Quem colocará o guizo no gato?

Compartilhe

Era comum, quando criança, escutar meus avós dizendo isso. Significava uma tarefa complicada, pegar o felino ágil e indomável e pendurar no pescoço um guizo, um sino, um sinalde sua presença. Hoje, a exemplo de outras tantas figuras de linguagem, a dito popular anda esquecido, diria sumido, qual as regras de boa educação, a cortesia das pessoas, a urbanidade, a gentileza. Na prática, perder essas referências, abandonar esses padrões indicam desinteligência. Nivelamo-nos por baixo, ficamos bem menores como seres humanos.

No futebol não é diferente, exceto pelo fato de “gato” ter outro significado entre os boleiros. Vemos demonstrações grosseiras jogo a jogo e me pergunto por que há algumas décadas os jogadores não sangravam tanto, quase não existia cotoveladas criminosas como as dos dias de hoje, a covardia não tomava conta dos gramados? Porque a graça do futebol não estava em agredir o adversário. Ou melhor, se agredia o adversário com a humilhação do drible, do chapéu, da caneta, do jogo de corpo. Não a humilhação considerada crime de morte, como agora, mas aquela que obrigava o craque a inventar uma resposta na bola, se possível mais criativa.

Nos jogos de hoje se idolatra a enganação, os jogadores preferem abrir mão de seguir uma jogada de perigo em prol de uma simulação, de uma queda teatral, de um disfarce à falta de habilidade. Isso empobrece um futebol que já não é dos melhores, equiparando os cabeças de bagre com os demais. De tal forma esse comportamento se espraiou, até fazer das partidas uma espécie de competição de faz de conta, onde vencem os mais enganadores.

A arte do bom futebol inclui a malandragem, a picardia, a oportunidade bem aproveitada. Está longe de ser uma disputa de ilusionismo permanente, onde parece mais importante a fantasia. E ainda inventaram o tal do fair play formal, de cartilha, algo já existente antes até nas peladas, quando nos acusávamos sem precisar de arbitragem. Hoje virou um quesito novo para debates e burlas, com os tradicionais rompantes de macheza e de xerifagem. Bola que é bom, desse tamaninho.

Aproveitando a frase lá do título e do início, quem vai chamar o Sheik às falas sobre essa mania de mandar recados pela TV e pelas rádios? Um jogo foi pouco diante da reincidência e da falta de limite. Não é atitude de profissional e muito menos bom exemplo para os mais jovens que atuam ao lado dele. Além de ser um enorme prejuízo para o clube. Se ele não jogar hoje por força de uma liminar, aumentará o rol dos desfalques sérios. E justo no momento que o time engrenou? Aonde está a malandragem do dito cujo? Um sujeito beirando os quarenta anos? Quem colocará o guizo no gato?

Alexandre Fernandes

Fonte: Magia Rubro Negra

Notícias recentes

  • Destaque

Flamengo lamenta falecimento de Paulo Angioni, ex-dirigente do clube, aos 80 anos

Executivo tratava um câncer no pâncreas desde o início de setembro Ex-dirigente do Flamengo, Paulo…

12/09/2026
  • Destaque

Flamengo anuncia novo camisa 11 após saída de Everton Cebolinha

Flamengo confirmou o novo 11 neste sábado (12) A camisa 11 do Flamengo ficou vaga…

12/09/2026
  • Destaque

Presidente do Del Valle desabafa após jogo com Flamengo na Libertadores e mostra preocupação com estrela

Franklin Tello mostrou esperança para virada no jogo de volta, na quinta-feira (17) Um duro…

12/09/2026
  • Destaque

Flamengo x Corinthians: onde assistir ao vivo jogo do Brasileirão

Jogo da 27a rodada terá transmissão da TV aberta para todo Brasil Vale a permanência…

12/09/2026
  • Destaque

“Acha que temos condições?”: Maracanã rebate pedido Vasco e promete novo gramado em 2027

Vasco tinha o interesse de jogar a semifinal da Copa do Brasil no Maracanã Assim…

12/09/2026
  • Notícias

Semifinal do Brasileirão Feminino: onde assistir ao vivo Flamengo x São Paulo

Flamengo e São Paulo começam a decidir uma vaga na final do Brasileirão neste sábado…

12/09/2026