Arthur Muhlenberg: “Inveja aurinegra”

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Uma semana tão repleta de acontecimentos memoráveis como esta que terminou à meia-noite de sábado merecia um desfecho mais condizente com a grandeza do Flamengo. Notem que aumentamos em 100% a série de vitórias consecutivas na Libertadores, resgatamos o Ninho do Urubu do labirinto das burocracias municipais e das hordas de fiscais inidôneos que nos acossam e ainda lançamos um novíssimo modelo do Manto Sagrado que revoluciona a maneira como as listras rubro-negras avançam em direção às mangas. Tudo isso para encerrar a semana melancolicamente, jogando uma pelada tétrica e obtendo um empate insosso e sem gols com o apenas remediado aurinegro volta-redondense.

Diante da atroz desimportância do resultado da partida, fosse ele qual fosse, para a definição do nosso ainda mais desimportante campeonato rural é até compreensível que entre os rubro-negros mais ponderados ninguém tenha feito muito escândalo com o embaraçoso empate. Mesmo porque o jogo foi chatíssimo, num horário de corno e quem não foi ao estádio encontrou alguma dificuldade para se manter acordado durante os intermináveis 90 e tantos minutos da hórrida pelada. Um jogo absolutamente soporífero.

Claro que sempre existirão os intransigentes defensores das leis, que não admitem sob nenhuma circunstância a ocorrência de erros de arbitragem que não nos beneficiem. O ruidoso naipe de cornetas já se manifestou através de terríveis ameaças ao status quo. Mas os paladinos da justiça desportiva terão que se virar para construir seu cavalo de batalha com um material extremamente modesto, a saber: um gol mal anulado por um impedimento inexistente e um suposto pênalti claríssimo não anotado por maldade e premeditação. Eventos dos mais corriqueiros e vulgares no âmbito das competições organizadas pela proba FERJ. Auguro boa sorte nos protestos, não poderei comparecer, tenho mais o que fazer.

E na lista do que devo fazer não se inclui perder mais tempo comentando sobre o que aconteceu no gramado do Maracanã. Contudo, merece destaque a decisão de Abel em designar como capitão o popularíssimo Pretinho Rondi, que anda de mal com a compreensiva torcida rubro-negra. Não se sabe ao certo o ponto que Abel buscou salientar com essa tresloucada escolha. Há duas leituras possíveis.

Pode ser interpretado como um sinal de confiança da Comissão Técnica no jogador, o que supostamente fortalece o grupo e a persona de paizão do treinador. E pode também ter sido para mostrar que quem manda na porra toda é ele e que a torcida pode se esgoelar até a morte que ainda assim não exercerá influência sobre a escalação. Particularmente espero que tenho sido por pirraça do Abel, que já escala o time mal à beça e temo que seja capaz de escalar ainda pior se for auxiliado nessa tarefa pela torcida, que se é ótima incentivando, é reconhecidamente desastrosa fazendo lobby para os seus afetos.

Enfim, já quase esqueci de mais um jogo inócuo de um campeonato irrelevante em que não aconteceu nada de notável e que não nos trouxe qualquer vantagem que não a de conhecer um pouco mais a molecada do elenco. Moleques que certamente terão oportunidade de causar melhor impressão no próximo jogo vagabundo em que forem escalados. Bola pra frente, jovens. Deixa a gente torcer pra esse desvalorizado Carioca acabar logo pra não perder a condução que nos levará aonde queremos chegar.

E a Libertadores é o único destino que realmente interessa, nossa única meta de verdade. Só não digo que é obrigatória porque mata-mata é foda. Mas nenhum outro campeonato será capaz de sossegar a periquita de uma torcida sábia cuja paciência não é infinita, e que não tolera longos hiatos entre conquistas significativas. E é bom que vagabundo entre numa, já são mais de 5 anos que o Flamengo está sem ganhar nada que preste.

Então é isso, fora um Fla-Florzinho e outras miudezas, temos 15 dias só pra treinar antes de encarar o Peñarol, coincidentemente outro time aurinegro atualmente sem muitos motivos para tirar onda. Já foi um grande time, mas hoje em dia é pouca coisa maior que o Voltaço. Ainda assim há justos motivos para se invejar los carboneros. Os infelizes possuem 4 Libertadores a mais do que o Flamengo. Não é inadmissível?

Por Arthur Muhlenberg / República Paz e Amor

Ver comentários

  • Um texto de quem tenta ser Nelson Rodrigues, mas não tem a picardia e inteligência suficiente para, pelo menos, acharmos interessante.

  • Texto interessante, foge do lugar comum e expressa opinião utilizando uma linguagem mais rebuscada. Muito melhor do que a maioria dos textos do site que só trazem "notícias" bobas e repetidas, que tem o único intuito de obter visualizações. Apesar de não concordar em alguns pontos, Parabéns.

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