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Ex-Confiança, Jailton lembra dos tempos de Fla com orgulho: “Não passei. Joguei”

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A camisa 14, com autógrafos de todos ex-companheiros, é uma das muitas lembranças que Jailton tem dos tempos de Flamengo. Vestindo vermelho e preto, Jaiton da Cruz Alves, hoje com 33 anos, fez 88 partidas e pode contar aos dois filhos, aos amigos e à família com orgulho dos tempos que vestia a 14 ou até a 5. Marcou dois gols, foi bicampeão carioca – em 2007 e 2008 – e, apesar de conviver por um tempo com as críticas de torcedores, recorda com carinho dos amigos que ficaram dos tempos de Gávea. Veja no vídeo acima.

Sergipano, nascido em Aracaju, Jailton hoje está afastado do futebol. Desde maio do ano passado, não joga mais profissionalmente. Depois de fazer parte da campanha do acesso da Série D para a C do Confiança, ele foi dispensado pelo clube, com quem tinha contrato até dezembro de 2015. Na Justiça, conseguiu a rescisão e o direito de receber os salários. Parece desiludido em voltar a jogar e já mira outro futuro: professor de educação física. No futebol, no máximo, auxiliar. Treinador não passa pela sua cabeça.

– Preciso correr atrás. Fiquei muito tempo sem estudar. Agora estou estudando à noite – conta Jailton, que, por este motivo, deve perder a partida do Flamengo contra o Confiança.

Da época do Flamengo, ele lembra com carinho de “Papai” Joel Santana – “Ele é fora de série. Tinha grupo de 20 e poucos jogadores na mão sem ser regime militar” -, dos amigos que vieram do Ipatinga com ele – trazido pelo técnico Ney Franco após chegarem na semifinal da Copa do Brasil de 2006 (sendo eliminados justamente pelo Fla) – e do capitão Fábio Luciano. Ele relata a lealdade do jogador quando chegou a ser praticamente colocado para fora do clube por pressão da torcida rubro-negra.

– Jogar no Flamengo é estar no céu e inferno constante. Lembro de um episódio quando estávamos perdendo de 1 a 0 para o Internacional, o Caio Júnior era o treinador. E a torcida começou a me vaiar. No intervalo, ele me tirou, colocou Jonatas. Empatamos e viramos o jogo. Nessa mesma semana a organizada foi no clube para questionar a minha permanência. A diretoria me chamou para começar, disse que não tinha ambiente para ficar no Flamengo. Eu falei: “quem tem que dizer isso sou eu. Não é assim”. Quando saí, liguei para o Fabio Luciano, que tinha participado da reunião, e ele disse: “Fica tranquilo que não vai acontecer nada. Se mandarem você embora, eu também vou.” Sou grato a ele pelo resto da vida – lembra Jailton, que após esse episódio virou tema de preleção de Caio Júnior, com reportagens lembrando a importância tática dele em campo e dos companheiros o elogiando.

Confira alguns trechos da conversa com o sergipano Jailton:

Início em Aracaju

Sou de família mais humilde, mas graças a Deus não cheguei ao ponto de passar por necessidade. Mesmo na época de escolinha, que se chamava Zebra, perto do meu bairro em Aracaju, sempre trabalhei. Seja como vendedor ambulante, como carregador na feira. Mas depois, quando me profissionalizei, consegui ter meu dinheiro sem precisar trabalhar.

Aventura em Portugal

Fui com salário que era, se não me engano,de 3 mil euros. Foi uma experiência de vida. Um euro era quase R$ 4, então fui fazendo planos de comprar casa, essas coisas. Eram quatro meses de empréstimo. Mas dos quatro meses, não recebi três e logo nos três primeiros. Sorte que conheci um brasileiro que, coincidentemente, era de Aracaju. O Guga. Ele me viu abrir a boca no vestiário, percebeu pelo sotaque que era da terrinha e me abraçou. Se não passei fome por lá foi por causa dele. Até gás foi cortado no meu apartamento.

