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“Tostão e o grande duelo desta noite entre Palmeiras x Flamengo”

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Confira trechos da ótima coluna do mestre Tostão, hoje, na Folha de SP:

“Existe hoje uma preocupação dos técnicos em formar jogadores de meio-campo que marcam e atacam. Não são volantes, nem meias. Pode chamá-los de meio-campistas, armadores defensivos e ofensivos, médios de apoio ou qualquer outro nome que quiser. Porém, isso ainda não foi suficiente para se formar um craque mundial. Renato Augusto é o melhor. Hoje, veremos, talvez, os dois que mais se destacam no Brasileirão com essas características: Willian Arão e Tchê Tchê.

Palmeiras e Flamengo são duas equipes organizadas. Vejo o Flamengo mais calculista, equilibrado, sóbrio, enquanto o Palmeiras é uma mistura de disciplina tática e emoção, correria, pressão, abafa e, às vezes, anarquia. Os estilos refletiriam as personalidades dos dois treinadores? O Palmeiras, em muitos jogos, lembra-me o Galo Doido, dirigido por Cuca.

Alguns vícios e atrasos de décadas anteriores, época dos supertécnicos, estão ainda impregnados no futebol brasileiro, como a marcação individual adotada por Cuca. Contra o Grêmio, Gabriel ia, por todo o campo, atrás de Luan e deixava enormes espaços na lateral direita, que o Grêmio não aproveitou. A marcação individual já foi abandonada há muito tempo, em todo o mundo, até em Messi.

Gabriel Jesus, se não jogar, fará falta. Apesar de seu talento e excelentes atuações, noto nele uma excessiva preocupação em procurar o confronto físico e mostrar que é raçudo, já adulto e que não tem medo de cara feia. Ele tem muito mais talento que isso. Deveria se mirar nos grandes centroavantes, que fogem dos zagueiros, para enganá-los. Romário estava sempre livre.

O jovem e bom técnico Zé Ricardo alterna a escalação de dois pontas velozes com a entrada de um armador, geralmente Alan Patrick, no lugar de um dos pontas. Com mais um meio-campista, o time troca mais passes e ajuda Diego na armação. Além disso, Alan Patrick volta para marcar pelos lados. Márcio Araújo continua jogando bem. Ele, Arão, Diego e, às vezes, Alan Patrick formam um bom meio-campo. Essa também é uma qualidade do Palmeiras.

No passado, diziam que o jogo era decidido no meio-campo. Com os chutões e as bolas longas, típicos da época dos supertécnicos, o meio-campo passou a ser apenas um local de marcação e de passagem da bola pelo alto. Hoje, voltou a ter a importância que tinha.”

André Amaral

Fonte: Ninho da Nação

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