
Vivemos um momento lastimável das instituições nacionais. Escândalo após escândalo se desnudam as mais tenebrosas transações no cenário político brasileiro. Não há limite para a podridão das relações entre empresários e parlamentares ou governantes em sua esmagadora maioria, materializadas em propinas e negócios escusos que sempre imaginamos, mas jamais se apresentaram com tanta frequência e diversificação.
A cada dia se descobre uma nova faceta de uma gente escolhida pelo povo para trazer melhores condições de vida para a população brasileira em geral e para os mais carentes em particular. O Brasil virou uma esculhambação generalizada, um país de mentiras, de farsas e de roubos bilionários.
Enquanto isso, descamisados ou não, morrem pessoas nos hospitais públicos, nas filas do INSS, nos tiroteios do faroeste urbano das grandes, médias e pequenas cidades. Mata-se por decreto, assassina-se por omissão, extermina-se por ganância, elimina-se por interesses pessoais. A sanha dos homens públicos, em todos os níveis, chega ao surrealismo da impunidade explícita, haja vista que só os raros apanhados com a “boca na botija” são enquadrados pela lei e nem sempre cumprem as suas devidas penas.
Chega ao nojo o exercício de acompanhar as manchetes da internet, da TV, do rádio, dos jornais ou das revistas brasileiras. E os canalhas continuam a dar entrevistas como próceres da república, com a maior desfaçatez e perfídia, com um discurso beirando ao risível, tal o grau de inverdades diante de tantas provas produzidas.
Os esportes, em especial o futebol pelo seu vulto no Brasil, não fogem a essa regra. As negociatas se estendem como tentáculos de um enorme polvo a abraçar e a asfixiar os destinos de confederações e clubes, impedindo a retomada do brilhantismo de um passado magnífico e respeitado mundialmente. Um dos atores mais sinceros desse teatro que transformou o futebol brasileiro, o técnico Levir Culpi, autor do livro “O burro que deu sorte”, há alguns dias proferiu mais uma pérola de sua coleção. Ao ser demitido sem razão aparente a duas rodadas do fim do Brasileiro onde é o segundo colocado, classificando seu clube para mais uma Libertadores, o vitorioso treinador disse: “O único progresso do futebol brasileiro é o atraso”. Essa parece a prova provada da instância atual.
O que podemos esperar depois de outra Copa do Mundo perdida em pleno país do futebol, quando fomos escorraçados por goleadas acachapantes dentro e fora do campo? Isso em meio à substituição de um presidente da CBF, prisão do substituto na Suíça, ameaça de prisão do substituto do substituto, que não viaja por medo disso ocorrer. Fora as inúmeras acusações graves a inúmeros outros dirigentes e, agora, a delação premiada da Andrade Gutierrez a apontar um colossal propinoduto, coisa de bilhões, nos estádios da Copa 2014. Em paralelo, um deputado estadual gaúcho, eleito pela sua notoriedade no futebol brasileiro e mundial, é preso num turbilhão de acusações gravíssimas de desvio de dinheiro público.
E dirão vocês, o que o Flamengo tem a ver com isso? TUDO! Somos a maior força popular do esporte nesse país desenganado, somos vencedores tradicionais, transformadores, formadores de opinião, a maior caixa de ressonância do futebol desse Brasil carcomido pela corrupção e pelos ratos saídos de esgotos que não saneamos em definitivo.
Há três anos, depois da decepção de eleger uma ex-atleta do clube que parecia interessada em mudar os rumos da história rubro-negra e fez uma administração deplorável, voltei a acreditar num grupo de empresários bem sucedidos para alicerçar a reconstrução do Flamengo. Os discursos eram consistentes, os currículos robustos, as realizações possíveis, o programa da chapa FLAMENGO CAMPEÃO DO MUNDO era factível. A seriedade e a honestidade, obrigação de todos nós, orientou a direção. A lição de casa nas finanças vem sendo feita com correção. A austeridade e o saneamento das dívidas foram o carro-chefe de uma gestão com um viés revolucionário no futebol brasileiro.
