Fabiano de Abreu: “Acabou o futebol? A era do ‘não se pode nada’ não daria lugar para Ronaldinho Gaúcho e cia”

Uma jogada durante a partida entre Flamengo e São Paulo chamou a atenção dos fãs do bom futebol nesse domingo (14). Após ter marcado o terceiro gol rubro-negro, Michael dominou a bola de uma maneira inusitada (muito bonita por sinal), e o jogador Reinaldo não viu o lance da mesma maneira. Tanto que o atleta são paulino considerou a atitude um “deboche”, devido ao placar naquele momento.

O resultado: ele partiu para cima do atacante rubro-negro para cobrá-lo, e uma confusão foi iniciada no Morumbi. O lateral-esquerdo do São Paulo pediu ao árbitro uma punição para o atacante. Pouco depois, logo após o fim do primeiro tempo, Michael comentou a situação e disse que “apenas jogou”, conforme foi pedido pelo atleta adversário.

O gesto do camisa 19 leva a uma reflexão sobre o encanto das belas jogadas que se tornaram características vitais e marcantes no futebol brasileiro. A realidade é que, quando não se pode ter ou ser, quando não se tem talento, julga. É a era da falta de empatia, onde tudo é uma ameaça, e o vitimismo é justificativa para não fazer diferente ou para não admitir a falha.


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A atitude de Michael revela que o futebol de hoje não teria espaço para o futebol-arte, aquele que consagrou jogadas de Garrincha, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Nazário, e tantos outros que souberam encantar o mundo com seus dribles e jogadas esteticamente maravilhosas de serem admiradas. Será que se eles fizessem aquilo nos dias de hoje seriam tratados como gênios que são? É caso para se pensar…

Já disse isso sobre este assunto em outras oportunidades, inclusive escrevi em artigo científico que estamos vivendo um coletivo de personalidade dramática onde todos se acham melhores a ponto de não admitir que há melhores. Como organismo vivos, precisamos admitir que somos diferentes e há os que têm determinadas habilidades que merecem ser vistas, admiradas e servem como incentivo para aprimorarmos, evoluirmos. Ou seremos uma sociedade encostada a espera de cair do céu, ou já somos?

O fato é que a jogada de Michael lembra um lance em que num clássico Corinthians x Palmeiras, lá no distante 1999, o jogador Edilson fez algo parecido. E naquela época, assim como agora, foi interpretado negativamente a base de pancadas dos adversários, que viram aquilo como uma provocação.

Como se pode ver, muita gente não evoluiu o pensamento de lá para cá. Perde o futebol, que se torna algo robótico, triste, em que a era do mimimi revela: quem não tem capacidade, ao invés de procurar melhorar, tem raiva daquele que tem capacidade.

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  • Sinto muito, mas DISCORDO. Fazer um lance bonito que resulte em uma jogada objetiva é uma coisa; fazer graça sem propósito prático é outra coisa totalmente distinta. Na minha opinião, o Michael deveria ser advertido pelo departamento de futebol, pois esta já é a segunda vez que ele apronta (a outra foi em um jogo contra o Fluminense). Senão, ele vai ficar visado pelos adversários e correremos o risco de não contar com o atleta, porque ele foi pegado em campo!

  • show…
    falou tudo……..