GE: “Oito fatores comprovam que o Flamengo fez excelente campanha na fase de classificação do NBB 10”

O Flamengo tem motivos de sobra para sorrir ao término da temporada regular do NBB 10. Após um começo de ano complicado, com a queda na Liga Sul-Americana antes do início da competição nacional, o time da Gávea se encontrou e teve um saldo altamente significativo em 28 rodadas: 25 vitórias, 3 derrotas, liderança isolada (89.5% de aproveitamento) e vantagem de mando de quadra.

As críticas, muito pesadas em determinados momentos, ficaram no passado. A ferida, causada por uma eliminação traumática, cicatrizou. Quando a tempestade parecia não ter fim, atletas e Comissão Técnica se uniram em prol dos objetivos. Mostraram o brio de um plantel que prima pelo caráter. Com o grupo fechado e uma rotina intensa de trabalho, as coisas se acertaram e os resultados foram aparecendo. Citando um ditado popular bem conhecido, o tempo foi o senhor da razão.

Garantido nas quartas de final, onde aguarda o vencedor da série entre Minas e Vitória, o Rubro-Negro chega a mais um playoff sendo um dos favoritos a levantar o troféu. Para entender melhor o panorama até aqui, enumeramos oito fatores que consideramos decisivos e comprovam, em tese, o poder de recuperação na campanha. Não há ordem de importância.

Veja abaixo:

COLETIVIDADE E UNIÃO

O trabalho em conjunto foi importantíssimo. No Flamengo, um protagonista pode ser coadjuvante em um jogo, e vice-versa. Os jogadores se conhecem e não têm vaidade. Prova disso é a quantidade de destaques ao longo do campeonato. A equipe sabe explorar quem está bem, seja na defesa, ou no ataque. A variedade de quintetos em 40 minutos é outro ponto que explica tal teoria. Em termos de minutagem, nove atuaram por mais de 12 minutos no total: Marquinhos (28.6), Ronald Ramon (28.2), Cubillan (25.3), JP Batista (25.2), Varejão (20.9), Arthur Pecos (20.1), Olivinha (19.2), Marcelinho (18.7) e M.J. Rhett (13.9). Destes citados, todos possuem +/- positivo.

TRANQUILIDADE PARA FECHAR AS PARTIDAS

Com exceção de um ou outro confronto, essa característica apareceu bastante na fase de classificação. Em embates contra adversários duros, o time soube como se portar nos momentos de decisão. Existem diversos exemplos, mas os jogos diante de Bauru, em São Carlos, e Franca, no Rio, se encaixam no perfil. A dianteira no placar, de ponta a ponta, também tem que ser citada. No clássico versus Vasco (visitante) e na vitória sobre Mogi, na Arena, isso aconteceu.

JOSÉ NETO E COMISSÃO TÉCNICA: PEÇAS CHAVES NA ENGRENAGEM

Multicampeão, o treinador mostrou sabedoria para superar o período complicado. Dono de um currículo extremamente vitorioso, blindou o elenco depois da saída da Liga Sul-Americana, e apostou no trabalho. Deu certo. Neto reinventou o modo de jogar, extraiu o máximo dos jogadores taticamente e tecnicamente, e não deixou de acreditar na primeira colocação em nenhum instante. Seu trabalho é, também, fruto do empenho da Comissão Técnica, formada por Claudio Cardone, Diego Falcão, Fernando Pereira, Rafael Bernardelli, Ricardo Machado, Rodrigo Carlos e Vitor Pessanha. No decorrer da fase regular, o Fla não sofreu com lesões e o preparo físico dos atletas sempre esteve em dia. Prevenir lesões é um dos trunfos deste Staff. Outro aspecto que chama atenção é o conhecimento de qualquer adversário, fruto de muito estudo interno. Definição perfeita de trabalho interdisciplinar.

