
Se o ano de 2015 é capaz de produzir páginas bonitas para a memória do torcedor vascaíno, certamente elas foram escritas nos clássicos. E o confronto com o Flamengo, na Copa do Brasil transformou um time mergulhado na agonia do Campeonato Brasileiro. Não havia mágica que fizesse surgir exibições de técnica. Mas sobrou alma. Em 180 minutos, o time nunca foi engolido por um rival que, em tese, deveria ter supremacia técnica. Nesta quarta-feira, o 1 a 1 levou o time às quartas-de-final, cujo adversário sairá de um sorteio na segunda-feira. O herói da classificação foi Rafael Silva, ao marcar de cabeça aos 36 do segundo tempo.
Talvez não seja possível jogar semana após semana com tamanha intensidade e mobilização. Mas o Vasco que nesta quarta-feira sobreviveu na Copa do Brasil pode inspirar o clube a renascer.
O primeiro tempo não apresentou propriamente um duelo de virtudes técnicas. Pareceu mais uma briga incessante pela bola. Uma vez conquistada, iniciava-se uma corrida rumo ao gol. Até uma nova dividida. Não houve pausa, controle do jogo, cadência. Era uma rotina quase lotérica. Na base do fôlego e da força decidia-se quem levava a bola à frente. De bom, a dramaticidade.
Na louca rotina dos treinadores, Oswaldo de Oliveira optou pelo que lhe pareceu mais prático. Tentou restaurar uma antiga vocação deste Flamengo: criar as condições para o jogo de velocidade. Menos elaboração e soluções mais rápidas. Mudou para o 4-1-4-1 e apostou em Éverton como meia interior, certo de que sua velocidade o levaria a suplantar Guiñazu e Serginho. Aconteceu. Nos primeiros minutos, o Flamengo produziu uma ensandecida pressão. De um chute cruzado de Jorge, surgiu o toque de Madson contra o próprio gol.
Aos poucos, o Vasco equilibrou a briga pela bola, mas não restaurou a saída de jogo. Volantes e laterais eram marcados. Como a transição através dos passes não era eficiente de lado algum, o clássico era jogado com mais obstinação do que inspiração. Mais coração do que lucidez.
Justo dizer que problemas demais afetaram o Flamengo. Aos 15 minutos, perdeu Guerrero, machucado. Ederson passou a ser o centroavante com a entrada de Paulinho. Mas Ederson também se lesionou aos 32. Entrou Cirino. Não contribuiu, também, a infantilidade de Jorge Henrique, que decidiu se atirar na área ao ter nos pés a melhor chance do Vasco na etapa inicial.
— Primeiro tem que arrumar esse juiz, que é uma merda— disse Sheik no intervalo, dando o tom de um jogo tenso.
O Vasco de Jorginho não saiu de seu 4-2-3-1 e viveu sua melhor fase no jogo nos 15 minutos iniciais do segundo tempo. Viu o Flamengo usar dois atacantes ara pressionar seus zagueiros. Num jogo de bolas longas e ligação direta, passou a ganhar os rebotes ao ter um homem sobrando no meio-campo, quase sempre Nenê. Rebotes e segunda bola, aliás, era o que mais se via num jogo de tão raras trocas de passe. Foi do Vasco a melhor chance do jogo, aos 14 minutos. Jorge fez milagre para salvar gol lcerto de Rodrigo e Paulo Victor repetiu a dose após cabeçada de Anderson Salles. Faltava ao Vasco um atacante mais inspirado do que Riascos. Primeiro entrou Thalles, depois Rafael Silva que, aos 36 fez o Flamengo reviver seu fantasma da bola aérea: falta cobrada por Nenê e gol de cabeça. O herói do Estadual era, agora, o herói da classificação. Quem sabe, de um ano que recomeça para o Vasco.
VASCO 1 X 1 FLAMENGO
Local: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (GO)
Auxiliares: Emerson Augusto de Carvalho (SP) e Guilherme Dias Camilo (MG)
Renda/Público: R$ 2.749.380,00 / 45.408 pagantes
Cartões Amarelos: Anderson Salles e Rafael Silva (VAS) / Márcio Araújo, Jorge, Emerson Sheik, Pará e Paulinho (FLA)
Cartão Vermelho: Pará (FLA)
GOLS: Madson (Contra) (05’/1ºT 0 – 1) e Rafael Silva (36’/2ºT 1 – 1)
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VASCO: Martin Silva, Madson (Jean Patrick 38’/2ºT), Anderson Salles, Rodrigo e Christianno; Serginho, Guiñazú, Julio dos Santos, Nenê e Jorge Henrique (Rafael Silva, 34’/2ºT) ; Riascos (Thalles, 26’/2ºT) – TÉCNICO: Jorginho
FLAMENGO: Paulo Victor, Pará, César Martins, Samir e Jorge; Márcio Araújo, Canteros e Ederson (Marcelo Cirino, 33’/1ºT); Everton (Jonas, 36’/2ºT), Emerson Sheik e Guerrero (Paulinho, 17’/1ºT) – TÉCNICO: Oswaldo de Oliveira
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Fonte: O Globo
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