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João Luis Jr: “O que esperar do grupo do Flamengo na Libertadores?”

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FOTO: GILVAN DE SOUZA/FLAMENGO

Copa Libertadores da América. Uma das maiores competições do mundo. O torneio mais importante do continente. Uma jornada pelo coração do futebol latino-americano que atravessa 10 países e vai das praias cariocas até a altitude andina passando pelos pampas gaúchos, em busca de um troféu batizado com os nomes dos líderes que tornaram nossos países independentes e cuja posse representa a oportunidade de ganhar o mundo. Ou, se você for rubro-negro, pode também se referir à Libertadores como “aquela competição em que a gente não vai tão bem, não gosto de falar sobre ela”.


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Porque, por mais apaixonados que todos nós sejamos como torcedores, é preciso admitir que o Flamengo tem sim um problema com o maior torneio do continente. São campanhas pífias, mesmo quando montamos times qualificados. São partidas em que adotamos uma postura covarde diante de adversários tradicionais e entramos de salto alto diante de times teoricamente menores. São derrotas traumáticas dentro de casa e resultados desperdiçados por não saber aguentar a pressão fora. Em suma, desde o fim da era Zico o Flamengo se tornou uma espécie de valentão de playground de prédio, que pode até bater nos vizinhos menores mas passa vergonha em qualquer festinha que acontecer em outro bairro.

E em 2019 o Flamengo tem, mais uma vez, a oportunidade de mudar essa escrita. De fazer uma campanha à altura da sua história, de voltar a colocar medo nos países vizinhos, de superar o aparente trauma que essa equipe parece ter com qualquer pessoa falando espanhol e que nos tornou capazes de perder até para um time formado pela comunidade palestina no Chile. E tudo isso começa, é claro, pela fase de grupos.

Sorteados no segundo pote – mais um reflexo do quanto realmente ainda precisamos reconstruir nossa história na Libertadores – caímos num grupo com Peñarol, do Uruguai, LDU, do Equador e um representante boliviano, que tende a ser o San José, líder do campeonato nacional. Mas o que isso significa?

Primeiro, significa tradição. O Peñarol, apesar de ter ido mal nas competições internacionais esse ano, foi campeão uruguaio e tem na sua história 5 títulos da Libertadores, então obviamente não é um time com o qual se pode brincar. Assim como a LDU, que venceu a Libertadores em 2008 e também foi campeã nacional nessa temporada, deixando claro que estamos num grupo com adversários vitoriosos e que já tem uma história na competição.

Mas esse grupo significa também altitude. Isso porque não apenas enfrentaremos a LDU em Quito, 2850 metros acima do nível do mar, como, caso se confirme a classificação do San José, atuaremos num ar mais rarefeito ainda, já que o time manda seus jogos em Oruro, que fica a indecentes 3700 metros de altitude, e se o Rodinei já não é tão esperto com o cérebro plenamente oxigenado, imagina o que pode acontecer num ambiente assim.

Então, ainda que o Flamengo não esteja num grupo recheado de bichos-papões, nossa história já ensinou que qualquer grupo pode ser um grupo da morte se você tiver vontade o bastante de morrer e com isso se torna obrigatório vencer todos os jogos dentro de casa se quisermos nos classificar. Cabe ao clube então saber ser eficiente dentro do Maracanã e corajoso fora dele, porque a classificação obviamente é possível e um bom desempenho na fase de grupos é essencial para garantir um adversário menos complicado quando chegarmos no mata-mata.

Como diz uma música que a nossa torcida canta no Maracanã, o nosso povo pede o mundo de novo e pra isso precisamos primeiro ganhar mais uma vez a América. Mas precisamos fazer isso jogo a jogo, bola a bola, com a seriedade e a coragem que a Libertadores merece.

Reprodução: João Luis Jr/ESPN FC

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