
Das 00:20 às 03:15 de hoje me emocionei assistindo o show do Queen no Rock in Rio, pela TV. Impossível não me lembrar dos momentos marcantes do show da mesma banda, com o Freddie Mercury, em 1985, que presenciei no auge dos meus 29 anos. Agora testemunhei pela telinha 85 mil pessoas cantando e participando com enorme alegria de um evento pelo qual pagaram caro e se deslocaram muitas de longe. Aquela multidão tinha enorme expectativa por saberem ser um show raro e chegaram à tarde, ávidas pelo espetáculo que só começou depois da meia noite. Mas estavam tão felizes que ofereceram o tempo todo, de corpo e alma, o combustível indispensável aos artistas: apoio e carinho. A comparação com o jogo em Brasília foi inevitável.
Em tempos de clamor popular por impeachment, chamado de golpismo lá pelos lados da capital federal, tenho a maior satisfação de escrever no espaço do MAGIA. Aqui se preserva a liberdade de expressão, doa a quem doer. Assim, quem escreve não tem obrigação alguma de concordar com a opinião de outro colunista. Melhor para todos, em especial para quem lê, pois fica evidente a democracia plena. No jargão brasiliense, ou melhor, planaltino, aqui não se defende impeachment só para os outros, vale para todo mundo.
Exercendo esse sagrado direito, vou me permitir discordar do meu colega Walter Monteiro, em seu “Desagravo a Brasília”. Já morei em algumas capitais importantes do Brasil, além do Rio de Janeiro, onde nasci e fui criado. Não tive oportunidade de residir em Brasília. Aliás, até houve chance, mas declinei. Com base nessa experiência interestadual, respeito os rubro-negros espalhados pelo país, certamente tão apaixonados pelo Flamengo como eu e não menos integrantes da Imensa Nação. O Flamengo não distingue raça, sexo, credo, cor, religião, muito menos naturalidade., sotaque e outros detalhes regionais.
Por outro lado, sem querer ditar regras, é diferente o comportamento da torcida em praças distintas da origem rubro-negra. Isso se deve à peculiaridade do espírito carioca, à maneira de torcer no Maracanã, aos cânticos das organizadas, enfim, aos costumes de quem está com o time semana sim outra também. Torcer para o Brasiliense, convenhamos, não é a mesma coisa. Talvez por isso não se preocupem de refletir antes de jogar objetos no campo, invadir o gramado e cometerem outras infrações graves que prejudicam o time. E se limitam a vibrar com as boas jogadas e os perigos de gol, desconsiderando a necessidade de apoiar o time os 90 minutos, cantar as músicas certas, nas horas certas. O resultado disso foi uma torcida de 70 mil vozes caladas a maior parte do tempo, tudo que um time jogando mal e em desvantagem não precisa.
Quando Brasília foi fundada e os candangos passaram a escutar a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, o Flamengo já era grande e lotávamos o Maracanã há dez anos. Aliás, eu comecei a frequentar o estádio em 15/12/1963, com meu pai, e saí de lá campeão logo na minha estreia. E que espetáculo da Magnética eu tive o privilégio de assistir. A maioria dos 154 mil presentes naquele dia torcia pelo Flamengo. E ajudaram de forma fantástica a segurar o empate de 0x0 que nos deu o título num Fla x flu. Foi tão especial a torcida que ela me cativou a escolher o Flamengo ao invés do tricolor da preferência do meu pai.
Na capital mais miscigenada do Brasil, onde naquele mesmo início dos anos 60 se radicou gente vinda de todas as partes do país, formou-se um outro caldo de cultura ao longo das décadas seguintes. O Eldorado de políticos, empresários e concursados do serviço público continua a migrar pessoas para o Planalto Central até hoje. Esses torcedores se acostumaram a ver o Flamengo pela TV, como eu vi ontem o Rock in Rio. E que espécie de torcedor pagou de R$ 100,00 a R$ 200,00 na quinta-feira passada? Com esse dispêndio e deslocamento, o desconforto do estádio, a compra de um Manto novo, o lanche, o grau de exigência, enfim, a paciência seriam os mesmos? E o Paulinho nem acerta um chute igual ao da rodada anterior?
Na 26ª rodada e lutando pelo G-4, os mais otimistas até falando em título, o Flamengo na quinta-feira não foi fazer salamaleques ao todo poderoso e nefasto Eduardo “Pé Frio” Cunha, nem foi homenagear os brasilienses, não era a Caravana Rolidei do “Bye, Bye, Brasil” do Diegues. Não buscávamos um recorde de renda, nem de público, mas de vitórias. E a torcida de lá compareceu, em massa, de corpo. A alma ficou aqui no Maracanã.
Em resumo, respeito os rubro-negros de Brasília, como os dos demais estados, países e planetas. Mas os presentes ao estádio Mané Garrincha não me representaram e não tenho o menor orgulho do que fizeram. O meu sentimento é o de menos, pior foi não ajudarem ao Flamengo quando ele mais precisava na última quinta-feira.
Que tenhamos mais apoio, futebol e sorte, não necessariamente nessa ordem, em Belo Horizonte amanhã. Não serão apenas os “coxas”, será um galo inteiro. Com bico e tudo. No Horto.
MAGIA NELES!
Alexandre Fernandes
Fonte: Magia Rubro-Negra
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torcida e igual em qual quer lugar, quer colocar a culpa na torcida por uma atuação inutil, sabe o que eu acho que vcs dereria tomar no CÚ. a torcida deu show isso eu vi porque estava la, e o time não contagiou a torcida e vcs tem de para de inveja porque aqui a gente paga caro e merecemos respeiro, vou ao rio constantemente e a torcida e do mesmo jeito, no caso do carlos eduardo. vou repetir vcs tem que tomar no CÚ.
Não esquenta com o q estes b@b@c@s escrevem, eles são minoria. Sou carioca frequentador de maraca e vcs Brasilienses deram show, 67 mil a nação em sua ampla maioria está orgulhosa de vcs.
Grato Weber. Como você sou carioca, mas hoje resido em Brasília. Estive no Mané Garrincha, vi um time apático e sonolento nos primeiros minutos de jogo. E até um certo despreparo, alguns escorregões sofridos por nossos jogadores me deram a impressão que entraram com travas inapropriadas. Impressões a parte, aos 30 do segundo tempo, comentei com o torcedor ao meu lado. Irão culpar Brasília... Sei que nãos são todos,mas essa minoria é barulhenta
Qualquer um que faça distinção entre torcedores do Flamengo por causa da região está torcendo pro time errado!
No empate em 2x2 contra o Santos depois de o Flamengo fazer um otimo 1° tempo, mas deixou empatar o jogo, no Maracanã, a torcida também vaiou, então sempre que o time joga mal é vaiado, seja no Rio ou em qualquer lugar, é tudo do mesmo jeito.