
Não há milagre em futebol. Não há troca de técnico que, num passe de mágica, faça cessar a rotina dos gols em jogadas aéreas. Ou que, mantido o 4-2-3-1 da moda, impeça da noite para o dia o isolamento de Guerrero em longas passagens do jogo. Assim como é impossível saber que fisionomia terá o Flamengo de Oswaldo de Oliveira. A rigor, seu trabalho sequer começou.
Foram dois times de estilos distintos na vitória sobre o São Paulo. O do primeiro tempo tentava conservar a bola e propor jogo, numa ideia semelhante à do Flamengo de Cristóvão Borges. Não há como fugir: tempo é tudo no futebol. Havia jogadores em funções diferentes das que vinham executando com o antigo treinador. Alan Patrick não era mais o segundo volante, mas o meia centralizado por trás de Guerrero. Emerson passara para o lado esquerdo. Natural que o time criasse menos do que outras partidas. Embora já fosse melhor num jogo que dominou amplamente o tempo todo.
A melhor notícia era a maior segurança na perda da bola até sofrer o gol de cabeça. Das providências inciais de Oswaldo, a melhor delas foi restringir a porção de campo coberta por Emerson na hora de defender. Sacrifiou menos o físico de um atacante que, embora exiba fôlego acima de média, tem 36 anos. Melhor não lutar contra a lei natural da vida.
O Flamengo do segundo tempo parecia uma viagem no tempo. Resolveu o jogo com a arma que o caracterizou nas últimas temporadas: a roubada de bola seguida da estocada vertical, veloz. Talvez seja a vocação, a especialidade deste elenco. Não pode ser o único recurso. Cristóvão tentava migrar para um jogo com mais controle e vivia a transição, entre acertos, erros e mudanças no elenco. Se chegaria a bom termo, não se sabe.
O fato é que, com espaço para correr, jogadores como Éverton e Emerson são eficientes. E Oswaldo entendeu que, contra um São Paulo de defesa tão adiantada quanto desorganizada, era o caminho ideal. Acertou. Perdido em campo, o time paulista se fartou de perder bolas e oferecer o contragolpe aos rubro-negros.
Impossível decretar, agora, que esta será a nova cara do Flamengo. Que Oswaldo irá apostar na velocidade, na solução rápida das jogadas. Por duas razões.
Primeiro, pela peculiaridade que envolvem jogos com o São Paulo neste momento. É um time mutilado por uma gestão indefensável, comandado por um treinador que assume os enormes riscos de se manter fiel a sua filosofia num ambiente quase ingovernável.
Segundo, porque não houve tempo para Oswaldo impor qualquer filosofia. Precisará do tempo, sempre ele. Por enquanto, faz o que está ao alcance dele e de boa parte dos treinadores deste país: tratar de ganhar o próximo jogo. O único projeto que parece contar por aqui.
Fonte: Carlos Eduardo Mansur
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