Não tem meio-termo para o Flamengo

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Fonte: Deixou Chegar

Inspirador do meio para frente, aterrador do meio para trás, o Flamengo encerra o 1º turno do Brasileirão ainda à procura de identidade. O trabalho até a terceira rodada, na derrota para o Avaí, vinha num ritmo preguiçoso e mais falado que jogado.

Fim da linha para Vanderlei Luxemburgo, que insistia no “momento melhor”, sempre “mais para frente” (e que nunca chegou), e que, ao ser demitido, deixou para trás o elenco que montou, o Flamengo perto da zona de rebaixamento e 16 rodadas para a reorganização completa do ano.

Cristóvão Borges tomou para si a missão de mudar o que os doutos chamam de “estrutura tática” da equipe herdada de Luxemburgo. As chegadas de Sheik, Guerrero, Allan Patrick, Ayrton, César Martins, Kayke, e Ederson, o bendito camisa 10 que povoa os sonhos de 11 em 10 rubro-negros, em parcelas, a partir da décima rodada, ajudaram Cristóvão a desenhar um time que preza a posse e a troca de passes quase que obsessiva.

Enquanto não consolida esse modelo, e enquanto não encontra melhor posicionamento para a zaga, Cristóvão e o Flamengo caminham sem meio-termo, sem fazer uma partida inteira com controle, intensidade e solidez defensiva. Ou dá tudo certo ou dá tudo errado.

Por exemplo: deu certo na vitória contra o Atlético Paranaense, mas deu errado contra a Ponte Preta. Deu certo no primeiro tempo contra o Santos, em casa, mas terminou dando errado no segundo tempo da mesma partida. Contra o Palmeiras, para citar o caso mais recente, deu certo no primeiro tempo e nos 15 primeiros minutos do segundo. Mesmo perdendo, mais uma vez com gols de bolas alçadas na área, Flamengo teve a posse (no 2T chegou a 75%) e finalizava à vontade (21 vezes no jogo todo). Duas falhas individuais na defesa comprometeram, mais uma vez, o embalo que o time nunca pega. Ou tudo certo ou tudo errado, portanto.

O Flamengo imaginado por Cristóvão, pelo menos no primeiro turno, perde como time da zona de rebaixamento (10 derrotas), ganha, sobretudo fora de casa, como time digno de G-4 e quase não empata – apenas duas vezes.

No ritmo destrambelhado do Campeonato Brasileiro, o Flamengo ou mata ou morre.

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