
Não sou contra as torcidas organizadas. Neste blog já escrevi sobre a necessidade de serem, digamos, “salvas”. Elas precisam recuperar o perfil original, mais distante da violência e calçado no apoio ao time. Gritar o nome do clube, não da organizada, e ter orgulho da agremiação, não da facção a qual aquelas pessoas pertencem, algo muito comum nos jogos de futebol pelo país.
As principais torcidas do Vasco e do Fluminense foram banidas dos estádios por um ano devido a brigas e confusões. Força Jovem e Young Flu estão proibidas de frequentar as arquibancadas do Brasil desde março e só reaparecerão em 2016. A TJF, Torcida Jovem do Flamengo, recebeu castigo no mesmo mês e por período idêntico. Não retornará antes do ano que vem, portanto. O veto a elas inclui marcas dos grupos, logotipos, camisas e instrumentos musicais. Banimento.
O afastamento forçado de Força e Young proporcionou o crescimento de movimentos com outro espírito e que já estavam presentes nos jogos de Vasco e Fluminense. Torcidas inspiradas nos hinchas portenhos, como as que há cerca de uma década dominam as arquibancadas gaúchas. Elas cantam e apoiam o time o tempo todo. Torcedores despreocupados com brigas, tampouco interessados em gritar os nomes dos grupos aos quais pertencem. E sem as maiores organizada por perto, essas turmas engrossaram, ficaram mais numerosas e com vozes mais ativas.
Estourou pra valer em 2009 o movimento Legião Tricolor, sufocado com o fechamento do Maracanã no ano seguinte e combatido por algumas organizadas. Aquele pessoal mudou a forma de torcer pelo time, com novas músicas, grande empolgação e assim atraiu de volta ao estádio muitos torcedores que haviam se afastado. A herança da Legião ficou com a Bravo 52, hoje a voz mais forte que se ouve nos jogos do Fluminense.
No Vasco da Gama o grupo que aos poucos conquistou espaço com o banimento temporário da Força Jovem foi a Guerreiros do Almirante. “GDA”, como é conhecida, tem sido, não é de hoje, aquela que puxa o grito pelo clube em tempos de segunda divisão e ameaça de rebaixamento. Mesmo em minoria em alguns clássicos, tem sido comuns momentos em que tricolores ou vascaínos cantam mais e mais alto. É uma questão de filosofia, uma forma diferente de torcer. No domingo, quando o Vasco venceu por 2 a 1, ficou bem claro, embora muitos se recusem a aceitar.
O Botafogo, na segunda divisão e jogando prioritariamente no Engenhão, também viu crescer o seu movimento estilo argentino/uruguaio quando da punição à maior organizada alvinegra, a Fúria Jovem. Assim, não é de hoje que a Loucos pelo Botafogo vêm ditando o ritmo nas arquibancadas quando o time está em campo. Independentemente de má fase e rebaixamento. A “LPB” utiliza o 22 no slogan, pois o número é associado a quem é maluco, louco, como eles garantem ser.
No setor norte do Maracanã, mesmo sem a presença da Torcida Jovem, a divisão é evidente. Raça Rubro-Negra, Urubuzada, Flamanguaça e outras menores cantam músicas diferentes inúmeras vezes. É assim há décadas, o que já resultou até em brigas entre facções do mesmo time. Em alguns momentos a Raça, ainda a mais numerosa, canta músicas que terminam com o próprio nome gritado, como se ela fosse mais importante do que o Flamengo. Nem todas acompanham, claro, inclusive quem não é de torcida alguma e quer gritar apenas pelo clube, não de uma organizada.
Os flamenguistas também têm sua “barra”, como são chamadas as torcidas de viés portenho. É a Nação 12, que segue princípios parecidos com as de GDA, Bravo e LPB. Contudo, pelo poderio das organizadas, ela não se desenvolve tanto, não cresce na mesma proporção. Seus cânticos, embora alguns tenham se espalhado pela arquibancada, ficam na maioria das vezes restritos ao canto onde se instala, na fronteira com as cadeiras do setor oeste da “arena New Maracanan”. Pode parecer tolice para quem não conhece a cultura das arquibancadas, mas está fazendo diferença.
