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Bruno Guedes: “Libertadores se joga bem antes de entrar em campo, Flamengo”

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Todo ano, após o sorteio da Libertadores, a imprensa brasileira comete o mesmo erro de apontar os times daqui como favoritos e a alienação de que o Brasil ainda é referência técnica e tática no futebol. Quando a bola rola, todos se decepcionam e falam em “surpresa”. Será surpresa mesmo ou arrogância nacional? Alguns clubes têm a obrigação de ter aprendido a lição após os vexames recentes e como se joga essa competição continental. Entre eles está o Flamengo.

O grupo do Rubro-Negro na Libertadores é um dos mais difíceis. Junte-se a isso, o fato de que, junto do Palmeiras, tem o maior número de eliminações na primeira fase: quatro. Mas isso não é de todo ruim para o Clube da Gávea. Zé Ricardo e seus comandados precisam entrar nessa competição sabendo que do outro lado sempre há uma equipe que se prepara totalmente diferente, sem a costumeira arrogância brasileira de superioridade. Como se diz no jargão, “com sangue nos olhos”. E essa mentalidade humilde o elenco atual tem, como vimos no Brasileirão.

“Uma final em cada partida” deve ser o discurso/clichê do Flamengo. O time será um dos que mais vão querer vencer em 2017. Não só por conter jogadores de peso mundial e experiência como Guerrero, Diego, Réver, Juan e cia, mas porque tem um respeito que cada vez fica no passado por conta dos vexames recentes, como 2010, 2012 e 2014. O time precisará absorver “espírito de Libertadores”. Sempre respeitando o adversário, jogar 100% do tempo focado, não ter medo de se defender e jogar na dificuldade sempre, ter malandragem (a boa, não a catimba) para suportar pressões e não cair no discurso do “aqui é Brasil pentacampeão”.

Só que para isso precisamos aceitar que não somos mais os melhores. Jogar como se fosse a “zebra do confronto”, saber que os argentinos continuam jogando em cima das nossas falhas, das nossas aberturas de espaços, dos laterais que sobem e ficam, do psicológico que força vários cartões amarelos. Que os chilenos pressionam mesmo mas têm paciência e respeito para ler o que o outro faz em campo, que não tem soberba, que não teme o nome “Brasil” mais.

Acabou esse discurso de “grupo da morte” ou “grupo fácil”. Quem faz o grupo é o time e como ele joga. Cabe agora ao Flamengo saber como vai querer ser lembrado em 2017: jogar com espírito de Libertadores ou aumentar a sua extensa coleção de vexames na competição.

Bruno Guedes

Fonte: Goal

Ver comentários

  • Bruno Guedes é vascaíno! Colunista da Espn, mesmo quando era do ESPN FC - do time do vasco, sempre escreveu bem, não é um desses vascaínos doentes mas sim realista. Falou vir é grosso toda a verdade que o Flamengo precisa pra não passarmos vexame como nas duas últimas edições. Textão!!!

    SRN!!!

  • Texto real, não da mais pra jogar a liberta achando que tem bobo.

  • Melhor texto que li por aqui no assunto Libertadores... nada mais a acrescentar. É entrar pra mostrar o futebol que nos colocou nessa competição, mas também sabendo que só bola não faz um time campeão do continente... que Libertadores também se joga com o mental (pra tomar as melhores decisões dentro e fora de campo, pra não cair em armadilhas psicológicas dos adversários e pra entender as situações de jogo e da competição) e com o coração (jogar com alma, com raça, pode fazer a diferença entre um time comum e um time vencedor, ainda mais na Libertadores).

  • Do os parabéns quem escreveu, o texto mas lúcido falando sobre libertadores. Principalmente o Flamengo ☝️??

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