Foto: Alexandre Vidal / Flamengo
Jorge Jesus concedeu entrevista nesta sexta-feira (24) e se tornou um dos principais assuntos na imprensa esportiva do país. Um dos pontos que chamou a atenção foi quando o ex-técnico do Flamengo mencionou que se sentia como Pedro Álvares Cabral, o português que descobriu o Brasil, do futebol brasileiro. Na comparação, o ‘Mister’ fez uma correlação, destacando-se como um pioneiro para a entrada de outros profissionais de Portugal no futebol local.
— A minha passagem obrigou o futebol brasileiro e o próprio treinador a olhar o jogo de outra maneira. Quando chegamos, o futebol era muito de posição, de pouca pressão. Hoje, eles já sabem o que é fazer pressão alta. Esse foi um dos componentes que mudaram o futebol brasileiro, porque a qualidade do jogador continua lá, mas só o talento não ganha jogos. Hoje, as grandes equipes do Brasil estão a ir por essa mudança, como na Europa. E, sim, sinto que deixamos um legado para que os outros treinadores portugueses, como Abel (Ferreira) e Artur Jorge, tivessem a continuidade dessa ideia — iniciou Jorge Jesus.
— Isso fez com que três treinadores portugueses no espaço de cinco anos ganhassem. Eu me sinto como o Pedro Álvares Cabral do futebol português no Brasil, onde foi confirmado e justificado. O treinador português é o melhor treinador do mundo. Não estou dizendo que são todos iguais. O Messi não são todos Messis e nem Neymar, nem Ronaldinho… Mas dentro do que três, quatro treinadores portugueses, são os melhores do mundo — completou o ex-técnico do Flamengo.
O Flamengo contratou Jorge Jesus em 2019 para substituir Abel Braga logo após o término do Campeonato Carioca e o início do Brasileirão. O nome do português chamou a atenção por se tratar de um europeu no Brasil, o que era uma grande novidade. Até então, estrangeiros da América do Sul eram comuns em equipes nacionais.
Após a chegada de Jorge Jesus, os clubes brasileiros passaram a adotar contratações de treinadores portugueses de forma mais natural. O Palmeiras trouxe Abel Ferreira, enquanto o Botafogo contou com profissionais como Luís Castro, Bruno Lage e Artur Jorge. Além disso, outros nomes conhecidos, como António Oliveira, Pepa e Pedro Caixinha, também se destacaram, assim como técnicos portugueses nas Séries B, C e D do futebol do Brasil.
ALÉM DA ÁREA TÉCNICA
A revolução no futebol brasileiro ultrapassou as quatro linhas. Isso porque, além de treinadores portugueses, os clubes passaram a contratar jogadores de Portugal. Um exemplo é o Fortaleza, que fechou com o zagueiro Tobias Figueiredo, enquanto o Sport, recém-promovido, acertou com Gonçalo Paciência.
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