
Se há um momento propício para desenvolvimento de uma liga no futebol brasileiro é o atual. É o tempo em que a mão de ferro da CBF está enfraquecida por causa dos escândalos que rondam a entidade. É o tempo em que o presidente não pode arriscar peitar mais da metade da Série A, ainda que mandatários de federações estaduais – e vices-presidentes – estejam bufando no ouvido dele querendo o contrário. É o tempo em que os clubes – pelo menos da Zona Sul do Rio para baixo – estão conseguindo gerar uma convergência de interesses que pode resultar na transformação do futebol nacional.
Em outros tempos, o bloco de cartolas que esteve frente a frente com Marco Polo Del Nero nesta quinta-feira teria deixado a CBF tendo que engolir uma retumbante e imediata negativa a uma iniciativa que pode culminar tirando a organização do Brasileirão da entidade – ainda – mais poderosa do país e que pode reduzir a pó o poder de influência das federações, mesmo com a promessa dos clubes de honrar os contratos dos Estaduais. Mas não foi assim. O discurso na saída foi de animação.
Del Nero não é maluco. Longe disso. Ele sabe muito bem onde está pisando. Pediu tempo para pensar, se articular, buscar argumentos – seja lá qual for a resposta que irá dar. Mas, pela força que a Liga mostra nos primeiros meses de vida, parece que não vai adiantar dizer que “não”, porque a bola vai rolar do mesmo jeito. O que parece ser mais plausível, ainda que o calendário-2016 já esteja na rua (e sem a competição organizada pela Sul-Minas-Rio, cujo nome será Copa “alguma coisa”), é usar as 48 horas para um convencimento dos opositores de que é preciso abrir o caminho para o novo movimento.
Del Nero não está na zona de conforto – em todos os contextos. De um lado estão os clubes. Do outro, um par de federações, que contestam em tons diferentes (A Mineira, por exemplo, não tem a mesma fúria que a Ferj em relação à Sul-MG-RJ). Se o presidente fizer valer o discurso de que “a CBF é a casa dos clubes”, que ele tanto repete, já podemos imaginar o final da história. Mas que vai ter gente bufando, ah vai. Cabe a Del Nero colocar na balança o que vale mais a pena.
Fonte: Em Cima do Lance
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