
Há 31 anos, o Flamengo pegou o dinheiro da venda do ídolo Zico e comprou um terreno na longínqua e rural Vargem Grande, na Zona Oeste do Rio. Lá, havia a promessa de se construir um centro de treinamento de Primeiro Mundo, com modernas instalações. Três décadas e nove presidentes depois, o local está longe da modernidade prometida. Tido como prioridade pelas últimas gestões, o projeto anda em ritmo lento, o dinheiro tem sido usado em outros setores do clube e já está na quinta previsão de sua conclusão. Com as eleições presidenciais em dezembro, os candidatos renovam o compromisso. A começar pela Chapa Azul, de Eduardo Bandeira de Mello.
— As obras estão caminhando num ritmo lento, dentro das nossas possibilidades financeiras. A partir deste mês, com o Profut, passamos a ter uma economia mensal na ordem de R$ 1 milhão, economia que será inteiramente revertida para as obras do CT. Fora isso, a receita oriunda da venda dos 200 títulos de sócios proprietários também será investida — diz o vice de patrimônio Alexandre Wrobel, que dá nova data para o término do setor profissional. — A previsão é setembro de 2016.
Entre operários que vão e vêm desde 2010, quando as licenças ambientais foram obtidas e feitas as instalações provisórias, quem frequenta o Ninho vê um constante canteiro de obras. Muitas vezes, parado. Qualquer chuva que cai na região é suficiente para transformar o local num lamaçal. O terreno alagadiço, bastante comum na região de Vargem Grande, parece ter surpreendido o Flamengo. Por causa disso, houve problema na pavimentação e urbanização do local, atrasando o cronograma inicial, que era maio deste ano.
A falta de recursos, porém, é o principal problema. Otimistas, os dirigentes anunciam prazos específicos, contando com aportes financeiros, que não chegam ou são utilizados em outras áreas. O custo total estimado inicialmente era de R$ 30 milhões, sendo que mais de R$ 10 milhões já foram investidos nas duas últimas gestões.
— Tivemos que priorizar o pagamento de dívidas e salários. A receita oriunda do Morro da Viúva foi revertida para o pagamento de questões emergenciais. O dinheiro da parceria com a Ambev foi investido nos módulos 16 e 17 e na urbanização do terreno (cerca de R$ 2 milhões) — diz Wrobel.
Velhas Soluções
Hoje na oposição, o candidato à presidência da Chapa Verde, Wallim Vasconcellos, já esteve à frente da construção do CT do Ninho. Agora, ele acredita que conseguirá empréstimo com algum banco público para financiar R$ 6 milhões, que finalizariam o setor profissional em 2016. Todo o centro ficaria pronto em dois anos.
Candidato pela Chapa Branca, Cacau Cotta quer usar um dos patrimônios do clube, a Mansão de São Conrado, para terminar o CT. O terreno está sem uso e seria feita uma concessão ao empreendimento comercial ao lado por 50 anos. Todo a verba iria para o término do CT, com previsão de ficar pronto no final do ano.
No entanto, isso depende de aprovação do Conselho Deliberativo, que não se mostrou favorável recentemente. A atual gestão já enviou proposta semelhante aos conselheiros, mas sequer houve quórum necessário para a votação.
Fonte: O Globo
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