Faltava o futebol para tirar a nota 10. E, apesar das despesas com o departamento de futebol se assemelharem às gestões anteriores, o resultado desse triênio foi pífio. Tomaram decisões equivocadas, contrataram errado, gastaram errado, trocaram errado. Para piorar, por orgulho e capricho pessoal, a gestão se dividiu e agora se confrontará nas urnas em duas chapas diferentes, levando a briga de egos para as urnas rubro-negras. Além delas, uma terceira alternativa traz um aprendiz da gestão passada.
Na última semana as chapas irmãs siamesas em erros e acertos dos últimos anos se superaram nas lambanças, no melhor estilo do arcaico futebol tupiniquim. É o que podemos chamar da cereja do bolo dos equívocos. O grupo remanescente no poder, que responde pela alcunha de Chapa Azul, fez a quarta troca de técnico de 2015 a duas rodadas do fim da competição em curso. O novo técnico é Jayme de Almeida, aquele mesmo humilhado por essa gestão há pouco tempo, numa demissão desastrosa e irresponsável. Mas não fica por aí. A chapa da situação aproveitou para anunciar o próximo treinador, Muricy Ramalho, para 2016.
Respondendo ao gêmeo diretivo, a Chapa Verde dos dissidentes, que erra até na escolha da cor, anuncia estar acertada com o argentino Jorge Sampaoli. Falta agora a Chapa Branca, a do parquinho, anunciar o seu técnico. Haja oportunismo eleitoreiro, no pior modelo das decisões desastradas.
Gosto muito do Muricy, penso mesmo que a chegada dele ao Flamengo já deveria ter ocorrido antes. Mas optaria pela manutenção do Oswaldo, preservando os meses do seu trabalho e o conhecimento do elenco, propiciando um planejamento mais sério para a próxima temporada.
Enfim, por essas e outras, no dia 07/12/2015, pela primeira vez em décadas como sócio proprietário, não votarei em nenhum deles. Haja o que houver, não quero essa cumplicidade.
Boa sorte, Flamengo.
P.S.: Uma sugestão em caso de vitória de uma das chapas que anunciaram seus técnicos. Em não sendo cumprida essa promessa de contratar o tal treinador ou qualquer outra promessa de campanha ou ítem do plano de governo, que ela abdique de imediato da presidência do Flamengo em prol da segunda colocada nas urnas. Assim também valerá para a segunda chapa, se empossada e para a terceira chapa, respectivamente. Vocês assinariam um documento pré-eleitoral registrado em cartório? Isso seria uma evolução em eleições, não acham? Isso sim seria um compromisso com os eleitores, inusitado nesse Brasil corroído por mentiras eleitoreiras.
MAGIA NELES!
Alexandre Fernandes
Fonte: Magia Rubro-Negra
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Concordo plenamente com o texto, apesar das boas intenções essa briga não traz nenhum beneficio ao flamengo. Visto que se existisse um acordo entre as chapas da situação e dissidentes não haveria sequer a necessidade de eleições, Cacau Cotta é insignificante.
Isso atrapalha o clube pois traz instabilidade o que é rotineiro no futebol brasileiro. O dia que o Flamengo virar uma empresa/clube, acaba essa palhaçada que tem influencia direta na arrecadação, por exemplo: ninguem sabe o que vai acontecer então os patrocinadores ficam com um pé atras e ganha o outro clube que mantem uma situação forte e convicta a mais tempo.
Eu tenho admiração pela democracia e seus preceitos mas ela exige bom senso tambem, passar por um processo eleitoral desgastante como esse, arriscando perder milhões a troco de uma briguinha de riquinhos... Façam me o favor, né? A união fará a força e o Flamengo só será forte completamente quando todos os rubro-negros mais influentes, poderosos, sagazes, ricos e comprometidos com o bem do clube estiverem juntos em prol de uma causa: fazer o Flamengo crescer cada vez mais.
SRN
E mais...
O momento é todo nosso, nossa instituição representa, é pioneira, no processo que se instala no futebol brasileiro. Ja vem a anos lutando pela transparencia, legalidade e honestidade do setor. Somos os lideres do país no quisito alem de exemplo, cabe ao clube saber usar isso a seu favor, politica e administrativamente. Tomar a frente e dar um tiro de quilômetros pra nunca mais ser alcançado por esses corruptos e mesquinhos do futebol brasileiro.
SRN