
O esporte praticado, na quarta-feira passada, no Maracanã, não foi exatamente futebol. Em situações deploráveis no Brasileiro, Vasco e Flamengo sabem que a Copa do Brasil é a única chance que têm de conquistar algo relevante no ano. E para continuar sonhando com isso resolveram apelar para algo que lhes é mais familiar do que a bola: pontapés, cotoveladas, carrinhos e empurrões.
O jogo foi um show de horrores. E até os poucos jogadores que estavam em campo e sabem jogar acabaram preferindo entrar no show de selvageria que imperou no gramado. Guerrero apanhou mais que boi ladrão — e, na única vez que teve uma real oportunidade para marcar, perdeu. Emerson, que também levou muitas bordoadas, resolveu responder na mesma moeda e poderia ter sido expulso, se o juiz, que distribuiu um zilhão de cartões mas não conseguiu evitar a barbárie, fosse um pouco melhor. A coisa foi tão sinistra que o normalmente carniceiro Guiñazú teve até atuação discreta. Foi dos que menos bateram!
Ah, sim, apesar da pancadaria, o Vasco mereceu a vitória — por pontos, após 90 rounds de um minuto cada (a bola não rolava mais do que isso sem faltas) ruins de chorar.
Histórico preocupante
Se conseguir levar o Vasco à final na Copa do Brasil, Jorginho viverá pela terceira vez na carreira uma situação insólita: estará disputando um título importante ao mesmo tempo em que luta contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Aconteceu no Goiás (2010) e na Ponte Preta (2013), ambos foram finalistas na Sul-Americana, perdendo a decisão. E caíram no Brasileiro (no Goiás, Jorginho foi demitido antes da queda e da final da Sul-Americana).
De qualquer forma, é justo dizer que agora, no Vasco, Jorginho está tentando reviver um time que parecia morto, sob os comandos de Doriva e Celso Roth. Ao menos no primeiro ato foi bem-sucedido, apesar dos métodos exageradamente violentos.
Cegueira e teimosia
Cristóvão nem deveria ter sido contratado; o “pai da criança”, aliás, deveria estar saindo juntamente com ele, agora. Sua escolha e o tempo que a diretoria demorou para reconhecer o tremendo equívoco foram desastrosos. No Brasileiro, tudo que o Flamengo pode aspirar é a fuga da zona do rebaixamento (no momento a distância é de apenas quatro pontos). E na Copa do Brasil está a um empate da eliminação. Que desastre, hein? Com as contratações de Guerrero, Emerson, Alan Patrick e Ederson, as coisas poderiam estar bem melhores se o técnico estivesse à altura do clube.
Velho sonho
Oswaldo de Oliveira já poderia ter sido contratado bem antes, se a diretoria rubro-negra não tivesse se precipitado. Quando da demissão de Vanderlei, ele já balançava no Palmeiras, assim como Marcelo Oliveira, no Cruzeiro. Se era um sonho antigo, como se diz agora, bastava ter esperado um pouco, deixando Jaime de Almeida interinamente alguns jogos. O problema é que os “azuis” são, realmente, muito fracos quando o assunto é futebol. E Rodrigo Caetano, que não é neófito, foi um dos que defenderam a escolha desastrosa. Caetano, aliás, sai bastante chamuscado de toda essa triste novela.
Não custa registrar: Oswaldo será o oitavo treinador da gestão Bandeira de Mello — Dorival Jr., Jorginho, Mano Menezes, Jayme de Almeida, Ney Franco, Vanderlei, Cristóvão e agora Oswaldo. Está mais do que provado que a turma não é do ramo. Até porque a lista de executivos e vices de futebol também é extensa. Está na hora de deixar a arrogância de lado, ouvir os experientes e aprender.
Perdas e danos
A sofrida vitória do Fluminense sobre o Paysandu (2 a 1) não encheu os olhos da torcida tricolor, preocupada com as contusões de Fred, Ronaldinho Gaúcho e Wellinton Silva. O trio fará falta no Brasileiro e na Copa do Brasil, onde a vaga ainda não está garantida, com o segundo jogo na Curuzu.
A grande chance
Se essa quebra de sigilo bancário de dirigentes da CBF e empresários ligados a eles for extensa e séria, o futebol brasileiro vai tremer e, finalmente, teremos a oportunidade de recomeçar pra valer.
Fonte: Renato Maurício Prado
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