
Não foi a primeira vez e nem será a última. Embora não haja prova cabal (nestes casos, nunca há), sobram evidências de que a arbitragem recebeu ajuda externa, de alguém que viu bem o lance pela TV, e pode desfazer um erro grave que ia cometendo, no jogo entre Chapecoense e Palmeiras. Menos mal. Pior é quando o equívoco persiste, embora todo mundo veja que ele aconteceu.
Inadmissível é que a Fifa e a “International Board” ainda não tenham autorizado o quarto (ou um quinto árbitro) a fazer, oficialmente, uso das imagens da televisão para dirimir dúvidas e consertar lambanças graves ocorridas durante o jogo.
Está na cara que, de uma forma ou de outra (algumas extremamente criativas), o juiz e seus assistentes acabam sabendo que erraram e, pior, as imagens (principalmente em replay) já os condenaram. E quando dá tempo, obviamente, tratam de se corrigir. E, quando não dá, muitas vezes, arrumam um jeito de compensar o prejudicado, com uma expulsão, um pênalti etc.
A entrevista do delegado da partida, alegando que um dos auxiliares vira que Egídio não fizera a falta em William Barbio e só não avisou imediatamente o juiz porque o seu rádio não funcionou é ridícula. Nos quase cinco minutos de confusão, ele teve tempo de sobra para se aproximar e dizer ao colega que ele se equivocara. Não bastasse isso, uma entrevista do goleiro Fernando Prass, ao desembarcar de volta, em São Paulo, colocou uma pá de cal no assunto:
– Quando reclamei que o Egídio tocara somente na bola, ele me disse que havia UNANIMIDADE entre o quarteto de arbitragem, considerando que houve a falta e a expulsão era merecida.
Fosse no judô, poder-se-ia dizer Ippon! (golpe que encerra a luta) e no boxe, a toalha branca (de desistência) seria atirada ao ringue pelo treinador daquele que estava sendo surrado. A garotada de hoje em dia, provavelmente, gritaria Game Over (fim de jogo).
Duro mesmo é ver tanta gente (boa, inclusive) cheia de dedos para afirmar o óbvio ululante. Parecem “pollyanas” preocupadas em ser “politicamente corretas” e não cutucar fundo um problema que todos sabem que existe e precisa ser corrigido. Este é o papel da imprensa e dos verdadeiros jornalistas.
Em tempo I: Há uma razão clara para que todos os envolvidos da arbitragem mintam. Se alguém admitir que a decisão foi modificada, por causa de uma informação externa, a partida pode ser anulada, por erro de direito o que, convenhamos, seria um absurdo.
Em tempo II: Aos mais jovens: Pollyana é a personagem central de um livro da romancista americana Eleanor H. Porter, publicado em 1913, e transformado em filme de enorme sucesso infanto-juvenil em 1960. É a história de uma pobre órfã que sofre horrores nas mãos de sua tia megera e tirana, mas ainda assim não enxerga maldade em nada e acha que o mundo inteiro é bom e bem-intencionado.
Em tempo III: Menos mal que a expulsão foi revertida e a surra que a Chapecoense deu no Palmeiras não sofreu qualquer mácula. Se a expulsão de Egídio tivesse sido mantida, ia ter gente atribuindo a isso a tunda homérica sofrida pelo Verdão.
Ponte de salvação
Assim como aconteceu com o Flamengo, há dois anos, a Copa do Brasil pode salvar a temporada do Fluminense. Classificado para uma das semifinais, onde enfrentará o Palmeiras, o tricolor, jogando completo, pode, sim, acabar levantando o caneco. Seus três concorrentes (além do Verdão, o Santos e o São Paulo) fazem campanha bem melhor que a dele, no Brasileiro, mas isso também acontecia com o Grêmio, que acabou eliminado em plena arena. A má notícia, para os que estão disputando vaga na Libertadores, pelo Brasileirão, é que se o Flu vencer, ninguém sai da frente da turma que briga pelo quarto lugar – que é ameaçado ainda pela Sul-Americana, em caso de título de um brasileiro (Chapecoense e Atlético Paranaense estão nas quartas-de-final).
Sem desculpa
Com a paralisação de 10 dias para a disputa das duas primeiras rodadas das eliminatórias da Copa de 2018, o Brasileiro para (enfim!) e todos os clubes terão tempo suficiente para recuperar os seus jogadores e treinar suas táticas e estratégias.
Ao Flamengo, especialmente, sugiro tentar aperfeiçoar a pontaria. O que perdeu de gol contra o Joinville não está no gibi. E a furada dupla de Canteros e Éverton foi tão bizarra que, desconfio, deve ser parte de uma diabólica jogada ensaiada que ficou incompleta. Com certeza era previsto a chegada de um terceiro rubro-negro que, aí sim, alvejaria a meta com precisão. Só pode ser isso…
Fonte: RMP
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