Uma dança que nunca para – a “dança dos treinadores”

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As manchetes e os programas de televisão desses dias estão tomados pela “caça aos técnicos”.

Todo mundo quer o Sampaoli, ainda mais agora que ele é um dos indicados a “Melhor do Mundo”, ao lado de Guardiola e Luis Henrique (isso é o que se pode chamar de estar bem acompanhado).

Flamengo, São Paulo e Atlético Mineiro tem dominado parte das manchetes na “caça aos técnicos”.

Na Gávea, situação e oposição já tem ou dizem ter, cada qual, o seu treinador. Muricy pela situação, Sampaoli pela oposição.

O Atlético demitiu Levir, queria Muricy, sondou Sabella, sonha com Cuca.

O São Paulo vive terrível crise financeira, ao lado da política, mas no Morumbi ainda se fala no mesmo Sampaoli falado no Flamengo, ainda se sonha com o mesmo sonhado Cuca do Atlético Mineiro, fala-se em Aguirre…

Se a Copa do Brasil e com ela a vaga na Copa Libertadores não for conquistada, não é nem um pouco difícil que o atual bicampeão brasileiro, Marcelo Oliveira, seja demitido pelo Palmeiras. Tal como foi demitido do seu Cruzeiro bicampeão na 4ª rodada desse Brasileirão.

Todo esse empenho, todo esse desgaste, tanto esforço e até confusões por um funcionário que, já se sabe, terá vida curta no clube…

Vida curta, sim, basta olharmos o histórico e os números que tão bem explicam a pobreza crônica que afeta nosso futebol.

Nesse ano de 2015, como nunca antes na história – epa! – desse país, um recorde foi quebrado: dos 20 treinadores que começaram o Brasileirão da Série A, somente um – um só, único, solitário – chegou ao final no mesmo clube, sem ter saído para uma “voltinha”: o campeão Tite do campeão Corinthians.

Esse fato não é coincidência. Não se pode dizer que o time foi campeão só porque não trocou treinador, mas não se pode deixar de dizer, em momento algum, que foi campeão também porque não trocou o treinador.

Mais um detalhe: por mais caro que Tite possa ser ou digam que seja, certamente ficou barata sua permanência. Caro, mesmo, é contratar e demitir. Caro para o futebol que se pratica e deixa de ser praticado, e caro financeiramente, pois, mesmo que não haja multa por quebra de contrato, sempre há alguma compensação e mais despesas, pagamentos a serem feitos, custos desnecessários que acabam por impactar as combalidas finanças de nossos clubes.

Outro detalhe extremamente significativo: nos últimos 8 anos o Corinthians teve cinco treinadores. Basicamente, somente dois: Mano Menezes, de 2008 a 2010, quando deixou o clube para assumir a Seleção Brasileira, voltando para o clube durante 2014. E o mesmo Tite de 2015, que também esteve à frente do clube entre 2010 e 2013, período das grandes conquistas corintianas. Adilson Batista, contratado para o lugar de Mano, ficou poucos meses.

Isso é produto de gestão. Não se pode esquecer que era Tite o treinador derrotado e eliminado pelo Tolima (quem? Ah, o Tolima, que depois disso ficou famoso) na classificatória para a Libertadores. Eliminado, sim, demitido não. O resto é história. Deixemos, agora, o campeão e seu treinador de lado.

Os outros 19 clubes fizeram 32 trocas de treinadores! Em alguns casos, poucos, os clubes não tiveram culpa, pois foram preteridos pelos seus treinadores, como a primeira troca do Figueirense (Argel saiu para o Inter), a segunda da Ponte Preta (Doriva foi para o São Paulo), a terceira do São Paulo (Osorio saiu para a Seleção Mexicana) e a única do Sport (Eduardo Batista foi para o Fluminense).

Teve time que teve 4 – quatro! – treinadores durante a competição, como Flamengo, São Paulo e Goiás. Já Coritiba, Vasco, Fluminense e Cruzeiro tiveram três treinadores.
Alguns interinos não contam, outros têm que entrar nas contas, como Milton Cruz.

A dança dos treinadores começou já na segunda rodada, com as quedas de Scolari no Grêmio e Drubscky no Fluminense.

Na terceira dançou Vanderlei Luxemburgo, demitido do Flamengo.
Na quarta rodada, por incrível que pareça, dançou o bicampeão brasileiro, Marcelo Oliveira!

Tivemos quedas de treinadores em 20 das 38 rodadas do campeonato!

Em 10 rodadas do campeonato tivemos somente uma queda de treinador. Nas outras dez tivemos dois treinadores caindo e na campeoníssima 26ª rodada, tivemos nada menos que 4 – quatro! – mudanças: Renê Simões no Figueirense, Enderson Moreira no Fluminense, Julinho Camargo no Goiás e Eduardo Batista que trocou o Sport pelo Flu.

Na antepenúltima rodada, a 36ª, dançaram Osvaldo Oliveira no Flamengo e Levir Culpi no Atlético Mineiro.

A dança dos treinadores não parou. Teve dança no começo, no meio e no fim. Uma dança se paradas.

E agora vemos os clubes e seus dirigentes assanhados, ou desesperados, atrás de treinadores.

Quase dá para perguntar: para quê?

Fonte: Olhar Crônico Esportivo

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  • EU PREFERIRIA VER A DISGRAÇA DO DUNGA COMO TECNICO NO FLAMENGO DOVQUE TER SAMPAOLI OU MURICI, MAS COM UM BABACA COMO WALLACE CANTEROS E PAULINHO NO FLAMENGO....

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