Flamengo e Botafogo é um clássico diferente. É jogo de antíteses, e exageros.
De um lado, nós. Numerosos, confiantes, sorridentes. Felizes simplesmente por sermos Flamengo, por representarmos o que há de mais belo e forte no âmbito da vida. O time de todos. Do miserável ao bilionário; de Zico a Josafá. Um aglomerado de tantos e tamanhos corações que faz com que nada abale as estruturas. Cada rubro-negro tem a razão de se fazer e sentir parte do maior clube de todos.
Do outro, eles. Poucos, desconfiados, conformados. Representantes da paixão e defensores da grandeza que vem do passado. Encantadores esquadrões, craques, ídolos. Não existe clube mais perfeito que o Botafogo para os signos a ele designados. “Estrela Solitária”; “Glorioso”. Lá atrás, Garrincha, Didi, Nilton Santos e cia fizeram dos seus flertarem com o status de Flamengo. Mas eles são Botafogo. Flamengo somos nós.
O 16 de julho de 2016 instaurou a possibilidade de algumas inversões de papéis. Com o mando de campo, sem a divisão igualitária das torcidas, o Botafogo teve a rara oportunidade de estar em maioria nas arquibancadas. Esteve, com claros clarões. Alvinegros não lotaram o espaço a eles destinado.
O maior número de vozes poderia ajudar o fraco time botafoguense a superar o do Flamengo, melhor. Foi o visto no primeiro tempo. Nós com a bola, eles ditando o jogo. Airton inspirado no lado de lá, Éverton no de cá – 2 jogadores que conhecem ambas as faces da rivalidade. Coube ao nosso abrir o placar, empatado pelo lateral-esquerdo deles, cuja camisa contava com “Nilton Santos” escrito logo acima do escudo.
O Botafogo teve Nilton Santos; o Flamengo, Júnior. O lateral-esquerdo rubro-negro também marcou. Jorge desempatou para o Mengo, em mais uma boa jogada de Éverton, que também deu o passe para o terceiro gol. Depois de algumas finalizações à la Cristian Borja, baixou o Doval em Guerrero: 3 a 1 e começou a festa, pintou-se a alegria. Sentimento e ação mais Flamengo que há.
Faz parte da história rubro-negra uma série de tropeços vergonhosos por acharmos que já ganhamos. Efetivado – como Carlinhos, Jayme e Andrade -, Zé Ricardo pensou de tal forma. Sacou o péssimo Cirino e colocou Canteros, na intenção de segurar a praticamente garantida vitória. Chamou para nosso campo o Botafogo, que descontou.
Restavam pouco mais de 10 minutos, era só nos defendermos. Assim, na figura de Zé Ricardo, abdicamos do ataque. Abrimos mão da conquista dos 3 pontos por cogitarmos que eles já estavam conquistados. Saiu a estrela de Éverton, entrou cautela de Cuéllar. E o jogo que, aos 34′, estava 3×1; aos 37′ estava empatado. Canteros teve a chance de sair do banco para decidir um clássico, mas faltou a ele o fator Bottinelli.
No final das contas, Flamengo e Botafogo foram Flamengo e Botafogo. Eles saíram realizados, já que “não podem perder e não perderam para ninguém”. Nós, decepcionados. O “Vencer, vencer, vencer” foi desrespeitado, ignorado.
Fosse um só “Vencer”, teríamos vencido. Mas aí não seríamos Flamengo.
Marcos Almeida
Fonte: Nosso Flamengo
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O time sente demais o gol, o time é covarde e sem sangue.
Tem que chamar o Tiago Silva e outros chorões pra jogar no Flamengo.