas três eliminatórias, o Peru foi sétimo em 2014, último em 2010 e penúltimo em 2006. Das últimas seis Libertadores, em quatro nenhum time passou da fase de grupos.
— Os clubes peruanos foram usados para enriquecimento pessoal e trampolim político — analisou o sociólogo do esporte Aldo Panfichi, em entrevista ao jornal “El Comercio”.
De fato, Guillermo Alarcón, ex-presidente do Alianza, foi preso por enriquecimento ilícito. As dívidas dos dois principais clubes do país, o Alianza e o Universitario, somam, juntas, mais de R$ 350 milhões. Em média, cada clube deve mais de dez vezes sua receita anual.
Para piorar, a violência de torcidas saiu de controle. O Alianza, por exemplo, vem de duas punições recentes que somam seis meses de jogos com portões fechados.
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Agora o marketing do Flamengo tem que saber trabalhar em cima disso porque é bem capaz dele próprio se pagar, seja através de camisas, comerciais ou participações em campanhas do ST.
Bela jogada do nosso departamento de futebol, trouxeram um ótimo jogador, vamos pagar apenas o salário e com certeza vai melhorar nosso ataque.
Esse cara é um atacante de nível internacional, realmente uma grande contratação.
Nao vejo isso tudo no Guerrero... Acho um bom atacante e um otimo matador... Mas se a bola nao chegar filho, nao é nenhum fora de serie pra resolver sozinho. Contra o Brasil a bola nao chegou e ele nao apareceu...
Estou mais confiante com o sheik, mas fico na torcida que tudo dê certo!
Aguardemos...SRN