“Nada é por acaso, nem no futebol”. Assim Mancuello finalizou texto que postou em suas redes sociais após a vitória por 3 a 0 sobre o Boavista, neste sábado, em Volta Redonda. O primeiro gol do jogo foi dele, de falta, e com certeza não foi por acaso. Desde sua chegada ao clube, treina ostensivamente o fundamento. Porém os 41 dias longe dos gramados não se restringiram a repetições de cobranças. Antes de voltar a trabalhar com bola, pegou pesado nos trabalhos físicos e fazia questão de postar tudo na internet. Fora de campo, garante ter parado para estudar a história do Flamengo e o português. No último caso, parece ter surtido efeito, pois na volta do intervalo Mancu teve longo papo com Alan Patrick, seu parceiro na criação de jogadas.
– Foram dias de muito trabalho, muita dedicação, muito esforço para voltar bem e pronto para representar a loucura de 40 milhões. Aproveitei esse tempo fora dos gramados para entender mais ainda o que é o Flamengo e seu torcedor que ultrapassa o limite do amor. Também estudei português, aprendi músicas e costumes. Voltei hoje e antes de bater aquela falta tinha certeza que ela entraria de qualquer maneira. Com toda humildade que tenho, o jogador sabe algumas vezes quando algo acontecerá para si. E aconteceu… Agora é trabalhar mais ainda! Nada é por acaso, nem no futebol. Vamos por mais é será um 2016 de alegrias – postou.
Quem também conversou bastante com o camisa 23 foi Jorge. O lateral diz que a entrada do argentino foi fundamental para poder avançar e levar perigo pela esquerda.
– Acho que muda muita coisa, é um cara de muita intensidade, está o tempo todo me chamando para conversar e falando para eu passar que ele vai estar sempre me olhando e dando a bola. Hoje o Muricy me pediu bastante para passar, porque o lado direito estava muito concentrado, já que o Rodinei é muito forte com o Cirino. O treinador do Boavista marcou bastante lá, e eu tive espaço por aqui e pude subir.
Papos à parte, em campo Mancu mostrou justamente o que Jorge disse: intensidade. O gringo geralmente acompanhava Alan Patrick de perto, sempre dando opção. Alinhados, os dois só se desgrudavam quando um deles pegava na bola. Se Patrick a dominava, Mancu disparava para a esquerda.
Algo diferente que o argentino entregou à equipe de Muricy foi o poder de fogo em chutes à longa distância. Foram três disparados, todos de fora da área, e um que teve como destino final o ângulo direito de Vinícius. Bateu escanteios, fez tabelas e aguentou 78 minutos em campo num retorno quase tão positivo quanto à última partida que havia feito, contra o Resende, em 28 de fevereiro.
– Não tinha expectativa (de quanto tempo jogaria). Eu venho jogar, depois o que acontece em campo eu não posso saber. Voltei com calma, estou feliz porque, graças a Deus, pude voltar a ajudar o time e saí com uma vitória.
Sobre se o 4-4-2 é o esquema ideal, com ele dividindo a responsabilidade da armação com Patrick, evitou palpites e valorizou a pluralidade de alternativas, que, em sua visão, Muricy Ramalho tem à disposição.
– Flamengo tem muitas opções de jogos, tem grandes jogadores em todas as posições. Hoje a gente fez um bom trabalho. O treinador tem facilidade por ter muitos jogadores que podem fazer diferente.
Fonte: GE
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