“Não dá mesmo para confiar na cartolagem…”

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A maioria dos dirigentes de clubes passa o ano dizendo que é preciso promover mudanças no futebol brasileiro e na CBF. Aí, quando o destino dá a todos eles a possibilidade de, no mínimo, marcar uma posição contra o presidente licenciado Marco Polo del Nero e suas Federações – por exemplo, trabalhando para lançar uma candidatura isenta e com ideias modernas – o que se faz? Volta-se à condição de gado e se dá à CBF o aval oficial para a manobra eleitoreira. Das federações não se podia esperar nada diferente. Afinal, agora até salário pago pela CBF eles têm, graças à medida criada pelo generoso José Maria Marín, antes de ser preso. Mas os presidentes de clubes?

Pego exemplos de dois clubes que em 2015 pareciam querer liderar um movimento de mudança contra o que há de pior nas Federações. O Flamengo, pelo menos, não pode ser acusado de ter votado no Coronel Antonio Carlos Nunes, que, eleito, será o substituto de Del Nero (caso ele deixe de vez a presidência da CBF) pelo fato de ser o mais arcaico… ou melhor, o mais velho entre os vice-presidentes. O Rubro-Negro não compareceu à “eleição”, preferiu mandar um documento com uma série de propostas para melhorar o futebol. Tudo bem, mas faria muito mais bonito se fosse à CBF e votasse contra.

Pior fez o Fluminense. Passou o ano inteiro vociferando contra a Federação do Rio. Depois do jogo contra o Palmeiras, pela Copa do Brasil, o presidente Peter Siemsen deu uma entrevista descompensada contra a CBF, a Comissão de Arbitragem, e disse que ia fazer e acontecer. Pois foi ele, pessoalmente, numa sessão presidida por Rubens Lopes (presidente da Ferj), votar no Coronel da PM paraense, entre outras coisas, candidato apoiado por Rubinho.

Mas, pensando bem, não é só das Federações que não se pode esperar outra coisa. Se os clubes que se dizem mais modernos não conseguem manter a ideia de uma Liga por mais de dois meses – por causa de ciuminhos de cargos e briguinhas por valores do que se viria a arrecadar no Rio-Sul-Minas – por que seriam capazes de se unir em torno de qualquer outra medida moralizadora?

Já havia comentado por aqui que achava a administração de Siemsen confusa. Estou tentando ser convencido do contrário, mas cada vez é mais difícil…

Fonte: Blog Entre as Canetas / GE

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