Repete-se a sina de 2015 no futebol carioca. De novo, Flamengo e Fluminense se apresentam como os times com mais recursos, conseguem contratações caras, se tornam mais badalados. Mais uma vez, fracassam diante de elencos modestos e de um futebol solidário de Botafogo e Vasco que chegam à final do Rio de 2016.
Pense no tricolor Fred e no rubro-negro Guerrero. São, possivelmente, os dois maiores salários do futebol brasileiro, ambos acima de R$ 500 mil. O que fizeram os dois neste Estadual? Pouco. E na Primeira Liga? Guerrero teve uma ou outra boa atuação, enquanto Fred esteve fora da maior parte da vitoriosa campanha do Fluminense, preocupado se era escalado ou não, se tinha aumento ou não.
Enquanto isso, com parcos recursos por conta de erros de seus dirigentes passados (e no caso vascaíno, o atual), Botafogo e Vasco apostaram em um elenco recheado de garotos ou na manutenção da base de 2015. Entre os dois grupos, Nenê é o maior salário na faixa de R$ 300 mil. No restante dos dois elencos, a disparidade é ainda maior.
Pois bem, o técnico Jorginho apostou em um time assumidamente defensivo diante de rivais grandes. Arma sua equipe com duas linhas de marcação difíceis de serem penetradas. E faz do contra-ataque, principalmente pela direita, sua arma. Sem brilhantismo, o time é nota seis ou sete. Mas sempre vence uma equipe nota quatro ou cinco.
E o Flamengo de Muricy Ramalho é um time de altos e baixos que tende mais para a reprovação do que para a média para passar. Apesar de vários bons jogadores, não encontrou ainda uma forma de jogar. Uma prova disso foi a mudança do esquema em jogo na semifinal, preferindo os três atacantes aos quatro jogadores no meio de campo.
Não deu certo. O Flamengo não tinha aproximação, e insistia nas bolas longas. Não ameaçava de fato o Vasco – ainda mais porque seu centroavante e estrela Guerrero tinha atuação lamentável. A volta ao sistema anterior, com quatro no meio, de pouco adiantou. O time rubro-negro era inseguro, e o Vasco sabia o que queria e levou a vaga.
Há similaridades com a semifinal esvaziada entre Fluminense e Botafogo. O time de Ricardo Gomes tinha um propósito desde o início do jogo. Pressionar o rival, ter posse de bola, não dar espaços na retomada tricolor.
Do lado tricolor, a velocidade vista na Primeira Liga se perdeu em uma saída de bola deficiente com excesso de erros de passes. Não havia troca de passes no meio de campo, nem no ataque. Fred estava lá na frente, milionário e sem função.
Após o segundo tempo, houve disposição tricolor, mas não o suficiente para mudar a superioridade tática botafoguense. A lição do dia é que não há salários altos que batam um time melhor organizado. O talento faz diferença se houver um embasamento técnico que o ressalte.
Claro, isso não significa que Flamengo e Fluminense irão pior do que os rivais no Brasileiro, campeonato mais importante. O Estadual não é parâmetro para o Nacional. Aliás, a dupla acabou à frente dos outros dois em 2015 (o Botafogo estava na Série B). Mas nunca brilharam e estiveram longe das primeiras posições.
Fato é que, após quatro meses do ano, independentemente da importância do Carioca, é certo que o dinheiro da dupla Fla-Flu não foi suficiente para exibir um futebol suficiente para superar a falta de recursos de seus rivais Botafogo e Vasco.
Fonte: Rodrigo Mattos
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Verdade. Mas vejo no vice e no buá o porque do 7x1. Os times brasileiros apostam na retranca e nos contra-ataques rápidos. Claro que isso dá certo, futebol ofensivo só funciona com peças acima da média, enquanto jogar na retranca dá certo com um bom goleiro e um atacante rápido. A final do carioca vai ser duelo de escudos. O vasco n sabe o que fazer quando tem a bola nos pés e o adversário composto, exceto quando a pelota cai nos pés do Nenê. O Botafogo idem, com o diferencial de n ter alguém que faça a diferença tecnicamente. Ao Flamengo, resta usar esses 20 dias pra treinar recomposição e posicionamento, fazer o time jogar mais junto, enfiar na cabeça dos atacantes que eles precisam marcar e estruturar melhor essa marcação alta. Por fim, finalizacao! Treinar igual jogador de basquete, que treina centenas de arremessos por dia. O time cria, efetivamente, mas esbarra na incompetencia em converter. Coisa que vice e buá fazem muito bem, diga-se passagem.