Sejamos justos. Ninguém pode ser acusado de ser esperto demais por fazer análises definitivas sobre o elenco, tendências táticas e perspectivas de G4 do Flamengo 2016 após a festiva disputa da Taça Asa Branca, em Fortaleza. Não dá pé, é simplesmente muito prematuro fazer qualquer julgamento depois de só um jogo. Mesmo para os réus habituais que porventura tenham reincidido em conhecidas delinquências há que se conceder um tempo antes da detonação generalizada. Tempo necessário para que a filosofia aquitrabalhista de Muricy Ramalho, doutrina que julgamos ser um dos fatores preponderantes para o sucesso pregresso do nosso treinador, faça algum efeito na cabeça, na mente e no cérebro da nossa rapaziada.
Claro que todo torcedor enxerga o Flamengo de forma muito particular, mas aparentemente existe um consenso de que a equipe atual ainda se encontra em um estágio muito rudimentar em termos de entrosamento. Natural, chegaram vários amigos novos, os caras precisam se conhecer, trocar uma ideia, treinarem um mínimo de horas juntos, compartilharem umas refeições. Conquanto que em tais libações não se consuma nada que não esteja devidamente autorizado pela equipe de nutricionistas do clube, o convívio do elenco extracampo só trará benefícios. Só mesmo depois de devidamente amigados e familiarizados com as ideias do Muricy que os jogadores poderão ser julgados com alguma isenção.
Estranho seria se o Flamengo pisasse o gramado do Castelão todo arrumadinho, jogando por música, depois de duas semanas de pré-temporada em Mangaratiba. Óbvio que não ia rolar. Papai Noel não existe. Mas gostei de quase tudo que vi ontem, fora os gols dos caras e os penais desperdiçados. E salvo a quebra de uma invencibilidade em disputas de pênaltis que já durava quase 11 anos, vi o jogo sem maiores preocupações coletivas. Quero crer que estamos no caminho certo.
Preocupado mesmo só fiquei com o Guerrero. Ficar muito tempo sem fazer gol é muito ruim pro centroavante. Ontem ele até chegou mais perto, no nosso segundo gol, que pareceu pela TV ter sido contra, na verdade foi o campo de energia subatômico do Guerrero que empurrou aquela bola pra dentro. Teoria simpática, que apesar de aceitável no campo da física quântica, não é de qualquer serventia na contabilidade dos anais futebolísticos. Guerrero continua sem marcar oficialmente desde agosto do ano passado. Precisam providenciar o imediato conserto do descaôlizator para que tudo volte ao normal o quanto antes.
Já perdi até a conta de quantas vezes repeti a mesma peroração aos amigos e amigas: Esqueçam 2015! Annus horribilis. Não vejo como será possível alcançar as nossas altíssimas metas aspiracionais se continuarmos aferrados ao amargor dos maus momentos de um ano em que a sorte nos foi impiedosamente madrasta. O que aconteceu em 2015 deve ficar em 2015. Não quero começar o ano com antipatias antigas. Vou julgar os caras pelos que eles fizerem em 2016. Domingo tem jogo contra o Santinha lá nos Arrecifes, é mais uma oportunidade de exercemos nosso sagrado direito à crítica, à esculhambação e ao julgamento implacável. É por isso que eu adoro o futebol! Ainda bem que o Flamengo está de volta às nossas vidas.
Mengão Sempre
Arthur Muhlenberg
Fonte: República Paz & Amor
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assista as skills do novo reforço do flamengo. https://www.youtube.com/watch?v=NPPx9nFiuno
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Grande Muhlemberg! Excelente texto. É bem isso. O que é preocupante, diga-se de passagem é que o time é basicamente o mesmo, cometendo basicamente os mesmo erros.