
Os 37 gols já sofridos pelo Flamengo, quarta pior defesa do Campeonato Brasileiro, não têm influência sobre o time feminino rubro-negro. As mulheres costuraram uma incrível marca em 2015: ainda não foram vazadas no torneio nacional, nem no Estadual, competições disputadas simultaneamente. Já são 12 jogos sem sofrer gols.
A goleira Luana tem 26 anos, 1,74m e um lapso de memória. Ela não lembra a última vez em que uma atacante adversária balançou sua rede.
– Pior que não me recordo… Mas garanto que não foi este ano. O segredo é treinar – ensina.
Nesta quarta-feira, Luana e o time voltam a campo para defender a façanha, contra o Adeco-SP, às 15h, na Gávea, pela quinta rodada do Brasileiro. E, no sábado, estará em jogo o título estadual, na decisão contra o Barcelona, em local a ser divulgado.
Torcedora do Flamengo, a veterana Tânia Maranhão, de 40 anos, medalha de prata nas Olimpíadas de Atenas e Pequim, desfalca a equipe há dois jogos devido a uma lesão no pé. Em tratamento, a zagueira dá a receita do sucesso aos marmanjos que estão fazendo feio:
– Os zagueiros do Flamengo marcam muito a bola e esquecem o adversário. Tem que dar um toquinho, pisar no pé… Tem que insistir até o fim. E o time faz gol contra por displicência. A bola bate no corpo e entra porque o jogador está desligado – diz Tânia, que joga bola há 30 anos.
O disparate na diferença de gols sofridos pelos homens e as mulheres se repete na estrutura. A camisa vermelha e preta do time feminino é vestida por oficiais da Marinha com patente de sargento que ganham aproximadamente R$ 3 mil de salário. O Flamengo entra com o uniforme apenas. E o status. Vale lembrar que essa mesma equipe, em atividade desde 2009, já vestiu em anos passados as camisas de Vasco e Botafogo.
– Elas treinam muito, em dois períodos. Inclusive aos sábados – destaca o técnico Ricardo Abrantes, após mais uma manhã de trabalho no CEFAN, na Avenida Brasil. – Elas se conhecem no olhar. Já o time masculino tem dificuldade de entrosamento. É um time novo, que precisa treinar mais.
Baixinha, a lateral-direita Danielle, de apenas 1,52m, tem ambição bem maior do que seu tamanho:
– Nosso objetivo é vencer todas as competições. De preferência, sem levar nenhum gol. Mas estamos preparadas. O time não vai se abater se as adversárias fizerem um gol na gente – afirma a lateral.
Fonte: Extracampo
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