Arrancada de 2007

A gente ia para os jogos sabendo que a gente ia ganhar. Principalmente naquela nossa arrancada de 2007. Não sabia de quanto, mas sabia que ia ganhar. Olhava para o outro, sabia o que fazia, onde a bola ia, naquele ano que Joel chegou a primeira coisa que fez foi organizar nossa defesa.

Orgulho de jogar no Flamengo

Sou torcedor do Flamengo, sempre que posso acompanho os jogos, até pelos amigos que deixei lá. Com todos treinadores fui titular. Tanto com Ney Franco, Joel Santana, Caio Junior. Então tinha algo né. Poderia não ser aquele jogador que aparecia para a torcida, que fazia gol, mas sabia da minha importância. Por isso costumo dizer que não passei pelo Flamengo, eu joguei no Flamengo. E isso me dá muito orgulho.

Noite de Cabañas

Acho que isso só ocorreu pelo resultado do jogo anterior. Havíamos vencido por 4 a 2, poderíamos perder por 2 a 0 que ainda estaríamos classificados. Acho que houve um “ah, já está classificado, não tem como a gente perder”. Se fosse um jogo que nós precisássemos ganhar, alguma coisa desse tipo, acho que o Fabio Luciano, que foi vetado, por exemplo, teria ido para o jogo. Mas não foi ele (Fabio) quem decidiu isso (de não jogar). Mas parece que tinha que acontecer. Todos os três gols foram bolas desviadas. Bolas que se fosse direto no gol nunca que o Bruno tomaria aqueles gols. Eu lembro daquele jogo, quando estava 2 a 0 e teve a falta, que foi o terceiro gol. Quando mostra o lance, mostra que estou na barreira, quando a bola desvia no Obina, se não me engano, mostra a minha reação, que é de colocar a mão na cabeça, de desespero mesmo.

Papai Joel 

Um dos melhores de se trabalhar. Até hoje temos contatos, no aniversário de 25 de dezembro. Não só ele como Ronaldo Torres, que era preparador físico na época. Ajudou com conselho, apadrinhou mesmo, tinha a gente como filho. Tinha grupo de 20 e poucos jogadores na mão sem ser regime militar, durão, aquela coisa de caixinha, como tem na maioria dos clubes. Todos respeitavam, seguiam o que determinava. Ambiente era bom demais.


República do pão de queijo
Para mim esse rótulo não foi prejudicial. De todos que foram o único que acabou jogando mesmo fui eu. Na época, antes chegaram Léo Medeiros, Diego Silva e Walter Minhoca (do Ipatinga). Quando saímos da Copa do Brasil para o Flamengo, foram para o Flamengo, Ney Franco e Paulinho, volante. No fim do ano, acertamos eu e Luizinho. Só que também chegou Irineu, zagueiro, que não saiu do Ipatinga para o Flamengo, mas já tinha jogado no Ipatinga, tinha o Moisés, Leandro Salino e Gerson Magrão, que também tinham jogado no Ipatinga. Aí criaram aquela coisa. Queriam colocar como se fosse uma panelinha. Mas você sai de time pequeno chega no Flamengo, outro mundo, e tem Léo Moura, Renato Abreu, Bruno, Juan… Uns caras que você só via pela TV. Você fica sem saber se comportar direito. Fica meio na sua, calado, procura observar para se adaptar. Mas no meu caso não tive problema com ninguém. Me relacionava bem com todos, do porteiro ao presidente.

Fonte: GE

Ver comentários

  • É bom conhecer a história de jogadores menos badalados no futebol.

    Pessoas que vieram de baixo, que sofreram, e tem orgulho de dizer que chegaram a jogar no Flamengo como o auge da carreira.

    Enquanto isso outros jogadores de renome fazem pouco caso do clube, nem preciso falar do imbecil que fingia que jogava porque o clube fingia que pagava.

  • Esse foi muito Ruin... Infelizmente não só passou...jogou !... Jaílton, Irineu, Wellington,Márcio caramujo.... Tudo farinha do mesmo saco!

  • Perto do Jailton o Márcio Araújo é craque. Jailton foi disparado o pior volante que jogou no Flamengo em todos os tempos.

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