Guerrero voltou, mas afinal: o caô acabou no Flamengo? Ainda não

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Antes mesmo do primeiro toque na bola como jogador do Flamengo, Paolo Guerrero alavancou os números do programa sócio-torcedor e gerou frenesi na torcida, carente de artilheiro, ídolo e jogador renomado. O atacante chegou com a simples fórmula do futebol: gol. Logo na sua estreia, 8 de julho, em Porto Alegre, diante do Internacional, Guerrero balançou a rede e deu passe para Everton sacramentar a vitória por 2 a 1.

Eufórica por natureza, a torcida fez festa instantânea. Uma semana depois, pela Copa do Brasil, o peruano foi para sua segunda partida, seu segundo gol. O time bateu o Náutico por 2 a 0 na Arena Pernambuco. Chegara a hora de debutar diante dos rubro-negros no Maracanã. Mais de 50 mil pessoas no estádio. O Grêmio como adversário. Vitória por 1 a 0. Gol dele, Guerrero. Catarse sonora, novo hit da arquibancada: “Acabou o caô, o Guerrero chegou…”. Garantiu dezenas de manchetes, inclusive aquela ali de cima. No próximo domingo, no oitavo confronto com o Vasco em 2015, às 16h, no Maracanã, é mais uma chance para pôr fim a certos caôs.

Na onda inicial de euforia, Guerrero chegou a ter média de um gol por partida; agora, no total, soma quatro em 11 participações, o que joga a média para 0,36 por jogo. No último domingo, depois de ficar fora por seis partidas seguidas devido à lesão no tornozelo direito, o atacante foi titular e atuou quase os 90 minutos na derrota por 4 a 1 para o Atlético-MG. Atuação discreta, sem brilho, natural para quem fizera sua última partida no dia 26 de agosto. Quase um mês longe dos gramados. E apenas dois treinos com bola antes do retorno.

A lesão de Guerrero diante do Vasco, pela Copa do Brasil, foi um caminhão pipa de água fria na torcida do Flamengo. Diagnóstico: o peruano desfalcaria a equipe contra Sport, Avaí, Fluminense, Cruzeiro, Chapecoense e Coritiba. Mas não teve caô.

“Guerrero banco de Kayke”

Sem Guerrero, de 18 pontos disputados, o Flamengo somou 15, com cinco vitórias e um único revés diante do Coxa. Em três jogos vitórias com três gols: 3 a 0 sobre o Avaí (Alan Patrick e dois de Kayke), 3 a 1 diante do Tricolor das Laranjeiras (Sheik, Paulinho e Kayke) e 3 a 1 na Chapecoense (Paulinho, Canteros e Kayke).

Seus problemas, os do Rubro-Negro no caso, acabaram. Uma “Guerrerodependência” logo foi descartada. O torcedor mais brincalhão sugeriu que o peruano teria que brigar pela vaga de titular com Kayke. Até que o atacante peruano voltou diante do Atlético-MG, domingo, obviamente longe do ritmo ideal. Mas os apagões e caôs vão muito além de Guerrero.

Os gols sofridos em bolas aéreas se tornaram tema recorrente nos jogos e no noticiário rubro-negro. E não se trata de exagero, basta se debruçar sobre os números contrários: foram 15 gols sofridos em bolas vindas pelo alto, com a zaga que acompanha a alternância de Samir, Cesar Martins, Marcelo e Wallace. Esse último, recuperado de estiramento, tem volta prevista para domingo diante do Vasco. Mas com o mesmo mal de Guerrero: a falta de ritmo.

Oito ou oitenta: 13 vitórias, 12 derrotas; apenas dois empates

Os números do time ilustram bem o gênero oito ou oitenta. Até a última rodada, a 27ª do Brasileiro, o Flamengo tem 50,6% de aproveitamento. É vencer ou perder, raro empatar. Foram 13 vitórias, 12 derrotas. Meros dois empates. Um reflexo do time e das emoções da torcida, nunca estáveis. Da agonia à euforia. Foi assim desde o início do campeonato. Estreia com derrota para o São Paulo, empate com Sport. Três derrotas em sequência para Avaí, Fluminense e Cruzeiro. Na sexta rodada, a primeira e sofrida vitória por 1 a 0 sobre a Chapecoense. Outra pelo mesmo placar diante do Coritiba na sequência. E nova derrota, dessa vez para o Atlético-MG.

Oswaldo de Oliveira substituiu Cristóvão Borges, o time passou a ter mais cara de um time, desenho tático mais confiável e articulado e tranquilidade para trabalhar depois de seis vitórias consecutivas, salto na tabela e lugar momentâneo no G-4. O sabor de estar entre os quatro não era sentido há quatro anos.

Jogadores que sofreram com a inconstância conseguiram sustentar momentaneamente boas atuações, casos de Everton, Pará – um pouco menos -, lampejos de Luiz Antonio e o fênix Paulinho, com direito a golaço. O famoso episódio da “Stellinha” (*) virou causo do passado. As atuações passaram a ser mais convincentes, mas sempre com algum porém: a fragilidade aérea da zaga, Márcio Araújo abaixo da média, o desfalque de Jorge pela convocação para a Seleção de base  – jovem promissor que já é baixa muito sentida no Flamengo. A incógnita que é cada lance de Canteros. O efeito vaga-lume de Cirino. Alan Patrick indo de uma grande atuação a um dia apagado. Um banco limitado. A lesão de Ederson. De Emerson Sheik. E a do Guerrero.

Até Sheik e Guerrero, Nixon, Alecsandro, Eduardo da Silva…

Em semana sem jogo e de longos treinos fechados, Oswaldo Oliveira montou a equipe para enfrentar o Vasco. Será o oitavo confronto entre os rivais em 2015. Dos sete Flamengo e Vasco, o Rubro-Negro teve duas vitórias, três derrotas e dois empates, um deles que culminou com a eliminação na Copa do Brasil. Nesses duelos, o ataque já foi ocupado por Nixon, Alecsandro, Marcelo Cirino, Paulinho. Eduardo da Silva também passou por ali. Ter um ataque com Emerson e Guerrero foi e é, sim, uma melhora substancial, outro patamar. Em duas ocasiões Sheik e Guerrero estiveram juntos contra o Vasco, ambas pela Copa do Brasil, sendo que no segundo jogo o peruano se machucou. Uma derrota, um empate, uma eliminação e uma lesão.

Depois das seis recentes vitórias no Brasileirão, a euforia assentou após as derrotas para Coritiba (2 a 0), jogo que foi levado do Maracanã para Brasília, e o largo 4 a 1 para o Atlético-MG, em BH. Com 41 pontos, o time ocupa a 6ª colocação, a três do Palmeiras, quarto colocado. Sonho vivo e extremamente possível por uma vaga na Libertadores em 2016.

O Flamengo desse próximo Flamengo e Vasco é um time mais confiável do que o dos duelos anteriores. E também de outros momentos do Brasileirão. Mas com alguns poréns de sempre, como a zaga. A provável escalação aponta para PV, Pará, Wallace, Samir e Jorge; Márcio Araújo, Canteros e Alan Patrick; Paulinho, Sheik e Guerrero. Oswaldo está com Ederson na manga, mas talvez o clássico não seja o momento de dar a cartada de tê-lo como titular, vontade do treinador. Provavelmente na vaga de Paulinho. Ainda restam dúvidas e necessidade de afirmação.

O caô ainda não acabou.

Fonte: GE

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