Apesar de encontrado uma forma de jogar bem com dois meias, Muricy pode usar o esquema que quiser: seja com dois meias, com três atacantes, com três zagueiros, mas é preciso ter um mínimo de organização.
Foram dez dias de treino, dez dias sem viagem, e o que vimos foi uma bagunça absurda contra o Fortaleza na quarta-feira atuando no infernal 4-3-3.
Cuellar sobrando sozinho na marcação, os meias avançando como atacantes, os zagueiros no mano a mano com os atacantes adversários.
O mais surreal foi ver uma linha de cinco atacantes. Impossível que o Muricy não tenha visto isso. É preciso um mínimo de organização técnica. Veja a imagem:
Ficou um vácuo entre meio de campo e ataque e entre meio de campo e zaga. O pobre do Cuellar sofreu com o espaçamento. Na disposição do futebol moderna, as linhas precisam ser encurtadas, compactadas. Tudo que hoje o Flamengo não tem:
Enquanto isso, na Libertadores, os dois únicos times brasileiros que se classificaram para as quartas de final são dirigidos por estrangeiros: Aguirre e Bauza.
Sem contar a impressionante disciplina tática do Atlético Nacional e do baile que o Rosário Central deu no Grêmio na quinta-feira. Os dois vão se enfrentar em um super duelo tático na próxima fase da Libertadores.
Os técnicos brasileiros se mostram cada vez mais limitados e se sustentam mais no talento do que na capacidade de leitura tática de um jogo.
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O desgosto é grande por esse começo de segundo mandato da atual gestão. Seja na questão do estádio para mandar seus jogos, que foi tratada de forma amadora – até o Botafogo conseguiu uma casa, seja agora por virar neo-aliado da CBF, participando de coletiva da seleção brasileira, como se não tivesse um clube em crise e a atividade mais importante deste sendo tratado de forma nada profissional.
Se por acaso o Bandeira quer continuar nessa missão institucional, que continue e faça sua carreira. Mas entregue o futebol do Flamengo pra quem entenda.
Sou totalmente contrário à saída do Muricy neste momento. Ele já demonstrou que não fica preso a ideias: como Márcio Araújo, Émerson e três atacantes (voltou a usar não sei porque) mas, se demiti-lo, não poderá ser o único a sair: Rodrigo Caetano, Godinho, Fred Luz e Biasotto também precisam deixar o Flamengo. Estes são os responsáveis pelo rodízio de treinador e pelo fracasso do futebol que, se nada mudar, vai chegar a quatro anos seguidos da gestão Eduardo Bandeira de Mello.
André Amaral
Fonte: Ninho da Nação
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Que nada o EBM, tá bolando algum plano dentro da cbf, vcs irão ver é só esperar. Enquanto ao Muricy é só mudar pro 442 que resolve tira o Wallace e o PV. Tá resolvido.
Renato, a análise do André é muito boa. Ele, em primeiro lugar, mostra que o problema não é de esquema tático. Eu tb tenho dito isso. Não vai adiantar escolher qualquer esquema se não há organização tática. Puramente trabalho do Muricy.
Depois ele fala da gestão do futebol. A questão do estádio foi muito mal administrada. Ter jogadores no elenco que não se importam se jogam com um pano de chão ou com o Manto Sagrado é um grande problema que não é resolvido. No Flamengo atual contratamos muito e revelamos pouco. Sim, tem que se ter calma (como o caso do Jorge, que já está sendo chamado de merda), só que o Santos e o Flor estão sempre revelando jogadores e nós emprestamos para ganharem quilometragem ao invés de desenvolvê-los aqui. Ocorre que, muitas das vezes, parece que se "contaminam" com a perebice vista em outros clubes. Juan se desenvolveu vendo e jogando com Gamarra. Faz diferença.
Temos que reconhecer o excelente trabalho da gestão Bandeira de Mello, mas sem se cegar que há problemas que existem. Críticas para tornar um trabalho melhor, não para denegrir. Muitos não entendem esta diferença.
Excelente análise.
Muricy já era ..
Engraçado que nesses tópicos ninguém comenta nada né? Cade os defensores do "deixa o homem trabalhar?"