Flamengo vota no futuro e em Muricy

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Eduardo Bandeira de Mello foi reeleito e preside o Flamengo por mais três anos. Sua chapa teve quase o dobro da principal concorrente, formada por pessoas que estavam ao seu lado e se afastaram por diferenças de visões pontuais.

Este OCE acompanha a gestão da então “Chapa Azul” desde seu início, com discursos bonitos e promissores. Como outros já haviam feito em outros clubes, para redundar na mesmice habitual de nossas gestões. Dias depois da eleição, o diretor-executivo de futebol recém-contratado desceu do avião dizendo algo como “estar ali para conquistar títulos”.  Esse absurdo, e repeteco das mesmices de sempre, foi logo desmentido pela presidência. Quando isso ocorreu um post já estava no ar criticando a visão do executivo do futebol, em dissintonia com a visão da direção.

Será que aquilo era sério mesmo? Não demorou muito e tive minha resposta sobre a seriedade da gestão e a determinação de acertas as contas, quando Vagner Love deixou o clube. A saída do atacante e ídolo da torcida foi um corte sério e profundo, não um corte de gordura, mas um corte de musculatura, mesmo e sensível economia na folha de pagamentos. A gestão era séria e queria, de fato e não de discurso, realizar tudo que se propunha e era revolucionário para boa parte do futebol brasileiro: pagar as contas do clube.

Nesses três anos o Flamengo foi brilhante na disputa dura para reduzir a dívida. E venceu. A dívida hoje, sob quaisquer critérios, teve significativa redução e se aproxima de um patamar administrável. Mas ainda não chegou lá, embora não falte muito.

Como destacou ontem à noite o novo treinador rubro-negro, Muricy Ramalho, o Flamengo em 2015 não atrasou os pagamentos um dia sequer.

Eis outra ação revolucionária, tanto para o Flamengo, como para boa parte do futebol brasileiro: não ter atrasos de pagamentos.

No decorrer desses três anos as receitas do clube cresceram de forma admirável, a ponto de o clube ter tido a maior receita do Brasil em 2014, fato que, provavelmente, deverá repetir-se nesse ano corrente.

Tudo isso sem ganhar títulos, exceto uma solitária e talvez até prematura Copa do Brasil.

É justo e necessário destacar aqui que nesses três anos o Flamengo foi brilhante no basquete, contribuindo para manter esse esporte vivo no Brasil.

A gestão de Bandeira de Mello não foi perfeita, teve lá seus problemas, teve escorregões – como a escalação de um jogador sem condições legais e depois o recurso à corte internacional, sem razão para isso, e também a demissão de um jogador depois de pressões truculentas, para dizer o mínimo, de um bando de organizados – e pisadas de bola, não só no futebol, restrito à conquista da citada copa doméstica, mas ela cumpriu com rigor o que se propunha. Auditou o clube, acertou os números e principiou a trabalhar para diminui-los, numa ação exemplar para todos os demais clubes brasileiros.

Pelo planejamento rubro-negro, 2017 deverá ser o ano em que o Flamengo terá plenas condições de ter um time realmente competitivo e disputar todas as competições com sólidas possibilidades de conquistas. Esse ano que se aproxima talvez não seja ainda o ideal para o torcedor, para aquilo que ele sonha, mas nada impede alguma surpresa. Com os pés no chão, porém, o mais correto é imaginar que isso ocorra em 2017.

Caberá ao torcedor acreditar, torcer e seguir apoiando o clube rumo a um futuro sólido e livre dos “fantasmas”, dos quais Kleber Leite tanto reclamou e que tanto atormentaram as gestões anteriores, elas próprias, porém, eméritas criadoras desses entes que nada têm de sobrenatural e atendem pelo nome de “dívidas”.

Sobre Muricy Ramalho

Sou suspeito para falar sobre Muricy, pois gosto muito dele, desde o moleque marrento (sim, moleque ainda já era marrento) do dente-de-leite até o treinador Tricampeão Brasileiro pelo São Paulo.

Quando era garoto, vi-o jogar pelo meu São Paulo no time do “dente-de-leite”, ou seja, ele também era um guri, ainda mais novo que eu. Isso foi no final dos anos 60, imaginem. Depois acompanhei sua trajetória no time principal, até o problema no joelho e depois a ida para o México.  E, naturalmente, lá estava eu acompanhando sua trajetória como treinador, começando no Expressinho, com o qual, sob a orientação e comando de Mestre Telê, conquistou uma copa internacional: a Copa CONMEBOL de 1994. Acreditem, não foi e não é pouca coisa.

Daí pra frente todo mundo conhece o trabalho brilhante de Muricy no Náutico, Internacional, São Paulo, Fluminense e Santos. No Palmeiras seu insucesso tem nomes e sobrenomes, mas isso não é assunto para agora.

Muricy é um cara simples e direto, o que contribuiu para a criação de um certo folclore sobre ele. Não se deixem, porém, levar pelo folclore, pois o cara é inteligente e manja muito de futebol.

Fiquei decepcionado com a atuação de seu Santos em Yokohama, diante do Barcelona, mas recentemente amenizei um pouco essa decepção, pois Guardiola refere-se àquele jogo como o melhor e mais brilhante jogo do Barça sob o seu comando. Naquela noite não teria para ninguém, simplesmente.

No São Paulo, em minha opinião, Muricy cometeu um erro trágico: respeitou demais o “seu” Juvenal e não se impôs como deveria. Cansou de engolir sapos e receber jogadores que em nada combinavam com o que precisava, com o que planejava, do que Juninho foi um exemplo perfeito e acabado. Espero que ele se imponha como deve, sem arrogância, mas com autoridade, diante da direção rubro-negra.

Direção que precisará ter paciência.

Futebol não nasce pronto. Não nasce do dia pra noite.

Treinador precisa de tempo. Todo treinador.

Tendo tempo e autoridade, ainda mais como prometido para cuidar desde a base, acredito muito no sucesso de Muricy à frente do Flamengo.

Creio que fará História.

E, por favor, tal como pede Pep sobre o tiki-taka, incompreendido e distorcido, parem de falar no tal “muricibol”, que é nada mais que uma grande bobagem.

Fonte: Olhar Crônico Esportivo

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