Marcos Almeida: “Por que não faz assim na Libertadores, Flamengo?”

Ganhar é bom demais. A gente ganha, fica felizão, e já imagina como pode ganhar de novo, já que o Mengo é um ganhão. E nessas projeções de como podemos ganhar e reganhar, é lógico que vem à tona a Libertadores, ainda mais após uma vitóra em confronto de mata-mata. Aí bate um puta baixo astral.

Por que esse tesão todo na Copa do Brasil e a apatia de sempre na Libertadores? Por que que perde toda vez? Por que não só basta perder, mas tem que dar vexame?

A boa notícia é que a Libertadores ainda não acabou. E essa vitória sobre o Grêmio, pela Copa do Brasil, pode contribuir na batalha pelo milagre no Mineirão. O Flamengo venceu abrindo mão de seu estilo de jogo dos últimos três anos.


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A posse foi deles (60% x 40%) e não tivemos aquela coisa de “DNA ofensivo”. Nada de girar a bola a esmo e encarar o gol como mera questão de tempo. Num lance com boa dose de sorte – e um passe preciso, com o queixo, de Lucas Paquetá –, o Flamengo fez o gol logo no comecinho e depois jogou para vencer o confronto. Venceu.

Volto a dizer, ganhar é bom demais. E acho que não fará mal ao Flamengo mudar um pouco a postura, em determinadas partidas, para que saia delas vencedor. Contra o São Paulo, por exemplo, tivemos a bola; mas eles sempre estiveram mais próximos do gol. Marcaram e se fecharam, com êxito, do mesmo jeito que o Flamengo fez nessa quarta, também no Maracanã. Foi péssimo perder para o São Paulo, ótimo ganhar do Grêmio.

Contra o Cruzeiro, será muito mais difícil. É fora de casa, e os caras têm uma baita vantagem no placar. Dá pra ganhar. O desesperado time do Santos provou que é possível, e talvez até pudesse ter construído o placar do qual precisamos, não fosse a péssima arbitragem no último lance.

O primeiro passo pra ganhar do Cruzeiro é jogar para tal. Acreditar não tem de ser questão levantada, isso aqui é Flamengo e todos nós acreditamos. Pois bem, que o Mengo jogue para ganhar. Assim sendo, cada um ali vai ter de dar a vida em campo, suar sangue, honrar o Manto e outros tantos chavões do esporte. O gol será muito mais questão de alma do que de tempo. Mas também será necessária a prática do bom futebol.

E aí, é fundamental que o Flamengo deixe a displicência longe de Minas Gerais. Toque de calcanhar, giro, só como recurso ou sob certeza de acerto. Se for pra raspar o pé na bola, rodopiando e não completar o passe; pisa nela, gira, levanta a cabeça e acerta a no pé do rubro-negro, por mais que isso demore segundos a mais. Tá perto da área de defesa, cercado por três, e só dá pra sair driblando? Manda a bola pra longe, mas não perde ela ali. Passou a porra do companheiro, em boa condição? Dá nele. A preferência é sempre do gol do Flamengo. O objetivo é o gol; golaço é matéria de ocasião.

O Flamengo é maravilhoso, único, imenso, o maior clube do mundo. Mas tem de lembrar que o pessoal do Cruzeiro acha a mesma coisa do time deles. Haverá um adversário ali, com as mesmas pretensões. Não é pra temer, nem pra desrespeitar. Eles jogam em casa e a parada tá 2×0 pra eles. Nada daquele oba oba habitual do Flamengo. Apoia, incentiva, faz AeroFla, vende a casa pra ir a Belo Horizonte, mas descarta o “já ganhou”. O nosso e o deles. É subir num salto da altura do Cristo Redentor ter a certeza de que o Flamengo vai se classificar, tão quão assumir a própria falência sentimental dar a eliminação como certa.

Lembrando: qualquer resultado que a não classificação do Flamengo é um vexame. Fomos humilhados no Maracanã, com a torcida deles calando a nossa e tomando 2×0 – numa derrota que poderia ter sido goleada tranquilamente. Não adiantará ganhar de 2 e perder, de novo, nos pênaltis. Olhem o que aconteceu no Rio de Janeiro! Ou classifica, ou é vexame.

Mas por que o blogueiro fala de Libertadores logo após uma vitória  grande na Copa do Brasil?

Porque a Copa do Brasil é um torneio menor que Brasileiro e Libertadores. Se ganhar só a Copa do Brasil, o Flamengo pouco eleva seu patamar no quesito títulos. Copa do Brasil não necessariamente imortaliza elencos. Rodrigo Arroz tem 77 jogos pelo Flamengo, Álvaro 31. Qual é mais relevante em nossa história? O campeão brasileiro, claro.

O Flamengo errou em priorizar a Copa do Brasil da mesma forma que o Brasileiro e a Libertadores. Agora se vira. Tenha claro que quase ninguém se importará com a eliminação na Copa do Brasil em caso de título brasileiro ou da América. Se bem que será doloroso cair na semifinal para o Corinthians, e inadmissível mais um vice-campeonato. Bem, talvez ganhando a Libertadores…

A semifinal poderia ser contra a Chapecoense, né? Pena que foi eliminada nas quartas, ficando entre os 8 melhores times de uma competição com 91 participantes, disputando apenas 4 jogos, e sem marcar um mísero gol. Controversa essa Copa do Brasil…

Permita-se lutar por coisas maiores, Flamengo. Foca no Brasileiro, busca uma virada histórica, homérica, heróica na Libertadores. Depois a gente vê o que faz. Copa do Brasil, agora, só em meados de setembro. Não é nem tem de ser prioridade. Mas vou falar uma coisa aqui pra vocês: ganhar é bom demais.

Reprodução: Marcos Almeida | Blog Nosso Flamengo

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  • se der pra passar pelo Cruzeiro, tudo bem, mas sem pressão no time, a imprensa está doida pra atrapalhar a vida do Flamengo, não vamos dar munição ao inimigo.

  • É por aí amigo. Belo texto

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