
Futebol é um assunto sobre o qual 90% dos brasileiros gostam de falar e, após o advento dos blogs, muitos de nós passamos a escrever. Mas vamos combinar: quase tudo o que se ouve ou lê é mais do mesmo, e é isso o que procuramos evitar aqui no RP&A.
É também por isso que gosto de conversar sobre futebol com meu filho. Lucas – esse é o nome do pai de meu neto e minha neta – tem, entre outras, ideias originais sobre o pênalti, a forjada rivalidade entre o Flamengo e demais clubes cariocas, e a estranha mania brasileira de trocar treinadores a torto e a direito. A respeito do pênalti e da falsa rivalidade, falemos em momentos mais apropriados. A hora é dos técnicos. Depois que apoiei Cristóvão, desisti dele e, justo quando voltei a lhe dar crédito, o cara caiu, não dava para passar batido pelo tema.
A teoria de Lucas não se aplica exatamente ao que vinha acontecendo no Flamengo, mas pode ser um princípio de explicação para a nossa obsessão em contratar e demitir treinadores, e para entender o porquê das diferenças entre o que ocorre aqui e na Europa. Para ele, nossa falta de paciência com os técnicos se deve, mais até do que à arrogância e ao despreparo da classe, à desgraça maior que pode se abater sobre um grande clube brasileiro: o rebaixamento. Há vários outros motivos, claro. Porém, o pavor de cair para a segundona aguçou uma tendência que já tínhamos, colaborando decisivamente para transformá-la em compulsão.
Ninguém precisa concordar, mas faz sentido. Não nos seria conveniente manter a atitude contemplativa dos europeus, simplesmente porque corremos riscos que eles desconhecem, devido ao profundo abismo que, lá, separa os clubes grandes dos pequenos. Tomemos o Milan como exemplo. Se em determinada temporada o clube milanês erra tudo e faz uma campanha desastrosa, o máximo que acontece é chegar em nono ou décimo lugar. Aqui o bicho pega e o buraco é mais embaixo.
Se olharmos o Campeonato Brasileiro a partir da adoção do sistema de pontos corridos, veremos que em doze edições tivemos sete rebaixamentos de grandes clubes – dois do Vasco e mais os do Grêmio, Atlético Mineiro, Corinthians, Palmeiras e Botafogo –, sem contar a tapetada do Fluminense e a patetada da Portuguesa em 2013. Peguem as doze últimas edições dos campeonatos da Alemanha, Espanha, Inglaterra e Itália. Creio que o único caso de ida à segunda divisão foi o do Juventus, na temporada 2005/2006, mas não pelo desempenho em campo e sim por questões paralelas.
Ou seja: se um grande clube não vai bem numa das ligas europeias, perde-se a vaga na Champions League do ano seguinte e vida que segue. Mas se um grande clube entra em queda livre no Brasileirão, a chance de escapar do inferno talvez esteja mesmo na aposta em um técnico novo, que com meia dúzia de berros faça o time obter a necessária meia dúzia de pontos para se manter na primeira divisão.
Sinceramente? Vale a pena.
Construir um futuro como o que o Flamengo vem batalhando para ter é outra coisa e exige postura diferente, mas cair para a série B é a morte. Alto lá, Murtinho: o que então nós temos com isso, se agora nosso time não é fraco o suficiente para considerar o rebaixamento uma possibilidade? Procede. O que acontece, aí, é que entramos na roda-viva do contrata-e-demite, demite-e-contrata devido ao que já está estabelecido. É o temor do rebaixamento alimentando a cultura da troca de treinadores, e fazendo com que ela passe a valer em qualquer instância – como, no atual campeonato, valeu para o técnico bicampeão, e como já acontecera com o tricampeão Muricy em 2009.
As idas e vindas de minhas opiniões deixaram claro que eu não morria de amores por Cristóvão. Só que também não morro de amores por nenhum outro treinador brasileiro, tinha dúvida quanto aos benefícios de substituí-lo e acho uma bobagem sem tamanho entrarmos na pilha de Eurico Miranda. Criancice.
Falou-se muito da ausência de títulos no currículo de Cristóvão, o que é fato. Só que, nos últimos dez anos, as únicas conquistas de Oswaldo de Oliveira foram o Campeonato Carioca de 2013 (na boa, gente, isso conta?) e aqueles que levantou no Japão, terra em que Alcindo é ídolo. Mas, se está feito, bola pra frente. Oswaldo acertou na escalação de Everton na lateral-esquerda (Jorge e Armero desfalcarão o time simultaneamente, e aposto que ninguém quer a volta de Anderson Pico, que escorrega, leva drible e cutuca a grama com o bico da chuteira enquanto o adversário estufa nossas redes); manteve Ederson e Alan Patrick juntos; ao recuar Everton para a lateral, permitiu a Emerson jogar pelo lado esquerdo do ataque, onde rende mais. Três bolas dentro.
Nosso problema maior, no entanto, só se resolve com uma sequência de bons resultados: o time está tenso demais, nervoso demais, inseguro demais. É preciso manter o equilíbrio nos momentos difíceis das partidas e fechar a tampa dos adversários quando as chances se apresentam – ontem era jogo para ganhar por dois ou três gols de diferença.
De todo modo, o São Paulo habitualmente nos impõe dificuldades, e estrear vencendo é sempre bom. Gostemos ou não – eu confesso que não tenho nada contra nem a favor – Oswaldo de Oliveira é agora o nosso técnico, é torcedor do Flamengo, o time está mais forte e mais ajustado do que no início do campeonato, as perspectivas são boas. Portanto, todo o apoio a Oswaldo de Oliveira.
Pelo menos até o próximo fim de semana.
Fonte: República Paz e Amor
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Até o próximo fim de semana não, até o fim do ano. Foi o que garantiu a Diretoria e eu acredito, primeiro porque não vamos mais cair e segundo porque já da até pra enxergar mais perto o G-4 porque não? São só 7 pontos e mesmo os outros ganhando se a gente encostar bota pressão ai eles tremem, quem sabe. E de preferencia para fazer um trabalho de médio e longo prazo porque não? Enganador ele não é, de time pequeno também não, então tirando essa nova geração que esta vindo como aposta os "velhos" da sua geração já estão "encostando", era o mais acessível que tinha no mercado, e destemido também pra enfrentar o desafio, e tem mídia e know how a altura de um Clube como Flamengo. Então que seja bem vindo e muito boa sorte porque sem ela também velinho... Nem um chicabom .