Após 29 anos fora do Flamengo, Mozer está de volta. E muito diferente. O sotaque é lusitano, o cabelo curtinho, e histórias não faltam na bagagem do carioca de 55 anos, nascido em Jacarepaguá e criado em Bangu. Ele era zagueiro, mas jogou nas 11 no período em que esteve longe da Gávea. Foi dono de restaurante, embaixador em modalidades que nada têm a ver com futebol e até “procurado” em série alemã. No mundo da bola, o ídolo chorou de emoção ao falar do Rubro-Negro, indicou ao clube jogador que não vingou e se irritou com “não” a outra sugestão.
No Benfica, outro grande onde se destacou, foi o “subespecial one” de José Mourinho e cavou para dirigir os encarnados.
Confira abaixo causos do novo gerente de futebol do Flamengo.
Mozer lutador
Foi embaixador de federações portuguesas de Jet Ski e Kickboxing. Criou o hábito de andar de Jet Ski na Europa, mas nunca praticou a sério. O interesse por lutas nasceu da influência de Fernando Pinduka, amigo da família Mozer e que é mestre de Jiu Jitsu.
De kart à F-1
Outra grande paixão de Mozer é o automobilismo. Disse que, caso não fosse jogador, gostaria de ser piloto de fórmula 1. Já teve kart com marcha, participou de provas ao lado de famosos portugueses em eventos beneficentes e disputou uma corrida de resistência com carro de passeio. A duração desta foi de 24 horas.
Bronca com “não” a uma indicação
Indicou jogador de 19 anos quando Paulo Pelaipe era o diretor executivo do Flamengo e, ao receber um não, revelou-se magoado e disse que o Flamengo nunca o ajudou
Rodrigo Alvim >>>>>>> Juan
Choro do campeão
Em depoimento ao documentário “Flamengo: Um Século de Paixão”, exibido pela TV Cultura em 1995, Mozer mal conseguiu falar ao lembrar da geração que conquistou tudo pelo Rubro-Negro. Ele disse: “É muita alegria, a gente chora de alegria. A situação que eu pude ter uma casa com piscina, conforto foi tudo graças ao Zico, ao Flamengo. Nunca tive oportunidade de poder agradecer. Essa é minha única oportunidade: obrigado, Zico. Obrigado, Flamengo”.
“The subspecial one”
Principal credencial citada por Bandeira na apresentação, Mozer trabalhou pouco tempo ao lado do “The Special one”. Foi auxiliar no Benfica, mas ficou lá menos de 10 jogos. Os encarnados tiveram eleições durante a temporada, e Mourinho saiu, o que Mozer classificou como “erro crasso” da direção. “Avisei a Manuel Vilarinho (presidente) que tinha ali um dos melhores do mundo”, disse, elogiando ainda mais o hoje treinador do Manchester United: “Sempre me impressionou uma coisa: ele tem respostas para tudo e questões para tudo. Foi ele quem me influenciou a tomar a decisão de ser treinador”.
Campeão com time de polícia na Angola
Cavada no Benfica
Ídolo na Luz, o ex-zagueiro virou comentarista de TV após últimas experiências frustradas como treinador. Em 2009, comentava na TVI24 sobre a crise do seu ex-clube até enumerar qualidades que um treinador deveria ter. “É preciso um nome que conheço muito o clube, que saiba o que a massa quer, que tenha qualidade e seja vitorioso”, disse ele até ser questionado pelo apresentador quem ele indicaria: “Eu. Eu reúno tudo isso. Fui campeão na primeira vez como treinador em Angola. Mereço oportunidade. Estou me candidatando”. Apesar da campanha, não foi chamado.
Mágoa na seleção
Foram 34 jogos com a camisa da seleção brasileira. Reconhecido como um dos grandes zagueiros da sua época, Mozer, porém, não tem boas recordações com a Amarelinha. Foi cortado por lesão em 1986, foi titular em duas partidas na Copa do Mundo de 1990, na Itália, mas, suspenso na terceira partida da primeira fase, acabou perdendo a vaga para Ricardo Rocha no jogo da eliminação contra a Argentina. Antes, formou o trio de zagueiros com Mauro Galvão e Ricardo Gomes, seu companheiro de bons tempos no Benfica. Quatro anos depois, foi convocado para a Copa dos EUA, mas terminou cortado – Aldair o substituiu – em polêmico episódio. Apresentou quadro de hepatite, que teria sido causado por excessivo uso de anti-inflamatórios, e demonstrou mágoa com a comissão técnica de Carlos Alberto Parreira.
Fã de Van Basten e de Rivellino
De aço, mas também de vidro
Nascido em Jacarepaguá e criado em Bangu, Mozer chegou na base do Flamengo com 15 anos. Depois que virou zagueiro, mostrava força da defesa às arrancadas ao ataque. Dava entrevistas em que dizia que agredia mesmo os adversários que mexessem com Zico – revidou e foi expulso após a famosa entrada de Márcio Nunes, do Bangu – e outros indefesos. Mas também se deu mal. Fraturou tornozelo, dedo, fraturou costelas, levou cinco pontos no supercílio, afundou malar, fez cirurgia de menisco e de tíbia e perônio. Tudo isso nos primeiros três anos de carreira no Flamengo.
Procurado em série alemã
Fonte: GE
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