Mauro Cezar Pereira: ‘O bom técnico que cartolas ignoram’

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Em 6 de agosto Diego Aguirre foi demitido do Internacional, que o contratara antes do Natal como espécie de última opção. A torcida colorada não entendeu, muitos ficaram revoltados. Também fui incapaz de compreender a dispensa do técnico que foi superior até a Tite na Copa Libertadores deste ano. Seu time foi o brasileiro que mais avançou no certame, caindo na semifinal ante o Tigres, milionária equipe mexicana que se dá ao luxo de contar até com um jogador da seleção francesa. André-Pierre Gignac tem salários estimados em US$ 4 milhões por ano (quase R$ 1,3 milhão por mês). Resultado absolutamente normal.

Se estranha foi a demissão do uruguaio, estranho também é o fato de outros clubes não o convidarem para novos trabalhos no Brasil. Aguirre já havia feito bonito em 2011, quando levou uma limitada equipe do Peñarol à decisão da Libertadores. O time era tão carente de talentos que nele se destacava Alejandro Martinuccio, argentino que depois veio para o Brasil, não se firmou e hoje defende o Emelec do Equador, seu quinto clube em três anos. Capacidade ele já mostrou, o que falta para seduzir os cartolas brasileiros 102 dias após sua bizarra demissão? O texto docompanheiro Cristiano Oliveira, abaixo, nos ajuda a compreender o que fez no Rio Grande do Sul.

Diego Aguirre teve um aproveitamento de 60,4% nos oito meses em que comandou o Internacional. Foi campeão gaúcho, semifinalista da Libertadores e terminou sua passagem sem perder Grenal. Foram 24 vitórias, 15 empates e apenas nove derrotas em 48 jogos. Mesmo assim, foi demitido. A justificativa da direção colorada foi a criação de um “fato novo” às vésperas do duelo contra o rival. O resultado: 5 a 0 para o Grêmio.

Somente exatos 90 dias após a demissão do uruguaio é que o presidente do Inter, Vitório Piffero, admitiu publicamente o real motivo do desligamento do uruguaio. A preparação física, segundo ele, não estava adequada às exigências do clube. De fato, o trabalho de Fernando Piñatares, homem de confiança de Aguirre, sempre foi questionado. Mesmo com o rodízio de jogadores, apenas seis dos 30 inscritos na Libertadores não sofreram nenhum tipo de lesão.

Tática e tecnicamente, foi sob o comando de Diego Aguirre que o time viveu seu melhor momento na temporada. Em maio foi campeão gaúcho sobre o Grêmio e eliminou de forma convincente o Atlético e o Santa Fe na Copa Libertadores. Foi logo após essa sequência que tiveram início as conversas para renovação de contrato. O empecilho era o já criticado preparador físico Piñatares. Os dirigentes não cogitavam a possibilidade do profissional seguir na comissão técnica. Como Aguirre não aceitava abrir mão dele, a negociação não fluiu e o desgaste entre as partes ficou cada vez maior.

Taticamente, Aguirre começou a temporada usando o 4-4-1-1, com D’Alessandro centralizado atrás do centroavante Nilmar. Com um início de Gauchão ruim e a defesa sofrendo muitos gols – foram cinco nos dois primeiros jogos -, ele mudou para o 4-2-3-1, fixando dois volantes para proteger a zaga. Nos cinco jogos seguintes, a equipe levou apenas dois e começou a jogar bem.

Aguirre teve o arrojo de promover garotos da categoria de base e colocá-los no time, tirando jogadores recém contratados a peso de ouro pelo clube, como Ânderson, Réver, Nilton e Vitinho. Foi o uruguaio quem deu sequência para Rodrigo Dourado, Valdívia, William e Eduardo Sasha. Mesmo com isso, em nenhum momento houve qualquer tipo de rumor sobre desentendimentos no vestiário. O técnico tinha boa relação com todo o grupo de jogadores. Foi demitido unicamente por não aceitar abrir mão de seu preparador físico de confiança.

Nota do blog: Jorge Américo, agente de Diego Aguirre, entrou em contato e questionou algumas informações. “Nunca conversamos com o Internacional sobre renovação de contrato. Além disso foram 55 lesões no clube, no mesmo período de 2014, contra 33 em 2015. Isso sem disputar a Libertadores no ano passado”, compara. O técnico recentemente retornou da Europa, onde visitou Atlético de Madrid, Juventus e Torino. “No ano passado ele esteve na Roma e Sampdoria. Para 2016 o plano é ir a dois clubes alemães”, adianta. Diego tem uma proposta do Qatar, que deverá responder nos próximos dias, além de sondagens de clubes dos Emirados Árabes e México, segundo seu empresário.

Fonte: Mauro Cezar Pereira

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  • Acho um bom técnico mas esse preparador dele junto com os que tem lá teria que ser um time de 50 jogadores.

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