O Maracanã na minha infância era meu lugar preferido. Mágico. Já era completamente apaixonado por futebol desde os 6 anos, mas pouco frequentei o Maraca até os 12, 13 anos. Ali, em 1991, passei a acreditar que o Maracanã era realmente meu. Inegável dizer, portanto, que Júnior, o Maestro, acabou sendo meu maior ídolo (que o Deus Zico não me escute). Mas desde 1991, quem embalava o sonho de me tornar jogador do Flamengo era ele, o cara da grande área, o artilheiro com a cabeçada mais mortal de sua época: Gaúcho.
Na verdade, odiei Gaúcho por um tempo. Acho que todo rubro-negro o odiou por uma noite, quando, em 1988, enfrentava o Flamengo no Maracanã, defendendo o Palmeiras. Em determinado momento do jogo, Zetti, goleiro palmeirense, se lesionou e Gaúcho acabou indo para o gol. Naquela época, quando o jogo terminava empatado, havia disputa de pênaltis. E não é que Gaúcho pegou 2 pênaltis e o Palmeiras venceu a disputa?
Até Gaúcho voltar para o Fla (sim, ele jogou no Flamengo na base), ouvir o nome do artilheiro me lembrava aquela fatídica noite. Mas foi só chegar no rubro-negro, que esqueci esse pequeno deslize pelo caminho. Ele chegou, se juntou aos nossos craques e ajudou o Flamengo nos títulos da Copa do Brasil de 90 e do estadual de 91.
Mas foi o Brasileiro de 1992 que mais marcou sua passagem pelo Fla. Quem não se lembra daquele primeiro tempo do primeiro jogo da decisão contra o Botafogo, quando o Flamengo decidiu o campeonato em 45 minutos? Piá cruzando na área e Gaúcho de cabeça marcando mais um gol para o Flamengo. Aquele jogo foi marcado por uma aposta entre Gaúcho e Renato, que culminou na demissão de Renato do Botafogo. O Flamengo se sagrava, no domingo seguinte, pentacampeão brasileiro.
Gaúcho não era brilhante, craque, mas conseguia o que a maioria dos nossos atacantes de hoje em dia, tem dificuldade: excelente posicionamento na área e uma cabeçada sempre forte e bem colocada: gritar gol, com ele em campo, era mais fácil. Gaúcho era o tal homem-gol que hoje anda em extinção por aí. Ainda tinha a irreverencia que hoje é “desrespeito ao adversário”. Quem aqui lembra de Gaúcho apontando para o Chicão (jogador do Botafogo) e para a própria orelha, sendo respondido prontamente pela torcida do Flamengo: “Chicão, Chicão, filho da p&%, cabeçudo e orelhão”? Estava no maraca. Eu vi e cantei.
Hoje Gaúcho se foi. Deixou filhas, família e um monte de admiradores. Se juntou a um time de craques no céu: Sócrates, Garrincha, Nilton Santos, Carlinhos Violino, entre outros. Você, leitor, pode até achar que nesse time ele não vai ter vaga. Mas basta entregar a camisa 9 para ele, cruzar na área e correr para abraçá-lo. Vá em paz, artilheiro!
Felipe Foureaux
Fonte: Falando de Flamengo
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Com certeza, está entre os cinco melhores atacantes que eu vi jogar pelo Flamengo. Vai com Deus irmão.
Foi a época que eu tava indo com mais frequência no Maracanã, inclusive nas duas finais.
Aquele time cheio de pratas da casa sob o comando do Maestro Júnior dava orgulho,e o Gaúcho era mortal nas cabeçadas. Ainda tenho a camisa 9 do Flamengo que usei naquelas finais pra torcer, vai ficar de lembrança de uma época maravilhosa.
Descanse em paz e obrigado por tudo Gaúcho!