FATOR CASA

Trocar o Tijuca Tênis Clube pela Arena Carioca 1 representou um ganho em todos os sentidos possíveis. A torcida aderiu a ideia e compareceu em peso, coisa que não ocorreu no NBB 9. Foram quatorze duelos como mandante (doze no local), e uma média de público de 2.224 presentes. Em nenhuma outra edição, esse número tinha sido tão alto. Destaque para os jogos contra Campo Mourão (3.991), Vasco (3.761), Botafogo (2.783), Paulistano (2.643) e Franca (2.262). A sinergia é nítida, tanto que os atletas fazem questão de saudar o torcedor sempre.

CHEGADA DE VAREJÃO

A contratação de Anderson Varejão foi a cereja do bolo. O time já estava bem, vinha fazendo ótimas partidas, e só cresceu. O pivô agregou ao esquema, fortaleceu a defesa e gerou inúmera opções no ataque, como o pick and roll. Seu impacto em quadra é imensurável, tanto que os marcadores rivais costumam se desdobrar. Em 13 jogos, o camisa 17 obteve média de 9.5 pontos, 7.6 rebotes e 15.2 de eficiência. Nota dez para a rapidez na adaptação.

MARQUINHOS

Nunca, na história do torneio, o prêmio de MVP teve um candidado tão unânime. Nessa primeira parte, Marquinhos só faltou fazer chover. O ala que, recentemente, admitiu estar vivendo uma das melhores fases da sua carreira, chamou a responsabilidade e doutrinou. Líder de estatísticas do Mais Querido, tem sido fenomenal. Colocar números nesta análise é mais do mesmo. Quem parou pra assistir qualquer jogo, deve ter tido a mesma conclusão. É impossível definir sua temporada em uma palavra, mas genialidade é a que se enquadra com merecimento. Ninguém o para no 1×1, e seus tiros de três estão cada vez mais letais.

ELENCO RECHEADO DE BOAS OPÇÕES

Arthur Pecos e David Cubillan se completam, e isso é um facilitador imprescindível. Os armadores possuem características diferentes, mas são intensos no mesmo tom. A aceleração do jogo desde a saída de bola torna a transição defesa-ataque um ponto fora da curva a favor. Passando adiante, Ronald Ramon é uma espécie de coringa ofensivo, mas seu repertório defensivo tem sido, simplesmente, fantástico. O dominicano tem apavorado os ‘atacantes’, e ajudado na composição de jogadas. Mais à frente, encontramos o trio M.J. Rhett, Olivinha e Pilar. O camisa 0 custou a engrenar, porém, se tornou bastante útil. Sua facilidade para enterrar é nítida e difícil de ser contida. O sistema favoreceu, dando espaço para chutes de três e de dois, além dos bloqueios de rebote. O xodó rubro-negro entrega disposição, raça e vontade em qualquer ocasião. O espírito peculiar de garra contagia a todos e coloca a torcida como sexto jogador. Relevância essencial. Já o ex-Brasília, apesar dos minutos reduzidos, responde positivamente quando exigido, seja na função de ala ou ala-pivô. É uma arma pertinente para qualquer situação. Para fechar, JP Batista. O pivô é outro que atravessa um auge físico, mental e técnico. Corresponde começando como titular ou vindo do banco. Seu jogo de pés evoluiu, assim como a precisão nos arremessos. É, com justiça, um dos candidatos a sexto homem.

DESPEDIDA DE MARCELINHO MACHADO

O último tópico não tinha como ser diferente. A aposentadoria de Marcelinho é um dos grandes atrativos desta temporada. Homenageado em diversas praças, o ídolo provou que ainda é muito decisivo e que vai deixar um gostinho de quero mais. Mesmo com 42 anos, castigou times como Franca (20 pontos) e Vasco (22), e tem atuado em alto nível. Líder nato, é ovacionado pela torcida e pelos próprios companheiros sempre que possível. Na real, o desejo de todo mundo é que o tempo passe lentamente para que o encerramento não aconteça logo. Seu desempenho, em 24 jogos, foi acima da média, principalmente, por não se concentrar somente nos chutes. O ala tem distribuído assistências com maestria e funcionado como um termômetro. É o talismã de José Neto. Por conta disso tudo, o ambiente leve e descontraído, conspira a favor. Existe um desejo geral de coroar a carreira de ‘MarceZico’ com mais uma conquista de NBB.

Reprodução: Globo Esporte

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