Mattos: “CBF, é hora de coçar o bolso e pagar o árbitro de vídeo”

A falha do árbitro Thiago Ribeiro ao confundir os jogadores do Corinthians e expulsar Gabriel equivocadamente é só o momento mais bizarro do apito nacional, longe de ser exceção. A cada Estadual, a cada Brasileiro, os nossos árbitros não enxergam ou ignoram seguidos lances. São culpados só em parte, sendo os maiores responsáveis a CBF e a federação que não lhes dão nem suporte, nem o profissionalismo já difundido na Europa.

É neste contexto que a confederação tem postergado o momento de introduzir o árbitro de vídeo nos campos nacionais. Após sugerir a medida à Fifa, a CBF reluta em aplica-la porque não quer desembolsar os R$ 15 milhões ou R$ 20 milhões necessários por ano para o Brasileiro. Há outras desculpas, como discussões com a Fifa, mas o motivo financeiro é o real entrave.

Não se trata de uma entidade pobre como se sabe. A receita da CBF girava em torno de R$ 500 milhões considerado o último número conhecido, de 2015. Pode ser que caia a renda pelo abandono de seus patrocinadores após o escândalo de corrupção em que se mateu, mas fato é que sobra dinheiro em caixa.

Ainda assim, a confederação não quer profissionalizar os árbitros e joga o árbitro de vídeo talvez para o Brasileiro-2018 por economia. Nos Estaduais, então, a aplicação deles parece ainda mais remota se não impossível a curto prazo. Mas que pelo menos tenhamos o recurso no campeonato mais nobre do país onde também se verificou outra bizarrice quando Sandro Meira Ricci deixou um Fla-Flu suspenso por 12 minutos para tomar uma decisão.

Se a CBF não quer gastar com arbitragem, muito bem. Que libere os clubes para organizarem suas ligas e deixe que eles usem os recursos do campeonato para bancar uma arbitragem decente. Ou a confederação coça o bolso para gastar com o que realmente importa – o futebol brasileiro em campos brasileiros – ou que largue o osso.

O que não dá mais é para clássicos regionais ficarem submetidos a erros grosseiros como os cometidos pelo árbitro do Derbi. Um juiz que demonstrou o mesmo tipo de miopia do que…a CBF.

Fonte: Rodrigo Mattos | UOL

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