O sonho do Flamengo em verticalizar o esquema tático da base ao profissional

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Na apresentação do vídeo da chapa azul, o futuro vice-presidente de futebol. Flávio Godinho, disse que um dos planos para a próxima gestão é verticalizar o esquema tático das categorias inferiores.

Futebol ofensivo, meias canhotos, foco no talento e não na força física. Foram alguns dos atributos desejados pelo Godinho.

E citou, evidente a maior referência no assunto: Vila Belmiro.

O Santos está classificado para finais do Paulistão em todas as categorias de base. Quem coordena as divisões inferiores é o gerente Ronaldo Lima, que assumiu o clube em maio.

A primeira meta do ex-coordenador da Seleção Brasileira de Futebol Feminino e supervisor da Seleção Brasileira ao lado do ex-diretor Américo Faria foi reduzir o número de atletas de 230 para 150.

Ao lado dele está o coordenador Marcos Bechara, que explicou essa redução:

“Decidimos reduzir o número para ter um controle mais efetivo de cada garoto, levando em conta sua evolução física, técnica, tática e de comportamento dentro e fora de campo. Algo na linha: como se vestem ou como respeitam as ordens dos treinadores. Todos os jogadores conhecem a história do Santos e isso ajuda a entender o que significa vestir essa camisa”.

BIOTIPO 

“A gente prioriza a qualidade com a bola no pé e somos contra a robotização dos jogadores, que ficam muito forte e perdem a habilidade. Se isso fosse importante para nós, o Neymar teria sido barrado”, disse Ronaldo Lima.

FAMA

A fama do Santos é um dos seus grandes trunfos. O zagueiro Fernando, do Sub-17, passou no teste do Flamengo e do Fluminense, mas decidiu deixar a família em Linhares, no Espírito Santo, e se aventurou em terras paulistas. “Todo mundo quer jogar aqui. Motiva ver um cara como o Gustavo Henrique, que assim como eu, saiu da base do Santos e hoje é titular do principal”.

NOVO TREINADOR DO SUB-20 CONTRATADO APÓS SELEÇÃO

Recentemente o carioca Marcos Soares, 40 anos, assumiu o sub-20 dos Santos. Mas não foi escolhido por indicação ou porque estava disponível no mercado, pelo contrário, passou por um processo de seleção como em qualquer grande empresa: deixou seu currículo e foi convidado, junto de outros quatro treinadores para uma entrevista na Vila.

Na apresentação por 40 minutos, com apoio de projeções e vídeos, passou por uma sabatina pelo gerente e coordenador da base e até pelo Dorival Júnior, para identificar nos candidatos o perfil traçado pelas categorias de base santista.

Duas semanas depois ligaram para ele dizendo que havia sido o escolhido.

Em entrevista, afirmou que existe a pressão por seguir a história do futebol do Santos, que é jogar de forma ofensiva. Já colocou um atacante aberto de segundo volante e um meia-atacante de lateral esquerda.

“Aqui, os marcadores não aprendem apenas desarmar. Eles são ensinados a se antecipar ao adversário e já dar início a jogada. O garoto sabe que se aparecer bem, será utilizado no principal. Tem clubes que são campeões de muita coisa na base, mas não aproveitam ninguém”, afirmou o treinador.

Marcos Soares se capacitou. Passou 40 dias na Espanha. Depois assistiu aos treinamentos de Guardiola no Bayern de Munique.

Segundo Soares, a estrutura alvinegra conta com sala de estudos, psicólogo, alojamentos, academia e três campos para treinamentos, mas o diferencial é a integração entre toda diretoria da base e do profissional. A troca de informações é constante e as reuniões são periódicas.

PADRONIZAÇÃO TÁTICA

Para padronizar o desempenho das categorias, o Santos adotou um padrão tático para todas as equipes. O objetivo é diminuir a dificuldade de transição dos atletas de uma categoria para a outra, além de dar consciência tática a eles.

Para que a filosofia se encaixe, todos os departamentos da base se reúnem semanalmente. No encontro, os técnicos apresentam “relatórios” do que foi trabalhado e está sendo projetado. Discutem trabalhos técnicos, táticos, esquemas de jogo e a simples troca de experiências.

Os médicos e fisiologistas das divisões inferiores também participam e apresentam relatórios da preparação física por categoria dos jogadores e tenta apresentar maneiras de melhorar ainda mais o condicionamento deles.

REDE DE AVALIADORES

Não existe mais a tradicional peneira. No Santos funciona um setor específico de avaliação, com ex-atletas do clube, uma equipe de profissionais capacitados para fazerem uma seleção criteriosa, onde observam os garotos e se preocupam em formar especialistas nas posições.

Pelo discurso do Godinho e tudo que vimos, é evidente que o Santos é seu modelo.

Eis um caminho para o Flamengo começar a seguir: ter um gerente competente, identificar os atributos para suas divisões de base, contratar treinadores para a base que sigam e formem jogadores seguindo esses atributos, formar uma rede de olheiros e analistas especializados, terminar o CT da base e assim começar a pensar em voltar a revelar jogador.

André Amaral

Fonte: Ninho da Nação

Ver comentários

  • como vai fazer isso se no flamengo se muda de tecnico a cada 3 meses, um mes o tecnico joga ofensivo o outro na retranca, não a base que sobreviva desse jeito, infelizmente tenho que assumir desde que o corinthians caiu e a sua volta so se joga do mesmo jeito e vejam o resultado. o flamengo tem que pensar grande e agir como grande e segurar um tecnico por anos. ai vamos ver o resultado.

      • raramente, mas no time principal sim, o cara treina a vida toda de um jeito e quando tem a chance de jogar no profissional o tecnico joga de outro jeito.

  • Finalmente uma luz no fim do túnel, faz tempo q o Fla,vem C velho lema,mas ao invés de saírem craques,saem eternas promessas,q não conseguem serem titulares em times de série B,não dão 1 centavo de retorno.Acho q reconhecer um trabalho superior é um acerto,o passo seguinte é copiar o modelo do Santos ou Flor.Investir num 1 momento, demora o retorno, mas vem."Quem planta colhe"Mas se compra na feira,VC nunca vai colher nada,sempre terá q comprar.A base é a futura solução e um plano concreto, não sonho

  • Se essa "espinha dorsal" vingar, ficarei certo que brotará novos ídolos para o clube. A base é tudo, mas principalmente, a forma de como prepará-la é ainda mais primordial.

    Parabéns aos envolvidos em querer esse tipo de mudança...espero que dê certo e saia do papel.

  • A base do fla, precisa de alguem que oriente esses jovens, alguem que lhes tire as máscaras, que lhes mostre, carater e, que lhes ensine o significado de flamengo .Todos esses que lá estão, com rarissima escessão, apenas porque vestem o manto, acham que são o novo Zico, ou o novo Rondinelli, e esquecem de mostrar um minimo de amor, raça e dignidade. Ponham um zico ou um M. Ramalho no calcanhar dessa gurizada e veremos o que acontece.

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