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Em alta no Flamengo, Willian Arão reencontra o ‘desafeto’ Botafogo

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Durou apenas uma temporada, mas foi intensa a relação de Willian Arão com o Botafogo. Contratação pouco badalada no início de 2015, o volante logo caiu nas graças da torcida e foi peça fundamental nos títulos da Taça Guanabara e da Série B. Os últimos capítulos do casamento, no entanto, foram de tensão, desgaste e deixaram manchas. Arão virou inimigo público do Botafogo ao deixar o clube de forma litigiosa e transferir-se para o rival Flamengo. A novela se estende até hoje nos tribunais. Neste sábado, em Juiz de Fora (MG), o jogador reencontra o ex-clube pela primeira vez, em clássico válido pelo Campeonato Carioca.

Enquanto durou, no entanto, o casamento foi feliz. Willian Arão deve ao Botafogo a projeção nacional. O volante disputou 59 jogos e marcou sete gols pelo clube. O principal deles – e último -, contra o ABC, no Mané Garrincha, que deu o título da Série B ao Glorioso.

– É claro que a rivalidade sempre existe. Mas nosso jogo não é contra o Arão. É contra o Flamengo. Respeitamos o Arão, é um grande jogador, nos ajudou muito no ano passado. Muitos jogadores aqui são amigos íntimos do Arão. E isso é legal. Mas em campo é claro que vamos defender o nosso, e ele, o dele – ponderou o capitão do Botafogo, Jefferson.

Mas se deixou amigos, Willian Arão também colecionou desafetos em General Severiano. Especialmente entre dirigentes e torcedores, que não aceitaram a transferência para o Flamengo. A carruagem começou a virar abóbora quando, após derrota por 3 a 0 para o Santa Cruz no Nilton Santos, em novembro passado, o jogador reclamou do comportamento da torcida.

– Estamos sofrendo vaia o ano todo, é normal. Quando não ganha, é vaiado, quando é 0 a 0, é vaiado… Temos que escutar o torcedor que vem aqui sempre, os 7 mil que vêm todo jogo. Quando ganha, é mole vir, né? Eles pagam para vir e têm direito de vaiar – desabafou Arão, que desculpou-se no dia seguinte em uma rede social.

– Nunca vou deixar de honrar essa camisa – postou Arão.

Poucos dias depois, porém, ele deixou o clube. Na despedida do Botafogo na Série B, contra o América-MG, Arão foi xingado, mesmo sem estar no estádio. Das arquibancadas, neste ano, surgiram gritos, pedidos e música para Airton “quebrar” o ex-companheiro no clássico.

Início animador no Flamengo

Se no Botafogo Willian Arão marcou gols importantes, no Flamengo ele conseguiu mostrar logo de início a sua veia artilheira. Enquanto no Alvinegro ele precisou de 27 partidas, em seu novo clube ele alcançou a mesma marca de quatro gols em em nove jogos – atualmente ele soma 18 participações com a camisa rubro-negra, ainda sem aumentar o número de gols. De qualquer maneira, o volante ganhou de cara a vaga de titular no time de Muricy Ramalho e segue como um dos mais importantes do grupo. Assim como fazia no ano passado, atua como um elemento surpresa no setor ofensivo, além de ser um dos responsáveis pela saída de bola.

Mas as referências ao Botafogo param por aí. Ainda em envolvido em processo judicial, Willian Arão prefere não mais se referir ao ex-clube. Antes do clássico deste sábado, por exemplo, ele recusou entrevistas. Mas nas raras vezes em que tratou do assunto, deixou claro estar extremamente satisfeito com a escolha feita e fez questão de enaltecer a mudança – positiva – que troca fez para sua carreira.

– A partir do momento que eu tomei minha decisão, ela já tinha valido a pena ali, né? Então, ela valeu, sim, a pena. Jogar no Flamengo também era um sonho (…) Não dá para comparar. É bem diferente mesmo. Tem uma cobrança maior, tem uma proporção maior – disse ele, em entrevista à TV Globo e ao GloboEsporte.com no início de fevereiro.

Na Justiça, Willian Arão acumula vitórias. Em dezembro, o jogador conseguiu liminar na Justiça para se transferir para outro clube mesmo enquanto o Botafogo alegava que havia renovado seu contrato. Em março, o Tribunal do Trabalho do Rio de Janeiro (TRT-RJ) considerou sem efeito a cláusula de renovação automática acionada pelo Alvinegro ao fim do vínculo do jogador com o clube no fim do ano passado. O Bota chegou a fazer dois depósitos de R$ 400 mil para disparar o dispositivo de renovação. Ambos foram devolvidos por Willian Arão, que já desejava se transferir para o Flamengo. O clube de General Severiano recorre da decisão.

Fonte: GE

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