As organizadas já não têm a mesma capacidade de atração dessas novas “barras”. O perfil voltado à violência inibe quam deseja apenas torcer. Todas as facções banidas no Rio de Janeiro foram afastadas por conta de confusões por elas protagonizadas. E a Raça, que já esteve fora em 2015, voltando aos estádios durante o atual campeonato brasileiro, corre risco de novo afastamento. O jornal Extra publicou matéria e vídeo sobre a confusão do lado de fora do Maracanã antes de Flamengo 1 x 2 Vasco. E segundo a polícia, ela e a Torcida Jovem estariam envolvidas.
Caso Raça e TJF fiquem novamente fora da arquibancada ao mesmo tempo, resta saber o que acontecerá na galera do Flamengo. Se as demais facções não sufocarem o movimento cujo espírito conquista as torcidas rivais, fenômeno semelhante poderá se repetir. E com as organizadas desperdiçando chances e mais chances de mudar, isso pode ser bom para o futebol carioca, que preserva suas tradições com duas torcidas nos clássicos e tenta reviver a mística dos tempos do Maracanã, o verdadeiro.
Fluminense, Vasco e Botafogo naturalmente têm ampliado os adeptos dessa nova forma de torcer. Cantar pelo clube, exaltar a camisa, declarar amor às suas cores. Cânticos assim tomam o espaço há tempos ocupado pela ode à batalha e ao confronto com o “inimigo”. No caso do Flamengo, já houve momentos nos quais as organizadas se uniram (vídeo abaixo), mas no geral não é assim. E por isso cada vez faz mais sentido a pergunta: que torcida é essa?
Fonte: ESPN | Mauro Cezar Pereira
O Coluna do Fla apurou sobre o suposto interesse do Flamengo no meio campista do…
Paquetá deixou o gramado de jogo do Brasil x Japão com dores na coxa A…
Quando serão os jogos entre Flamengo e Cruzeiro? O calendário do futebol sul-americano está paralisado…
Três partidas movimentam esta terça-feira (30) valendo vaga nas oitavas de final da Copa do…
Zagueiro do Lille (FRA), Alexsandro Ribeiro pode atuar na Premier League O zagueiro Alexsandro Ribeiro…
César ‘El Tigre’ Ramírez foi à loucura com a classificação histórica do Paraguai ‘Salvador’ do…
Ver comentários
Quando falei que a torcida do vice cantou mais e mais alto que a nossa, e em menor numero, e enquanto perdiam, quase me mataram ... Enquanto não mudarmos nossa atitude na arquiba, ficaremos pra trás. Não ouço mais o grito de Mengo ... cada organizada canta uma coisa ... esse hit do roupa nova é longo, de letra complicada e não empolga ... Será que ninguém tá vendo isso? Temos que mudar nossa postura ... É difícil ter que admitir isso, mas é necessário ... SRN.
Dale dale dale dale Oooooh, dale dale dale dale Oooooh, daleeeeee Mengão Oooooh! Teria que ser assim o jogo todo.
To vendo o jogo do Grêmio agora contra as Flores ... Mesmo perdendo, a torcida dos caras não para de cantar ... Volta e meia aumentam o volume gritando grêmio .... Acabou de terminar o primeiro tempo e os caras aplaudiram o time que saiu perdendo ... Isso é apoiar até o final, mesmo que no pior momento ... Uma organizada só puxando o coro ... músicas curtas que inflamam a galera ...
Olê olê olê, olê olê olê olá, olê olê olê e a cada dia te quero mais sou rubro negro e esse sentimento nunca vai acabar!bis bis
Imitar torcida argentina já é demais ! que q é isso ...... MALDITA COP DO MUNDO ! sou favor das torcidas organizadas como são ! fazem uma festa bonita q tem um estilo particular do Brasil.... (não estou defendendo pancadaria) .... cara o futebol da virando uma coisa difícil de aturar ! ODEIO essa Nação 12 !! ficar cantando essas musicas ridículas com mais letra q faroeste caboclo ... uma coisa totalmente nada a ver com a gente !!! que q é isso... como podem aceitar isso ????