Rocha: “Flamengo na final da Taça GB com controle de jogo, mas podia ter goleado”

Os menos de dez mil pagantes nas semifinais da Taça Guanabara em Volta Redonda e Xerém, com toda a relativização da ausência do Maracanã e inviabilidade do Engenhão, é o símbolo da falência do campeonato carioca e da crise em que se enfiou a sede das Olimpíadas há menos de seis meses.

No Raulino de Oliveira, o início teve o roteiro de praticamente todos os grandes clássicos brasileiros nos últimos tempos: jogadores mais preocupados em mostrar truculência, pressionar arbitragem para mostrar ao torcedor e ao adversário que está ”pilhado”. Só esquecem de jogar futebol.

O Flamengo, com trabalho consolidado e vantagem do empate, entrou primeiro na disputa tática e técnica. Com calma, trocou passes desde a defesa para sair da marcação adiantada do Vasco de Cristóvão Borges que só tinha uma jogada: Kelvin para cima de Trauco, cortando para dentro e batendo de canhota.

Ainda na primeira etapa, Zé Ricardo voltou ao 4-2-3-1 com pontas velocistas depois da saída de Mancuello, com desconforto muscular, e a entrada de Gabriel. A equipe ainda se sente mais confortável desta forma e cresceu no jogo até o pênalti sobre Everton. Falha da dupla de zaga cruzmaltina: Rodrigo deu condições errando a tática de impedimento, Luan chegou depois do atacante rubro-negro e o toque desequilibrou. Cobrança corajosa e precisa de Diego.

O segundo tempo teve Cristóvão demorando a mexer e fazendo errado. Douglas Luiz era um dos melhores do Vasco em campo e saiu para a entrada de Guilherme, recuando Wagner. O meio-campo fez água e passou a sobrar espaços para o adversário, também pela nítida queda física do time.

Com Berrío na vaga de Everton e depois Filipe Vizeu no lugar de Guerrero, o Flamengo empilhou chances aproveitando os espaços generosos. A mais bela jogada com Diego, Guerrero e conclusão de Willian Arão por cima. Foram nove finalizações, pelo menos três oportunidades claras, mais o chute na trave de Diego. Não conseguiu ampliar, porém.

Em um cenário de nove jogos sem vencer o arquirrival, o risco de sofrer o empate e recolocar o adversário no jogo foi desnecessário. Cristóvão ainda tentou com Muriqui e Escudero. Mas Nenê se arrastava em campo e Rever e Rafael Vaz cortaram todas as tentativas. O Vasco precisa de tempo para igualar todos fisicamente e adquirir um mínimo de entrosamento – e ainda falta entrar Luis Fabiano e Bruno Paulista.

O Fla de Zé Ricardo quebra a sequência de insucessos no clássico e se apresenta como uma equipe consciente e fria. Mas podia ter goleado. Em confrontos mais parelhos, como na final do primeiro turno contra o Fluminense, a falta de contundência pode pesar.

Ainda assim, o trabalho sério no futebol é um ponto de contraste com o combalido futebol carioca. Por isso leva o favoritismo para o Fla-Flu.

Fonte: André Rocha | UOL

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