O mundo é uma bola (desculpe, elipse) e, como tal, roda. Impressionante como algumas coisas remetem a outras que aconteceram no passado, em todas as esferas: política, artística, cinematográfica… e esportiva.
Dificuldades na economia e ebulição no âmbito político: 1986 já tinha lá as suas semelhanças com 2016. No futebol, a CBF, adivinhem, estava em crise: após eleição turbulenta, Octávio Pinto Guimarães era o presidente, mas quem dava as cartas na entidade era Nabi Abi Chedid. O Brasileirão, sedimentado a muita politicagem barata, contaria com 80 clubes e o que já era bagunçado ficou ainda mais.
Um caos total.
No ano seguinte, Flamengo e São Paulo se recusaram a ceder jogadores para uma excursão da Seleção Brasileira. A força dos clubes era uma ameaça real à cambaleante confederação, e o presidente rubro-negro da época, Márcio Braga, chegou a comemorar: “é o fim do autoritarismo no futebol brasileiro”.
Três décadas depois, infelizmente, vemos que não.
Ainda em 1987, Octávio Pinto Guimarães, o tal presidente sem tanta moral, revelou que a CBF não tinha dinheiro o suficiente para custear a organização do campeonato nacional – que à época já era o principal no calendário do país. Solução possível, e lógica, seria deixar os clubes organizarem o certame. Mas a CBF não ia largar o osso.
No mês de julho, o Clube dos 13 foi criado, com excelentes ideias. Uma delas, a formação de uma liga independente – anos antes da criação da Premier League inglesa, veja só! -, que acabou se tornando a Copa União. Se não pensasse tão pequeno e de maneira tão mesquinha, a CBF ficaria até aliviada. Mas preferiu ameaçar quem estava no Clube dos 13 com desfiliação. Muito parecido com o que fez em nota emitida aos clubes que formam a chamada “Primeira Liga”, 30 anos depois.
Acabou a Guerra Fria, a internet ficou popularizada, passamos por vinil, toca fitas, cd e mp3 além de outras inovações… e a CBF continua atrapalhando o desenvolvimento do futebol nacional.
Em 1987, o Clube dos 13 dialogou com a entidade e o resultado mais claro, a cicatriz mais aparente, é o asterisco no Brasileirão daquele ano. Uma marca simbólica, apenas, já que os conhecedores de futebol sabem quem foi o campeão.
Mas o fato é que naquele momento o Clube dos 13 perdeu a maior parte de sua força. Apesar de ter ‘morrido’ em 2011, quando as agremiações negociaram separadamente os direitos de TV, o grupo já estava doente desde o fim da década de 1980.
Nesta quarta-feira, estreia a Primeira Liga (que tem nome igual ao do Campeonato Português, mas é a ‘Sul-Minas-Rio’) e os clubes parecem estar prontos para a luta contra a CBF – e FERJ, para a dupla Fla-Flu. Que a luta siga. Afinal de contas, com todas as entidades futebolísticas sem muito crédito, o momento nunca foi tão bom para buscar a melhora no esporte que é paixão nacional.
Fonte: Tauan Ambrósio | Goal
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