Matheus Brum: “À espera de um milagre”

FOTO: ALEXANDRE VIDAL/FLAMENGO

Olá, companheiros e companheiras do Coluna do Fla. Estamos, mais uma vez, de cabeça quente, devido a pífia partida do Flamengo ontem contra o Fluminense. O empate saiu barato. Qualquer um que tenha visto o jogo com o mínimo de atenção sabe que o tricolor teve mais chances, jogou melhor e merecia a vitória.

A péssima atuação demonstra que o trabalho de Jorge Jesus não será fácil. Na cabeça do português, que estava presente ao Maracanã, deve ter passado mil pensamentos sobre como fazer aqueles jogadores que estavam em campo se comportar como time.

Ao longo de todo o ano, tenho falado por aqui que o Flamengo precisa de conjunto. Que precisa atuar, de fato, como uma equipe. O que tínhamos com Abel Braga e continua com Marcelo Salles é um bando em campo. Graças a nossa competência administrativa, temos ótimos jogadores que, quando estão em grande dia, conseguem ser decisivos e trazer a vitória. Foi assim no Carioca, na Copa do Brasil, na Libertadores e no Campeonato Brasileiro. Mas, quando nenhum deles joga bem ou a marcação adversária encaixa, a tendência é fazer uma partida abaixo da média.

Contra um Fluminense extremamente bem treinado, o rubro-negro foi mal. Isso fica evidente nas estatísticas. Tivemos menos posse de bola (58,7% contra 41,3%), o que é raro, menos finalizações (17 contra 10), trocamos menos passes (567 a 281) e erramos mais (48 a 39). O mapa de calor abaixo mostra como o Fluminense soube ocupar muito mais o campo, trocando passes e, em alguns momentos, envolvendo o Flamengo.

Pelo mapa de calor, conseguimos perceber que o Fluminense (esq), conseguiu ocupar todos os espaços do campo, graças a posse de bola e troca de passes. Já o Flamengo (dir), ficou com a bola mais no meio, sem levar tanto perigo ao gol adversário (Foto: reprodução/Footstats)

Para tentar colocar pressão, Marcelo Salles tentou subir a marcação. Não deu certo. O time de Diniz conseguia sair tabelando, com tranquilidade. Com a marcação alta e sem compactação, o Flu trocava passes entre as linhas, sem a menor dificuldade, levando perigo para Diego Alves, que de novo foi o melhor jogador da partida.

Se na defesa, tínhamos problemas na marcação, o ataque era inefetivo. Diego passou o primeiro tempo sumido, assim como Gabigol, que pouco tocou na bola. Bruno Henrique estava mal e Everton Ribeiro dificilmente ganhava as jogadas individuais. A entrada de Berrío no segundo tempo, para dar velocidade, não surtiu efeito. Sem o controle da bola, o time não conseguia armar contra-ataques.

Em suma, se o Fluminense tivesse os jogadores do Flamengo, dentro do estilo de jogo que praticam, teria vencido com goleada.

Se nós, que vimos o jogo pela TV temos esta análise, imagina Jorge Jesus que estava in loco? Pois é, o português não deve ter ficado nada satisfeito. E sabe que na parada para a Copa América terá muito trabalho. O Flamengo precisa de tudo, a começar pelo mais básico: ser uma equipe.

O primeiro caminho é montar um sistema tático que explore ao máximo as características dos nossos atletas. Depois, moldar o modelo de jogo que permita um futebol ofensivo, mas sem problemas defensivos. Fazer com que o time “corra certo”, na hora de marcar e não ter o Cuéllar indo de um lado ao outro do campo, igual um maluco para cobrir falhas de marcação.

É preciso que pense mais na interação entre os jogadores, para que aconteçam jogadas ensaiadas, triangulações e infiltrações, para que a bola chegue no ataque com qualidade e em ótimas condições de finalização (até porque, até agora, Gabigol tem se mostrado um novo Guerrero: perde mais gol do que coloca a bola pra dentro).

O ano ainda não acabou. Mas é preciso uma ação urgente para que o segundo semestre não seja de decepção. E, como diz o mestre Johan Cruyff, “qualidade sem resultado é inútil. Resultado sem qualidade é entediante”. Sem os dois, temos o Flamengo!

Matheus Brum
Jornalista
Twitter: @MatheusTBrum


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10 Comentários
  • Análise certíssima. Não é só o Fluminense, qualquer time que
    saiba marcar bem , o elenco erra passe demais e a nossa defesa também não sabe sair jogando e tampouco sabe defender bem, tirando o Rodrigo Caio. Quem sabe esse português conserte o time porque do jeito que está não
    vai sobreviver em nenhum campeonato .

  • Acertando as laterias e colocando mais o Ronaldo pra jogar, acho que já melhora uns 30%. No meio, Diego já não tem a mobilidade de Éverton Ribeiro e Arrascaeta, portanto, a manutenção dele no time vai depender das observações de J.J. Me lembro bem quando Dorival Jr. decidiu recuar Paquetá para melhorar a saída de bola, e todo mundo caiu de pau. O time melhorou depois disso, e só não melhorou mais porque Paquetá já estava com a cabeça na Europa. Quem sabe J.J. não tira um coelho desses da cartola? Bom jogador tem, mas como disse o autor, falta atuarem como um time. Se J.J. conseguir isso (e tb desarticular uma panelinha que existe lá dentro), quem sabe um título importante, pelo menos, já ganhemos em 2019? Vamos ver. SRN

  • Tem toda a razão. O Fla não tem um time com padrão de jogo e nem conjunto e quando a individualidade não funciona aí vira uma emanharada confusão e simplesmente não funciona. Um sufoco só. Tem que haver uma radical mudança.

  • não vejo motivo dessa preocupação. Tem dia que não vai. E ontem foi um desses. E se Jesus tivesse assistido o fla contra o cruzeiro, ou contra o Fortaleza, o que ia passar pela cabeça dele. É melhor ele verde perto que vai precisar trabalhar muito, do que ve um jogo bom e achar que tudo vai ser maravilhoso.

  • matheus brum, o mengao hoje esta nos primeiros lugares do br 2019, foi campeao carioca, classificou em 1 na chave d da liberta, esta nas quartas da copa brasil, chegou rafinha, e vem mais, amigo nao precisamos de milagre, apenas alguns ajustes, e por falar em flu, veja o lugar dele no br ?

    • Sim, e esses “ajustes” é exatamente o Padrão de jogo, que o Flamengo não tem. A colocação, se deve exclusivamente a jogadas individuais e lampejos dos nossos craques. Mas sempre que nossos melhores jogadores estão num dia ruim, não há uma válvula de escape. Se tivéssemos bons laterais, já seria um desafogo para o time, mas não temos bons laterais e nem um padrão de jogo, o que causa uma oscilação muito frequente… Um dia joga bem, no outro, jogamos pessimamente, até dentro de uma partida. Quantas vezes o Fla vem jogando bem durante o jogo, faz um gol e depois recua e começa a jogar mal? Contra o Inter e o Penarol foi assim.

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