Se o início de temporada é fase de experiências e de buscar evolução, pode-se dizer que o Flamengo viveu, no Mineirão, cada faceta desta etapa do ano. Muricy Ramalho tem testado novo esquema e, contra o Atlético-MG, viu um segundo tempo encorajador. Voltou do intervalo um time que controlou o jogo, foi seguro na defesa e contundente para construir a vitória. E, para aliviar outra preocupação recorrente dos rubro-negros nos últimos meses, a vitória por 2 a 0, na estreia do time na Primeira Liga, veio com dois gols de Guerrero.
Resta saber se é a falta de um camisa 5 especialista, talhado para a função, se é a percepção de que precisa evitar os contragolpes às costas dos laterais, ou a falta de um meia com melhor passe. O fato é que o 4-3-3, sistema de jogo que Muricy Ramalho planejou durante toda a pré-temporada para o Flamengo, saiu de cena. A rigor, foi usado só no primeiro amistoso. Não se sabe se voltará quando o volante Cuéllar estrear e quando Mancuello estiver disponível.
O treinador rubro-negro pareceu se sentir mais seguro no 4-4-2 com que tenta resolver algumas questões. Uma delas, evitar que Sheik tenha que correr pela lateral ao longo dos 100m de campo. Virou um segundo atacante, voltando até o meio-campo e guardando energia. Na hora da construção das jogadas, chegou a trabalhar na intermediária, quase como um meia por trás de Guerrero, aproximando o time de um 4-2-3-1. A marcação com duas linhas de quatro mantinha Willian Arão e Márcio Araújo à frente da defesa e tentava proteger mais a área.
Acontece que o time não funcionou até o intervalo. Até teria sido um Flamengo mais seguro, não fossem as perdas de bola que expõem a defesa a contragolpes. Uma delas originou a melhor chance do Atlético-MG, numa arrancada de Dátolo que terminou com chute de Giovanni Augusto e Gabriel salvando quase na linha. Mas mesmo com a defesa posicionada, o Flamengo permitiu finalizações ao rival. Tiago cabeceou na trave após um córner. E o goleiro Paulo Victor foi salvador em chute de Giovanni Augsto.
São dois times em estágios diferentes de construção. O Atlético-MG vem da temporada passada, quase toda a base mantida após um ano inteiro de trabalho. Tem movimentos mais coordenados, conseguia ser mais prático na hora de atacar. E a noção coletiva ajudava seus jogadores a, individualmente, renderem melhor do que os rubro-negros no primeiro tempo. Mas a sensação de que este Atlético-MG de Diego Aguirre se protege melhor com as linhas mais recuadas, equilibrando o time superofensivo de Levir Culpi, iria ruir no segundo tempo diante da melhora nítida dos rubro-negros.
O Flamengo do segundo tempo foi mais equilibrado, mais controlador do jogo. Ganhou o meio-campo, evitou as perdas rápidas de bola e foi pouco ameaçado. Seriam 45 minutos marcados pelo crescimento do time como conjunto, da melhora individual de jogadores como Willian Arão no meio. E, claro, da redenção de Guerrero, sufocado por questionamentos desde o fim de 2015.
Apesar do domínio na etapa final, faltavam contundência e, também, oportunidade para o time exercitar a sua natural vocação para o jogo de velocidade. A entrada de Marcelo Cirino aberto pela direita, na vaga de Gabriel, ajudou a construir o cenário favorável para o jogo ser decidido. O gol, marcado aos 22 minutos, teve participação fundamental de Cirino com sua arrancada pela direita. Mas o lance será lembrado pelo fim do jejum de Guerrero, que não marcava desde 23 de agosto. O peruano não foi eficiente apenas ao finalizar. O passe preciso para Cirino avançar também foi de Guerrero. Aos 42, em passe de Sheik, o peruano acertou o canto direito de Victor para matar o jogo.
Fonte: CEM
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O Mansur é um dos poucos jornalistas esportivos que respeito. Gosto bastante das suas avaliações e reportagens.
No intervalo tivemos o dedo do Muricy, provavelmente chacoalhando a moçada e informando para eles acreditarem mais neles e no esquema praticado. Com isto encurtamos espaços, fizemos aproximação entre defesa - meio - ataque e não demos muita ou praticamente nenhuma chance para o Galo Mineiro.
Juan, Arão, Cirino e Guerrero foram os destaques da equipe e deram bastante consistência à equipe.
A assistência do Sheik foi qualquer coisa de absurda...